Eu não espero o Carnaval chegar …


Por: Alex Valério

Você tem percebido que os dias estão passando cada vez mais depressa? Ontem eu estava comemorando o natal, hoje já passou o carnaval! Uau! Okay, a rima foi péssima, mas totalmente acidental (opa, de novo!).

Às vezes, por um deslize, o tempo desacelera e nos permite algumas reflexões. Numa dessas, eu comecei a pensar nos planos que tracei, mas que por algum motivo que não sei dizer qual, nunca os concretizei. Sei que não sou o único e que isso acontece com todo mundo. Sabe aquela dieta que estamos tentando há anos? Fica para próxima semana. Sabe aquele artigo que você sonha em escrever? Deixa para o mês que vem, as coisas estarão mais calmas até lá. Ah, tem também a necessidade de aprimorar o inglês, mas agora falta dinheiro, deixa as coisas melhorarem.

São nos momentos em que a vida parece caminhar em câmera lenta que paramos para pensar. E, quando não há felicidade, alimentamos alguns dramas para impedir que entrem em extinção. Talvez, quem sabe, tenha sido num desses momentos de ócio que Drummond lançou: “E agora, José?”.

O grande segredo, que na verdade não é segredo, mas um desafio, é quebrar o ciclo vicioso que se estabelece quando temos o costume de ir postergando atividades que gostaríamos de fazer. Sabe aquela velha história de “Amanhã eu faço”; “Ainda está longe, temos tempo!”; ou ainda o famoso “Falta um mês”? Pois é, o pior é que no final justificamos que a culpa é cultural, já que todo brasileiro deixa tudo para última hora. Ao dizer isso, não estou desconsiderando os aspectos culturais envolvidos em comportamentos como estes, mas não confunda, o foco da nossa conversa não está naquilo que fazemos de última hora, mas naquilo que adiamos, adiamos, adiamos e que, de tanto adiar, não fazemos, fugimos, corremos…

Algumas das frustrações da nossa vida ocorrem por não termos feito algo que, em algum momento, planejamos. Eu, por exemplo, estou desde o ano passado tentando finalizar meu site. Já está praticamente pronto, mas cada hora eu tinha motivos diferentes que justificavam a não conclusão, agora, já estou tão cara de pau que nem inventei nada. Quando me lembro dele, logo me forço a esquecer. Não me olhe assim, só deixo você me julgar se nunca tiver feito algo parecido (risos).

A solução provável para que pudéssemos concretizar nossos famigerados planos, seria algo que, apesar de parecer simples, é bastante esnobe: ORGANIZAÇÃO.

Planeje! Programe a realização da sua tarefa, estabeleça um prazo e aja (isso mesmo, com j e sem h, não está errado! rs) de uma forma que permita o cumprimento das metas estabelecidas. Devo alertar para necessidade de não ser tão severo consigo mesmo, vá com calma, respeite seus limites e não exija demasiadamente da sua habilidade de planejamento.

Inicialmente, não se preocupe executar com perfeição, – o que não significa que você fará de qualquer jeito – mas se preocupe em tornar real a maior parte daquelas coisas que você gostaria que compusessem a sua realidade. No começo pode até parecer um pouco “torto”, mas com o tempo você endireita.

Não vamos deixar a vida passar para perceber que aquilo que foi, já não existe mais. Você, por enquanto, só tem o presente, o agora. Esse que, um segundo depois, já não existe mais. E que, a cada palavra lida se vai, se tornando passado. Nesse sentido, o que seria o tempo? O passado já passou, não pode ser alterado. O futuro ainda nem chegou, logo, também não tem como ser o que ainda não é nada. O presente, bem, o momento atual se torna passado um segundo depois de transcorrido.

A vida é um grande paradoxo. Pensem comigo: ao mesmo tempo em que parece longa, ela é rápida. Vejam só, o ano começou ontem, parece que faz poucas horas que estávamos brindando o réveillon, mas na realidade, o carnaval já até acabou.

Não permita que sua vida passe sem que você cometa alguns pecados. Não se crucifique por ainda não ter muitas coisas para viver. Saiba respeitar o seu tempo, saiba aproveitá-lo. Organize-o a seu favor, de modo que seja possível iniciar a dieta, ir para academia, escrever o artigo dos sonhos, realizar uma atividade prazerosa, enfim. Evite deixar para próxima semana, para o mês que vem, para depois do natal, para o começo do ano seguinte ou para depois do carnaval.

Faça uma lista com três planos e diga para si mesmo: Eu não espero o carnaval chegar para agir, mas estou em movimento todo dia, sou todo dia. Acredite, é melhor dar um passo por mês, do que nunca ter levantado do sofá e se posto a andar.

Também publicado em: Minuto Terapia

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Alex Valério
CRP: 06/134435

Especializando em Terapia Comportamental pela
Universidade de São Paulo.
Psicólogo pela Universidade Nove de Julho.
Tem experiência com projetos que envolveram
pesquisa básica em análise do comportamento
(desamparo aprendido e comportamento supersticioso),
ações sociais com o público LGBT e pesquisa quantitativa
com familiares de mulheres que estavam encarceradas.
Realiza atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos.
Escreve para o próprio blog e, também, para o Educa2.
Atende em São Paulo (Região Central) e no Grande ABC.
Contato: 
alex@minutoterapia.com
Facebook.com/ominutoterapia

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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