“Fazer psicoterapia pode ser comparado a fazer academia de ginástica?”


Por: Ariana Ribeiro Gomes

“Fazer psicoterapia pode ser comparado a fazer academia de ginástica?”

Reflexões sobre a especificidade do atendimento psicológico

Esta foi uma questão colocada por um amigo.

A princípio, pensei que poderia existir alguma semelhança no que se refere a um movimento de busca por alguma coisa presente tanto em quem procura psicoterapia quanto em quem procura academia.

Coisas como saúde, desenvolvimento de habilidades, resolução de problemas, beleza, estética etc. costumam ser almejadas. Ainda que saibamos que esse algo que se busca, frequentemente, recobre outras questões, muitas vezes, inconscientes.

Mas essa resposta pareceu-me simplória.

Não podemos deixar de considerar que as academias de ginástica (que atualmente oferecem uma diversidade surpreendente de atividades físicas), não são sustentadas exatamente por vivermos em uma sociedade que valoriza a saúde (conceito que merece uma discussão mais consistente).

O crescimento do público das academias relaciona-se com o conceito de beleza construído pela nossa cultura – cada vez mais exigente, diga-se de passagem.

Então, há uma procura por atender um padrão estabelecido, por entrar na norma, por fazer parte de um grupo homogêneo.

Diante disso fica a questão: é ao lado da homogeneização não apenas dos corpos mas também do “jeito de ser” que está a psicologia?

Acreditamos que a psicologia está ao lado do questionamento de padrões, colocando sempre a importância da singularidade e da diversidade. Uma sociedade pode ser acolhedora e justa apenas quando a diferença não é tratada de forma repressiva. E para isso, é preciso dar espaço para a singularidade, para aquilo que é de cada um.

Podemos considerar que fazer academia e psicoterapia são práticas distintas.

Em uma, carregamos o peso de buscarmos ser aquilo que não somos, aquilo que nos é exigido pelo grupo social, aquilo que nos iguala aos outros (não estamos falando da prática de exercícios físicos, mas do seu uso para atingir o corpo da “capa de revista”).

Em outra, podemos dizer que aprendemos a questionar as exigências externas, que abrimos mão dos ideais (inatingíveis) e que passamos a construir um caminho único (sempre amparado pela sociedade em que vivemos, o que inclui suas regras).

Assim, a psicoterapia pode ser considerada uma experiência que se compara mas que não se iguala a nenhuma outra.

Imagem capa: Pinterest

Ariana Ribeiro Gomes
CRP: 05/45263

Psicóloga, Formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ. 
Atende em Rio de Janeiro/RJ.
Observações: Projeto Multiplica Psi, Acompanhante Terapêutica na inclusão escolar de autistas, psicóloga clínica, mestranda em Psicanálise e Políticas Públicas.
Contatos: 
arianaribeiro.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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