13 Reasons Why: assistir ou não à série?


Por: Camila M. Fernandes

Escolhi a Série 13 Reasons Why como tema para este texto, pois muitos tem assistido e comentado, inclusive pacientes meus e achei que deveria dar uma chance e também assistir para ver como seria.

A série realmente é muito impactante, em muitos detalhes.

Antes que alguém me pergunte se acredito que a série ajuda ou prejudicam as pessoas, sinto dizer que não consegui formar uma opinião sobre, posso estar errada por não querer mostrar um ponto de vista, mas questionarmos a inúmeros profissionais, cada um poderá ter uma visão diferente.

Por um lado acredito nas estatísticas que dizem que muitos ligaram para o 141 (telefone do Centro de Valorização da Vida) pedindo ajuda, ou que muitos podem ter pedido socorro a seus familiares e buscado profissionais para o ajudarem, mas quantos outros não viram a série como o “empurrãozinho” que queriam para cometer o suicídio? Acho que talvez nunca saberemos a estatística correta de ambos os lados e é por conta disso que realmente não sei se a série ajudou ou prejudicou, ou até mesmo os dois, quem saberá?

A série peca e muito com relação ao que a Organização Mundial da Saúde solicita. Existe um documento chamado PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM MANUAL PARA PROFISSIONAIS DE MÍDIA, e com base desse manual, a série não poderia informar detalhes do método que foi utilizado para o suicídio e nem atribuir culpados pelo ocorrido. Podem até alegar que quiseram mostrar a realidade, mas essa realidade deveria estar de acordo com a OMS em busca da prevenção de novos casos. Todos os canais de mídia que querem falar sobre temas tão importantes como esse, precisam ter cuidado, pois podem, ao invés de ajudar como pretendem, levar muitos a cometerem o suicídio. A minha maior crítica a série é essa, pois quiseram romantizar o suicídio.

Para quem não sabe, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens e adultos no país, então falar sobre o tema requer muito cuidado.

Agora falarei sobre alguns pontos que considero positivos. Acho bacana mostrarem como o Bullying pode afetar e muito a vida das pessoas, pequenos gestos que para muitos não significam nada, podem mudar a vida de muitos. E infelizmente escolas não estão preparadas para lidar com isso, canso de ouvir por aí coisas como “ah bullying é frescura, na minha época tinha isso e ninguém se matava”, mas as pessoas esquecem que os tempos são outros, a fala hoje em dia é mais forte e mais voraz do que há anos atrás. Então, mostrar que pequenos gestos podem e são sentidos de forma séria por alguém é importante.

A série também me ajudou a perceber que escolas não estão preparadas para isso, pois nem sempre professores, e até mesmo conselheiros, conseguem prestar atenção a pequenos detalhes soltos por aí. Mas aqui vai uma ressalva a respeito do conselheiro: da forma como a série mostra, parece que ele é o responsável pelo suicídio dela, só porque o seu pedido de ajuda foi ineficaz. Não deveria ser mostrado que o único desfecho lógico seria o suicídio.

Acho que duvidamos tanto que o suicídio é sim uma das maiores causas de morte, que parece que só vai acontecer distante, e não ali, perto de você. Continuamos a fazer pequenas brincadeiras, achando que não é nada, ou que é impossível magoar alguém a esse ponto.

Ao final da série, um dos personagens diz que “precisamos melhorar o modo como nos tratamos e cuidamos um do outro” e acredito que realmente isso é um vácuo muito grande no mundo atual. Somos tão egoístas que olhamos apenas para nós, não olhamos para o outro e ainda prejudicamos outros por acharmos que somos melhores.

Voltando ao que mencionei no começo, não acho adequado a série querer mostrar e culpabilizar pessoas, mas ao mesmo tempo, me fez refletir quantas vezes estamos magoando alguém, ferindo alguém com pequenas atitudes e não nos damos conta? Precisamos rever nossos pontos de vista e nosso cuidado com o próximo.

Acho que temas como o suicídio são importantes, devem ser comentados e falados, porém é necessário um cuidado muito grande para não propagar uma ideia errada. Enquanto os meios de comunicação, e até nós, profissionais da saúde não mostrarmos a importância de pedir ajuda nesses casos ou mostrarmos para o mundo que há formas melhores de tratar o outro, ao invés de falar que “terapia é coisa para louco”, talvez a ajuda seria mais efetiva.

Não deixe que frases como a citada acima prejudique sua busca por ter um bom profissional. Infelizmente nem sempre a ajuda virá de alguém próximo, mas não desista, saiba que sempre haverá profissionais, e lugares como o Centro de Valorização da Vida (Disque 144) a disposição para ajudar no que for preciso.

Imagem capa: Link

Colunista:

Camila M. Fernandes
CRP: 06/109118

Psicóloga Clínica. Formada pela Universidade São Judas Tadeu.
Aprimoramento Clínico na Abordagem Cognitiva pela Universidade São Judas Tadeu.
Atendimento no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo-SP
Contatos:
E-mail: psico.camilamartins@gmail.com
Facebook.com/psicocamilafernandes

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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Uma opinião sobre “13 Reasons Why: assistir ou não à série?”

  1. Camila,
    acabei de ler o livro que deu origem à série. Posso dizer que é uma leitura que incomoda bastante, pois mostra dois dramas muito intensos: o de Hannah e o de Clay. Ela por tudo que sabemos através das suas narrativas na fitas e ele pela culpa que sente por não ter conseguido ajudá-la.
    Diferente da série, pelo que ouvi falar, pois não assisti, não fica explícita a forma escolhida para o ato em si, dá a entender que foi por super dosagem de medicação, se bem que isso é o que menos importa no contexto todo.
    Assim como você, o que ficou bastante marcante para mim, foram os motivos que a levaram a uma decisão tão extrema; bullying, egoísmo, egocentrismo, machismo, e tantos outros “ismos” que sabemos tão presentes em nossa sociedade.
    Sem entrar no mérito da questão se a série incentiva ou não a prática do suicídio, o roteiro fica como alerta aos pais, professores, enfim, para todos nós, para essa questão que é tão séria e tão presente nos nossos dia.
    Um abraço,
    Eliana

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