Vamos falar sobre as novas formas de família?


Por: Elton de Sousa Moura

Recentemente fiz uma pesquisa na internet sobre o tema: novas formas de famílias. E encontrei muito material, entre eles um artigo que gostei bastante (link no final) pois além de uma visão histórica, toca em assuntos que são importantes. Neste texto procurarei articular alguns pontos que chamaram minha atenção e também articulá-los com a minha vivência na escuta e interação com as famílias.

Você sabia que a palavra família vem do latin  famulus e que significa “escravo doméstico”? Esse termo foi criado na Roma Antiga para servir de base para designação do grupos que eram submetidos a escravidão agrícola. Claro que ao passar do tempo esse entendimento foi deixado de lado e os princípios à afetividade e aos laços sanguíneos foram se tornando mais fortes e se transformaram na base familiar.

Um ponto interessante na evolução do conceito de família se refere a união estável que, ao meu entendimento, refletiu na expansão da definição do conceito família. A ideia da união estável foi reapreciar vínculos afetivos que não necessariamente estariam sendo reconhecidos pelo casamento e baseia-se em convivência, em respeito, harmonia.

Observou-se que o casamento deixou de ser um requisito para a formação da família, uma vez que aquela família patriarcal carregada pelos nossos ancestrais onde o “Pai” era o administrador e a mãe colocada como a guardiã do lar, perdeu completamente essa visão limitada. O conceito de família foi abrangido, não tendo mais um caráter limitado. A família passa a ser compreendida como entidade socioafetiva que tem o dever de afeto e cooperação entre seus membros.

Isso me fez relembrar algo que aprendi ainda na graduação: que a família é a primeira forma de sociedade a qual a criança se insere, logo após ao nascer.
Essa ideia também já era difundida por um psicanalista e pediatra britânico há tempos: “Quando dizemos que a família é o primeiro agrupamento, estamos falando muito naturalmente em termos do crescimento do indivíduo” WINNICOTT, 2011.

Em outras palavras, é na família onde as primeiras noções de regras são apresentadas às crianças. E neste processo é preciso manter um ambiente seguro para que essa criança possa crescer e se desenvolver. Pois, temos ciência de que:

“O lar da criança é onde podem ocorrer as experiências mais ricas (…) A família é tremendamente valiosa para os jovens ou adolescentes, especialmente quando ele ou ela ficam completamente aterrorizados a maior parte do tempo, ainda que no âmbito da saúde (..)” WINNICOTT, 2011

Afinal, a família é a base central, a unidade indispensável do indivíduo, para sua formação educação e envolvimento harmonioso de respeito e amor com a sociedade.

Sabe-se que atualmente vivemos em uma sociedade extremamente ativa. O tempo urge. As responsabilidades são grandes. As pressões sociais intensas. E constituir uma família tem gerado momentos conflituosos para os pais.

Questionamentos frequentes: como trabalhar e criar espaço para estar próximo ao meu filho? Já tenho que retornar as minhas atividades, como quem deixo meu filho? Essas e tantas outras perguntas são rotineiras na vida das pessoas que estão constituindo suas famílias contemporaneamente.

Em momentos mais conflitantes, é bom saber que existem técnicas que podem ajudar a amenizar o impacto de tantas cobranças. Muitas pessoas tem recorrido a serviços de orientação de pais. Essa orientação aos pais ocorre por meio de sessões cujo foco é uma abordagem mais psicoeducativa onde se privilegia a pessoa e não o problema, zelando pela saúde mental tanto do paciente quanto de seus cuidadores.

Lembre-se que cuidar do outros requer um cuidado maior de si.

Não construímos nada sozinhos! Neste texto foram utilizados como referência os seguintes artigo/mídias:

Referências:

MARQUES, Natália Schettine et al.A evolução do conceito de família brasileira.  Retirado dos ANAIS DO SEMINÁRIO CIENTÍFICO DA FACIG. Disponível em: <http://pensaracademico.facig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/view/85&gt;. Acesso em: 11 mar. 2017.

CHANAN, Guilherme Giacomelli. As entidades familiares na Constituição Federal. Revista Brasileira de Direito de Família. Porto Alegre, n. 42. junho/julho 2007, p. 47.

WINNICOTT, Donald Woods. Tudo começa em casa.  ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011. 282 p. (Textos de Psicologia). Tradução Paulo Sandler.

Imagem capa: Pinterest

 

Elton de Sousa Moura
CRP 06/ 129482 

Psicólogo Clínico, pós-graduando em
Psicopatologia e Psicossomática,
curso reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia,
pela Universidade São Camilo.
Atualmente cursa o Programa de Aprimoramento
Profissional do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia em
Psicologia Hospitalar, além do curso de extensão na 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)
a fim de aperfeiçoar sua compreensão psicanalítica.
Possui experiência clínica com foco na abordagem
psicanalítica aplicada em atendimentos de adulto, crianças e idosos.
Contatos:
WhatsApp: (11) 984928631
Site: www.seremfases.com.br
Facebook.com/esousamoura

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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