A busca por estar no controle nos descontrola


Por: Joscelaine Lima

O que tem dominado as mentes em nosso mundo atual? Parece que é tão difícil ser feliz, nunca estamos satisfeitos, sempre buscamos mais e mais, sem nos satisfazer com o que temos, sem usufruir o que já conquistamos…

Existem muitos que já realizaram sonhos, já conquistaram tanto, porém, não são felizes, têm medo de não conseguir conquistar mais, são levados por pensamentos/sentimentos negativos que não possuem nenhuma evidência de serem/tornarem-se reais.

Chamamos isto de autossabotagem, quando a pessoa sente, muitas vezes inconscientemente, que não merece ser feliz, que não merece o que já tem ou algo que poderá vir a ter. Na maioria dos casos, a pessoa cresceu ouvindo que não merecia, não valia nada, que não aprendia, etc. E muitos sonhos lindos foram destruídos por isto.

É difícil mudar padrões de vida, de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Muitas vezes nos acostumamos com isto porque as pessoas que deveriam passar amor, carinho, segurança, não o fizeram, podem ter ferido, provocado dor, angústia, sentimentos ambivalentes, podem ter exigido demais, não proporcionando um ambiente agradável e seguro de se viver, e crescemos com medo, desconfiados, “armados” contra tudo.

Desta forma, é difícil perceber que podemos sim ser felizes, que não merecemos a dor, que existem pessoas em quem podemos confiar, que desejam o nosso bem, que se aproximam de nós com boas intenções, pois, quem estava próximo na infância, não passou a boa imagem que deveria ter passado.

Aí nos escondemos, escondemos sentimentos, não nos permitimos sentir, ou demonstrar o que sentimos. E, estes sentimentos sufocados vão se acumulando, vai se criando uma bola de neve, aqueles sentimentos jogados para baixo do tapete começam a transbordar na forma de explosões agressivas, pensamentos incontroláveis, síndrome do pânico, depressão, entre outros transtornos psiquiátricos.

As coisas não vão bem, os relacionamentos são frustrantes, o trabalho não traz satisfação, é difícil estar em paz. Quando uma área da vida está sendo gratificante, outra área traz angústia e decepção, não conseguimos fazer com que tudo dê certo, ficamos “aguardando” alguma coisa ruim acontecer porque não podemos acreditar na possibilidade de estar bem, de viver plenamente.

Não estou dizendo que devemos viver uma utopia, uma vida onde tudo dá certo, onde só temos felicidades. Não. Eu estou querendo dizer que existem muitas pessoas que não estão conseguindo vibrar pelas alegrias da vida, comemorar as conquistas, sorrir pelas vitórias porque vivem com medo, medo que da próxima vez não dê certo, medo de que tudo o que possuem se acabe, medo de ser feliz!

E este medo não permite viver, não permite ver o lado positivo das coisas, não nos deixa aprender com as experiências negativas. Rouba a energia, tira a motivação, a vitalidade e a alegria. O medo excessivo aprisiona, faz as pessoas reféns do próprio pensamento, atormenta, rouba a vontade de lutar, enfrentar desafios e correr atrás dos sonhos.

O primeiro passo para libertar-se deste medo é admitir que ele existe. Enquanto a negação estiver presente não é possível superar, enquanto estamos com dificuldade em perceber que há algo mais forte que nós dominando nossos pensamentos e emoções, não nos daremos conta de que precisamos de ajuda e que devemos lutar!

A partir do momento que percebemos, que abrimos nossa mente para a realidade, notamos que estávamos deixando a vida correr por entre os dedos, na avidez por a segurarmos. Observamos que perdemos tempo fingindo uma perfeição irreal, uma falsa harmonia e compreendemos que precisamos mudar antes que seja tarde.

Nesse momento soltamos as amarras, nos libertamos de velhas tradições, de antigas formas de viver que não nos faziam bem. Livramo-nos da rigidez mental, que não nos deixava ver o novo e as oportunidades que temos de ser felizes. Percebemos que os pensamentos negativos só tomaram conta porque permitimos, e passamos a viver de verdade, a aproveitar cada momento, a sentir as coisas boas da vida.

Isto é libertador! Quando nos damos conta que não temos superpoderes, e que não dependemos disto para sermos felizes, a magia da vida acontece! Começamos de novo mesmo que doa, abrimos aquela ferida mal fechada para que possamos lançar um bálsamo curador nela, pois sabemos que, a verdade pode até doer, mas é necessária e maravilhosa, e só a olhando de frente, admitindo nossas fraquezas, buscando a ajuda certa, é que seremos verdadeiramente livres, felizes e realizados!

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Joscelaine Lima
CRP: 12/14672

Psicóloga clínica, formada pela Universidade 
do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015.
Atende em São Miguel do Oeste-SC.
Contatos:
Facebook.com/JoscelainePsicologia
Whatsapp: (49) 992028970

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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