Xiii… Hora de estudar, ferrou! “Gente grande” também tem dificuldades


Por: Alex Valério

A temida hora de estudos não é um problema apenas para crianças e adolescentes. É muito comum aparecerem no consultório adultos que enfrentam dificuldades para compreender e se dedicar às atividades acadêmicas. O comportamento de estudar é, para muitas pessoas, uma tarefa pouco prazerosa e da qual as pessoas querem se livrar rapidamente.

Estabelecer uma rotina de estudos não é uma tarefa simples, requer uma série de comportamentos complexos, como: ler, escrever, grifar, separar material, revisar o que foi feito, entre outros. Logo, é uma atividade que exige esforço e tempo. E, convenhamos, o mundo em que vivemos oferece uma infinidade de atividades mais prazerosas do que passar um período do dia com a cara nos livros, não é mesmo?

O problema dessa série de outras possibilidades é que, normalmente, as priorizamos e vamos adiando atividades que precisaremos realizar, seja aquele trabalho para o final do semestre ou os exercícios de matemática para segunda-feira. Acontece que o chamado “mau do brasileiro”, ou seja, o comportamento de adiar constantemente a realização de tarefas, deixando para executá-las próximo do prazo final, causa uma série de consequências, sendo muito comum o sentimento de fracasso ou de decepção com o resultado entregue. A sensação de culpa por não ter concluído a atividade ao longo do tempo, também costuma ser algo comum e que aflige as pessoas.

Infelizmente as escolas não ensinam os alunos a estudar, algo que é primordial para o bom desempenho do estudante. Sim, ensinar a estudar! Por mais estranho que pareça, esse é um comportamento que, como qualquer outro, precisa ser ensinado. Quando chegamos à escola temos nossa primeira experiência com os estudos, sem nunca antes ter experimentado, por exemplo, o que é estudar para provas, ou ainda, em ter de ler um texto e interpretá-lo para, posteriormente, discuti-lo. As escolas parecem esperar que, os hábitos de estudo, sejam algo intrínseco do ser humano. Alguns atribuem essa responsabilidade aos pais, mas se os pais também não foram ensinados, quem é que vai fazer?

Na graduação não é muito diferente disso. As universidades partem do pressuposto de que, as pessoas aprenderam no ensino básico como se estuda. Ainda que isso tivesse acontecido, desconsidera-se que, neste novo contexto, passa a ser exigida uma capacidade mais elaborada e, nem sempre, os alunos são preparados para isso. Há uma série de pessoas que, diante da necessidade de estudar, não sabem como começar ou o que priorizar.

Muitos estudantes desistem e se sentem incapazes de prosseguir com as atividades escolares. Diante desse cenário cada vez mais frequente, resolvi escrever algumas técnicas que, no consultório, tem gerado resultados satisfatórios. É claro que não funcionará para todas as pessoas, mas você pode refletir e testar uma coisa ou outra, adaptar ao seu modo/rotina.

O primeiro passo está relacionado com a Organização. Antes de iniciar, verifique se pegou todos os itens que você irá precisar (lápis, caneta, textos, livros, entre outros). Garantir que está com tudo o que será necessário, é importante para que você não tenha que interromper seus estudos, ao descobrir que esqueceu algo, ou seja, evita que você tenha que sair para buscar algo que ficou para trás.

O segundo cuidado se refere ao local em que a atividade será realizada. Antes de falar sobre isso, gostaria que você pensasse no seu atual local de estudo e em como ele é. Há alguma televisão, rádio ou computador por perto? (Se o computador for um dos seus materiais de estudo, cuidado!) Quando você decide estudar, seu celular fica onde? Você consegue ouvir barulho de carros ou de utensílios domésticos? Já adianto que esses distratores podem prejudicar seu rendimento na tarefa escolar.

Defina um local para os estudos. Parece bobagem, mas isso é importante. Não precisa ser um escritório, caso a sua casa não seja grande. A mesa da cozinha também serve. Só é importante que seja silencioso e tenha espaço para você colocar seu material. Algumas pesquisas mostram que, ao eleger um local para estudar, cria-se uma rotina mais produtiva. Mas há um cuidado importante: caso perceba que, em algum momento da atividade, está começando a se distrair com outras coisas ou ficando cansado, guarde o material e suspenda os estudos, retirando-se daquele local. Eduque-se para que, sempre que estiver lá com o objetivo de estudar, isso seja feito.

O terceiro aspecto é: planeje! Se você possui diversas atividades para realizar, use um calendário ou uma agenda. É importante programar as tarefas, de modo que você possa pensar em quais são as suas prioridades de estudo. Para eleger as prioridades, leve em consideração a complexidade – isto é, quão trabalhosa a atividade será – e, também, o prazo que você terá para concluí-la. Evite deixar para última hora. Grande parte dos sentimentos de frustração são resultados de atividades que foram realizadas “às pressas”.

Outro erro comum está no desejo de querer realizar a atividade de uma vez. Quando decidimos por essa estratégia, temos de investir mais tempo e, por conta disso, a tarefa acaba sendo mais cansativa. Não queira terminar tudo de uma vez só, fracione! Por exemplo, se você tem uma pesquisa, inicie buscando bibliografia e separando os textos, depois leia os resumos para selecionar quais estão dentro do que você espera para seu trabalho. Inicie as leituras, faça grifos e resumos daquilo que está lendo. Quando tiver que escrever, você terá menos dificuldades. Acredite!

O período dedicado aos estudos não precisa ser um mártir. Você pode fracionar o trabalho, fazendo-o gradativamente ao longo de um período. Além disso, você pode programar atividades prazerosas após períodos de estudos, como se fosse uma espécie de recompensa pelo seu bom desempenho. Sabe aquela série do Netflix ou aquela partida de videogame? Então, é possível coadunar a agendar de maneira que você consiga concluir as demandas escolares e, também, garantir um pouco de prazer e diversão. Afinal de contas, divertir-se é importante.

Durante os estudos, estratégias como grifar, fazer anotações e tantas outras são válidas. Não há um formato melhor, você precisará testar e ver qual deles combina mais com seu estilo. Um método que tem dado resultados bem positivos para leitura de textos, são os grifos e resumos. Acredito que todo mundo já sentiu sono no meio da leitura de um artigo/texto, ou então, a sensação de “não tô entendendo bulhufas” disso que o autor quis dizer.

Ao iniciar a leitura de um texto, veja-o inteiro e avalie se há figuras ou subtítulos. Caso tenha, dê uma boa analisada. Eles já lhe darão informações importantes do assunto que será tratado no texto. Feito isso, inicie a leitura e, no primeiro parágrafo, tente descobrir qual é a ideia central daquilo que está sendo apresentado (o primeiro é sempre um dos mais importantes, normalmente ele apresentará a ideia central do texto). Ao encontrar, grife o trecho. Mas, cuidado! Não se empolgue com o marca texto nas mãos. Não saia grifando tudo. Seja seletivo e destaque apenas o que for, de fato, importante (no começo é bem difícil, mas se esforce, depois passará a ser mais natural)! Feito isso, siga dessa forma a cada parágrafo.

Para cada grifo, tente fazer pequenas anotações. Estas podem ser a sua compreensão do trecho destacado, ou então, o motivo que fez com que você grifasse aquela parte do texto. Importante fazer isso nas figuras existentes, se possível, relacione o texto com aquilo que está sendo mostrado por ela.

Como tudo na vida, no começo é necessário insistir e não desistir. Apesar de ser um pouco trabalhoso, muitas pessoas alcançam bons resultados ao longo do tempo. Inclusive, se for necessário ler novamente um texto em que você fez isso, para provas, por exemplo, você verá que será mais fácil para recordar aquilo que já foi estudado. Normalmente os grifos e as anotações são suficientes.

Por fim, mas não menos importante: estabeleça uma rotina. Nem que seja 1 “horinha” do seu final de semana. Tente programar um horário e vá para o local destinado aos estudos. Evite começar com períodos muito longos. Faça com que os dois primeiros dias sejam de 20 à 30 minutos. Vá aumentando gradativamente, sinta e respeite seu ritmo. Ao concluir, reconheça seu esforço e aceite se sentir bem por ter conseguido. Inclusive, após terminar, se dê de presente uns minutos de ócio ou de diversão.

Este texto também foi publicado em: Educa2

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Alex Valério
CRP: 06/134435

Especializando em Terapia Comportamental pela
Universidade de São Paulo.
Psicólogo pela Universidade Nove de Julho.
Tem experiência com projetos que envolveram
pesquisa básica em análise do comportamento
(desamparo aprendido e comportamento supersticioso),
ações sociais com o público LGBT e pesquisa quantitativa
com familiares de mulheres que estavam encarceradas.
Realiza atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos.
Escreve para o próprio blog e, também, para o Educa2.
Atende em São Paulo (Região Central) e no Grande ABC.
Contato: 
alex@minutoterapia.com
Facebook.com/ominutoterapia

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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