Que tipo de relacionamento você está levando com você?


Por: Ellen C. Fabri

Não precisamos procurar muito para encontrar alguém reclamando de seus relacionamentos, sejam eles amorosos, familiares, profissionais ou de amizade. Acontece que fica cada vez mais evidente que estamos com problemas em nos relacionar.

Para entendermos melhor o sentido da palavra vamos a sua etimologia:
Relacionamento vem do latim RELATUS que significa “levar consigo”. Por isso no título, a pergunta: Que tipos de relacionamentos você está levando com você?
Harmoniosos? Hostis? Libertadores ou detentores?

O motivo de nos relacionarmos tão mal é que estamos objetificando nossas relações e isso implica tratar o outro como objeto.

Denominamos essa relação de Eu–Isso. É uma relação que o “Isso” determina a regra do jogo. Essa relação estabelece uma falsa ideia de permanência, fazendo com que as pessoas se sintam agredidas por que aquilo que elas acreditam precisa permanecer, seja seu ideal de vida, sua posição social, suas ideias, sua moral e seus bons costumes.

Assim sendo costumamos nos sentir agredidos e consequentemente agredimos todo aquele que é diferente de nós. Um bom exemplo são os comentários na internet, uma simples foto postada por um indivíduo pode gerar inúmeros comentários agressivos de outros, pois a pessoa que agride precisa permanecer naquilo que acredita.

A permanência é a suspensão do campo do diálogo, ou seja, você suspende seu diálogo com o outro, pois prefere permanecer na fantasia de que só o que você acredita é certo e assim coloca o mundo na posição de objeto e tenta controlá-lo.

Acontece que o mundo não vai corresponder às nossas expectativas de controle.

Por que determinadas relações nos fazem bem enquanto outras adoecem?

O que precisamos compreender é que as relações não são fixas. Sendo assim, para se estabelecer um bom relacionamento é preciso correr riscos, e correr riscos implica se abrir ao diálogo e saber que nada é permanente e que as mudanças podem potencializar sua forma de se relacionar com as pessoas. Ao experenciar uma relação sob essa perspectiva você não estará tratando o outro como objeto e sim como sujeito.

Esta relação na qual se abre ao diálogo e aos riscos denomina-se Eu–Tu. Nela tudo aquilo que você lança ao próximo acaba recebendo de volta. É uma relação onde há engajamento e preocupação com o outro e principalmente, é uma relação de liberdade. Esta relação é livre, você não se sente preso, então é possível ser espontâneo. A liberdade que você concede é a mesma que experimenta.

Ser livre requer perder ou ganhar, se angustiar, se frustrar, mas se você não estiver disposto a vivenciar essa liberdade em suas relações, possivelmente entrará em uma relação objetificante, que diminui seu campo existencial e limita suas escolhas, além do mais se distancia de si mesmo passando a viver fantasias neuróticas. Aí acabamos vivendo como se estivéssemos destinados a algo, como se não existíssemos, como se não pudéssemos nos transformar.

Então, quando consigo ser congruente e genuíno, quase sempre ajudo a outra pessoa. Quando essa outra pessoa é cristalinamente autêntica e congruente, ela quase sempre me ajuda. Nesses momentos em que a autenticidade de um encontra a autenticidade do outro, ocorre uma relação Eu–Tu.

Busquemos então estabelecer relações libertadoras que possibilitem nossas transformações e consequentemente melhorar nossa qualidade de vida.

Imagem capa: Pinterest

Ellen C. Fabri
CRP 06/133505

Psicóloga Clínica com enfoque Fenomenológico-Existencial.
Formada pelas Faculdades Integradas de Jaú – FIJ JAÚ.
Atende na cidade de Jaú/SP.
Idealizadora do Projeto Florescer, que visa levar a
psicologia a indivíduos em situação de vulnerabilidade social.
Contato:
Facebook.com/Florirsejau 
Instagram:  @florirsejau
E-mail: ellen.fabri@gmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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