Alerta ao suicídio! De “13 Reasons Why” ao jogo da “Baleia Azul”


Por: Amanda Santos de Oliveira 

Provavelmente você já ouviu falar por aí nesses últimos dias algo sobre algum desses títulos acima. Pois uma série chamada “13 Reasons Why” e um jogo chamado de “Baleia Azul” tem trazido grande alerta, principalmente para os pais de adolescentes, pelo risco ao suicídio nesta faixa etária. Portanto, discutiremos abaixo o que esta série e este jogo nos ensinam e quais os principais pontos que devem ter nossa atenção.

Ainda, falaremos sobre o essencial: o suicídio. Levando em consideração a complexidade da temática, é necessário entender como é importante estar atento aos sinais e oferecer ajuda, apoio e atenção aqueles que estão em situação de vulnerabilidade.

A série: “13 Reasons Why”

A série, original do Netflix, tem tomado conta das redes sociais e trouxe à discussão alguns pontos muito importantes. A história se trata de uma adolescente, Hannah Baker, que ao cometer suicídio, prepara uma série de fitas com os treze motivos que a levaram a tirar a própria vida. Hannah é uma adolescente de classe média nos EUA que, aparentemente, teria uma vida tranquila e “normal”.

Durante as fitas que foram entregues às pessoas que faziam parte do conteúdo delas, a história de Hannah espanta a muitos, não só pelos acontecimentos revelados pela adolescente, mas por trazer a atenção para importância que cada um tem nas relações que mantém. Portanto, é um grande alerta às relações interpessoais de forma geral, pois demonstra a responsabilidade que cada um deve ter ao interagir com uma pessoa, afinal, nem sempre somos tão empáticos com a dor do outro.

Mas a série possui seus pontos de alerta. Afinal, por se tratar de uma carta suicida não convencional, ela contém a opinião de uma pessoa que já cometeu suicídio. Portanto, uma pessoa que não encontrou ajuda e não via outra saída para acabar com a sua dor. Este é um ponto que merece extremo cuidado, pois pode representar um gatilho para aqueles que estão passando pela mesma situação ou por situação similar da adolescente. A série não mostra meios eficazes para se pedir ajuda e acaba por não trazer opções para aquele telespectador que pode estar pedindo socorro.

Atenção! Se seus filhos ou você mesmo estão assistindo à série ela deve ser oportunidade para o diálogo. Discuta sobre os assuntos tratados na história e procure ajuda, se necessário. Apesar do conteúdo importante, a história acaba por apresentar um sentido negativo sobre manter a vida em um contexto de estresse agudo, o que merece muito cuidado. O lançamento da série teve um impacto significativo nos pedidos de ajuda. Segundo o site da UAI[1], o Centro de Valorização à Vida (CVV), associação civil nacional sem fins lucrativos voltada à prevenção de suicídios, já houve um aumento de 100% de atendimentos desde o lançamento da série que foi ao ar no dia 31 de março. No entanto, apesar de não haverem estudos para o mesmo, encontram-se cada vez mais notícias de casos de suicídio por todo país. Ainda não se sabe se este aumento se trata da ênfase em tais notícias, devido à discussão em alta da temática ou se estamos passando por um aumento real nas estatísticas.

Para mais informações referentes ao CVV, este é um contato para quem precisa de ajuda e precisa combater ideias suicidas. O Centro de Valorização à Vida é a referência no país e oferece apoio 24 horas gratuito e sigiloso por telefone (Disque 141).

O jogo “Baleia Azul”

Este é um jogo de origem russa que chegou ao Brasil e tem assustado pais e professores no Brasil todo. O jogo acontece por meio das redes sociais a partir da presença de um moderador que distribui desafios pelas próprias redes sociais. São cinquenta desafios propostos e todos eles têm uma característica violenta, como fazer desenhos com navalha no próprio corpo, cortar o próprio lábio, escrever o nome do grupo com faca na mão, dentre outros. O desafio final é tirar a vida e assim que o jogo é iniciado não é mais permitido sair e os administradores tomam conta das ameaças àqueles que se mostram desistentes.

Segundo o site Estadão[2] o grupo suspeito de ser o criador do jogo na Europa, vem sendo investigado pela possível indução de mais de 130 suicídios em 2015. O jogo que chegou ao Brasil traz muito alerta e preocupação. No país, já foram divulgadas as mortes de uma jovem de 16 anos no Mato Grosso, um rapaz de 19 anos em Minas Gerais e existem ainda investigações sobre outras mortes na Paraíba e no Rio de Janeiro. O jogo se popularizou no Brasil e tem causado danos enormes por onde passa.

Pela sua rápida expansão em nosso país, ainda não existem muitos dados referentes ao jogo. No entanto, já sabemos aonde ele começa e que tipos de desafios são repassados. Por tanto, muita atenção às atividades dos seus filhos nas redes sociais e marcas que possam aparecer em seu corpo. Segundo o Estadão, o jogador que desistir e efetivamente sofrer ameaças está completamente coberto pela lei. Afinal, o artigo 147 do Código Penal tem como punição àqueles que ameaçam detenção de um a seis meses. Além disso, aquele que instiga o suicídio também responderá pelo artigo 122 do Código Penal com pena prevista de reclusão de dois a seis anos.

Muita atenção! O suicídio merece!

O que tudo isso nos mostra é: não damos a atenção necessária ao suicídio. Segundo dados de 2012 da agência da ONU[3], morrem mais de 800 mil pessoas por suicídio por ano no mundo. Além disso, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Mais assustador ainda é pensar que, conforme mostram os dados, existe uma morte por suicídio no mundo a cada 40 segundos.

Segundo a OPAS/OMS, os suicídios podem sim ser evitados. Entre as medidas de prevenção estão à redução de acesso aos meios utilizados para os atos de suicídio, a identificação precoce, tratamento e cuidados de pessoas com transtornos mentais ou estresse emocional agudo, entre outras.

Mas, você sabe dos problemas que seu filho está vivendo? Você sabe se ele tem sofrido bullying na escola? Você acompanha as mudanças de comportamento bruscas, baixa de rendimento escolar ou quaisquer outros pontos considerados estranhos a você? É preciso participar! A maior prevenção é a empatia e a atenção ao sofrimento daqueles que estão perto de você. Não cabe a nós julgar o sofrimento do outro como maior ou menor, mas se atentar a ele. Ouça, apoie, ofereça segurança e carinho. Estes são os principais meios de prevenção e essa é a verdadeira valorização à vida.

Referências:

[1] Pedidos de ajuda por depressão aumentam no Brasil após ’13 Reasons Why’, diz órgão. UAI; TV e Cinema. Disponível em: <http://virgula.uol.com.br/tvecinema/pedidos-de-ajuda-por-depressao-aumentam-no-brasil-apos-13-reasons-why-diz-orgao/&gt;. Acesso em 18 de abril de 2017.

[2] O jogo mortal e criminoso: Baleia Azul. Fausto Macedo, Estadão. Disponível em: <http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/o-jogo-mortal-e-criminoso-baleia-azul/&gt;. Acesso em 18 de abril de 2017.

[3] OMS: suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. Portal das Nações Unidas do Brasil, ONUBR. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/&gt;. Acesso em 18 de abril de 2017.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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3 opiniões sobre “Alerta ao suicídio! De “13 Reasons Why” ao jogo da “Baleia Azul””

  1. É uma opinião muito peculiar, mas cada dia mais a sociedade cobram muito dos jovens, a mídia influência muito, tanto como redes sociais. Como: ser uma pessoa que não é, fingir sempre estar bem, e não aceitar erros cometidos pelo individuo próprio, etc
    Acredito que que hoje nessa geração Y, os jovens não sabem como cultivar um estado de emoções sadio. e entram em conflito com suas emoções por acabar se cobrando demais, para serem aceitos na sociedade como uma pessoa de sucesso.
    Dentro do laço familiar, vejo muito que os pais de hoje em dia esquecem de se preocupar com a desenvolvimento emocional e segurança do seu filho, assim dando segurança para seu filho enfrentar as dificuldades de modo racional e realista. É em casa que começamos dar os primeiros comportamentos diferentes e de riscos, é preciso dar atenção a esses estágios da criança e do adolescente. Uma fase da vida de desenvolvimento e descobertas do próprio ser, onde vai passar por transformações biológicas,caráter, opiniões formada, sexualidade, visão de mundo, etc

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