Deu medo? Vai com medo mesmo!


Por: Alex Valério

Não é incomum sentir vontade de sair correndo, sem nem olhar para trás diante de algumas situações que a vida nos submete. Aliás, sentimos isso o tempo todo. Os medos que sentimos são dos mais variados possíveis: medo do que vão pensar se eu fizer tal coisa, de não conseguir alcançar algo que desejo, de não ser bem sucedido, de não fazer nada, de passar pela vida sem ter feito a diferença, de morrer, de ser feliz.

Uma vez um amigo antigo me disse que tinha medo do medo que as pessoas tinham. Cazuza, por outro lado, dizia que tínhamos medo, inclusive, da felicidade. Penso que ambos – tanto meu antigo amigo, quanto o grande poeta – tinham razão. A gente quer ser feliz, mas dá um medo danado de arriscar e de ir fundo nessa. Geralmente aquilo que pode dar muito certo, pode dar muito errado, não é mesmo? E, nesse sentido, passo a ter medo do tamanho do medo que as pessoas possam ter. Você já pensou no quão feliz estaria se tivesse tomado uma decisão que não tomou porque decidiu se proteger?

Quando estamos divididos entre o sim e o não, parece que um turbilhão de sentimentos começa a sambar dentro da gente. Aquela dúvida angustiante e assustadora entre o agir e o não agir passa a nos dominar. Passamos tanto tempo pensando no que fazer que muitas vezes decidimos não fazer. E não fazer, quase sempre, é aterrorizador. Aliás, há situações em que sofremos mais com a dúvida, do que com aquilo que aconteceria caso nossa tentativa não desse certo.

Vamos jogar a real! Ao tentar algo, uma das consequências possíveis é não dar certo. Mas isso faz parte da vida, não é mesmo? Se tudo que optássemos fazer desse certo desde o início, eu adoraria sair por aí arriscando e deixando o medo para lá. Acontece que não é e não foi sempre assim. Temos medo, porque temos uma história. Uma história que, nem sempre, nos traz lembranças felizes das escolhas que fizemos. O medo de errar é tão grande que pode até nos imobilizar. Mas, acreditem, se sentir imobilizado é tão ruim quanto algo que não deu certo – algumas vezes é até pior. Tentar e errar normalmente nos faz pensar: “Pelo menos eu tentei”. Por outro lado, não fazer nada nos faz pensar em quê? Em como seria se tivéssemos feito? Para mim, é aí é que está o problema. Ficar remoendo aquilo que não foi feito, não me parece um pensamento muito saudável.

O objetivo deste texto não é o de incentivar a ação de tudo aquilo que queremos e receamos, mas sim de nos sensibilizar acerca do que gostaríamos de fazer e que, de tanto querer, sofremos por não tentar. É para pensarmos no quanto deixamos o medo ser maior do que a nossa vontade de viver e de ser feliz. Experimentar é importante. Sentir medo é esperado, principalmente diante de coisas novas – mas não só delas, das antigas também. Sinto medo sempre que algo importante vai acontecer. Sabe aquele friozinho na barriga? Então, é sempre presente. Mas, depois que passa, é excelente. Quase nada é tão bom quanto a sensação de “Eu consegui”.

Ser cauteloso para não agir impulsivamente é importante. Precisamos refletir a respeito das consequências de nossas ações, entretanto, o cuidado em demasia pode nos impedir de descobrir felicidades que ainda não foram exploradas. Não se esconda dentro de si mesmo. Espie pela janela e tome coragem de abrir as cortinas. Deixe o sol irradiar a sua sala e vai fundo. Das duas uma: você terá uma experiência excelente, possível apenas para quem espiou e, mesmo com medo, abriu as cortinas. Ou, na pior das hipóteses, terá que passar muito pós-sol para cuidar das queimaduras. Mas veja só, há uma solução para aquilo que não deu certo. Em geral, só não dá para resolver aquilo que não aconteceu. Não se mantenha na escuridão. Deu medo? Vai com medo mesmo!

Também publicado em: O Minuto Terapia

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Alex Valério
CRP: 06/134435

Especializando em Terapia Comportamental pela
Universidade de São Paulo.
Psicólogo pela Universidade Nove de Julho.
Tem experiência com projetos que envolveram
pesquisa básica em análise do comportamento
(desamparo aprendido e comportamento supersticioso),
ações sociais com o público LGBT e pesquisa quantitativa
com familiares de mulheres que estavam encarceradas.
Realiza atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos.
Escreve para o próprio blog e, também, para o Educa2.
Atende em São Paulo (Região Central) e no Grande ABC.
Contato: 
alex@minutoterapia.com
Facebook.com/ominutoterapia

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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