13 Reasons Why: considerações sobre o suicídio


Por: Ariana Ribeiro Gomes

Pode-se dizer que a produção “13 Reasons Why” da Netflix, baseada no romance de Jay Asher, é uma das séries do momento. Mas parece-nos que o fato de ser alvo de muitos debates nos diz que não se trata de mais um produção que virou moda entre adolescentes e jovens.

Por que não? Vamos partir do resumo apresentado pela Netflix: “após o suicídio de uma adolescente, um colega de turma encontra fitas que revelam os misteriosos motivos de sua decisão.” Um breve texto que, a princípio, poderia não despertar muita curiosidade. Mas nos detenhamos a dois pontos: “suicídio” e “misteriosos motivos”.

O suicídio não é um tema abordado na sociedade em que vivemos. Isto pode ser considerado algo grave, já que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas entre 15 e 29 anos morrem, por ano, em decorrência de suicídio.

O fato de ser um tema tão pouco falado contribui para que as pessoas achem que o ato de retirar a própria vida é misterioso, ou seja, enigmático, inexplicável. E quando as pessoas tentam explicá-lo, normalmente, constroem ideias erradas, como: quem quer se matar é fraco, quem quer se matar é corajoso, quem quer se matar quer chamar atenção etc.

Entendemos que para quem se dispõe a assistir a série há um movimento que busca alguma coisa parecida com a compreensão sobre um tema que tanto nos angustia – não seria por isto que procuramos negá-lo, jogando-o para fora de nossos diálogos cotidianos?

Mas, por outro lado, assistir a série também pode ser um indício de que muitos de nós sabem sim dos motivos que levam a querer dar fim à própria vida. Sabem a partir de sua própria vivência, de suas próprias dores.

Portanto, não podemos entender que se trata apenas de uma série da moda, deixando de aproveitar relevantes discussões – inclusive as que criticam negativamente pontos apresentados na produção.

Sobre as críticas negativas, muitas tem como base as indicações sobre a abordagem que o tema “suicídio” deve ter na mídia – apontadas, por exemplo, pela Associação Brasileira de Psiquiatria.
Dentre essas indicações, podemos citar: evitar transmitir uma “teoria” sobre o suicídio que possa colocar a culpa em algo ou alguém; não fornecer detalhes do método letal nem fotos.

Os cuidados com relação à divulgação de casos de suicídio relacionam-se ao chamado “Efeito Werther”, usado na literatura médica para designar a imitação de suicídios. A divulgação deve sempre estar associada à oportunidade para conscientizar a população sobre a prevenção do suicídio, ou seja, que é um ato frequente, porém, possível de ser evitado.

Apesar da série extrapolar tais indicações, parece-nos que contribui para desmistificar a ideia de mistério em torno do suicídio, pois mostra que não se trata de um ato que acontece por acaso, não se relaciona com força ou fraqueza, também não se trata de um ato simples, que acontece por um único motivo.

É importante frisar que a existência de um transtorno mental é um fator forte de risco para suicídio. Sendo os transtornos de humor, como a depressão, os que mais relacionam-se ao comportamento suicida.

Também é fundamental dizer que a experiência de cada sujeito é sempre única. É preciso que aprendamos a não menosprezar a reação de alguém diante de determinadas situações. Por mais que não entendamos, o sofrimento do outro é sempre real, e merece respeito.

Por fim, vale lembrarmos: no suicídio não se quer o fim da vida, mas o fim de um sofrimento. A pessoa, por diversos motivos, não conseguiu encontrar uma forma para acabar com seu sofrimento que não fosse o encerramento da própria vida. Mas é possível uma outra saída! Procure ajuda, principalmente especializada.

Referência:

Comportamento Suicida: Conhecer para prevenir. Dirigido para profissionais de Imprensa. Associação Brasileira de Psiquiatria: http://www.abpbrasil.org.br/sala_imprensa/manual/ 

Imagem capa: Pinterest

Ariana Ribeiro Gomes
CRP: 05/45263

Psicóloga, Formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ.
Atende em Rio de Janeiro/RJ.
Observações: Projeto Multiplica Psi, Acompanhante Terapêutica na inclusão escolar de autistas, psicóloga clínica, mestranda em Psicanálise e Políticas Públicas.
Contatos:
arianaribeiro.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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4 opiniões sobre “13 Reasons Why: considerações sobre o suicídio”

  1. Penso que o suicídio é um tema que precisa estar sendo debatido para todos lerem e conhecerem. Escondê-lo pode dar a falsa impressão de que quase ninguém pensa em se matar… ou melhor, matar a própria dor, que muitas vezes é insuportável.

    Conhecimento salva vidas. Um dos motivos de eu ter adorado a série e o texto!

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