Felicidade: a distância entre o desejo e a realização


Por: Renata de Souza da Silva Rodrigues

Outro dia em minhas leituras me deparei com a seguinte frase: “Caso se construísse a casa da felicidade, seu maior cômodo seria a sala de espera” (Jules Renard, 1893) e fiquei pensando sobre a ideia que tal frase traz. O que me veio de imediato foi que a sala de espera é o lugar em que aguardamos algo acontecer passivamente, na maioria das vezes algo que não depende de nós, ou seja, estamos à disposição de alguém para realizar algo que precisamos ou queremos na hora em que este alguém se dispuser ou puder nos atender. Outra constatação que me sobressaltou foi a de que, em muitas situações, de fato, ficamos na sala de espera da felicidade, aguardando pacientemente que ela venha até nós. Como se nossa felicidade dependesse de outra pessoa e não de nós.

Na busca pela felicidade, vez por outra, nos perdemos no caminho e não sabemos mais se vale a pena ir atrás dela. O desejo de ser feliz é constante em nossas vidas, mas será que que estamos aptos a passar do desejo para a realização da nossa felicidade? Será que queremos verdadeiramente deixar de desejar para realizar? Realizar o desejo pode dar muito trabalho, exigir muitas horas de empenho, muito estudo e avaliação, noites de sono perdidas, enfim, dedicação! Enquanto o desejar sem realizar pode ser mais fácil, pois inclui somente o fantasiar, pensar em como seria se alcançasse tal realização. Talvez esse seja o motivo pelo qual, muitas vezes, preferimos a sala de espera, afinal, esperar não dá trabalho, não exige dedicação. Esperar nos deixa abertos para fantasiar o que nossa mente quiser. Por outro lado, levantar da sala de espera e sair para realizar o que desejamos, abre nossos olhos para a realidade, faz com que nossas fantasias caiam e o mundo real apareça.

Pensar na possibilidade de tentar e não conseguir, de se frustrar, de fracassar ou de não ser capaz das realizações que se deseja, por vezes, nos faz desistir e ficarmos parados. Precisamos então perguntar a nós mesmo até quando ficaremos na sala de espera por medo do que pode acontecer? Até quando o futuro terá poder sobre nossas realizações se é o presente que está conosco agora? Dar errado é apenas uma das possibilidades que podem acontecer, mas nossos olhos devem estar voltados para o agora, para o presente, onde, de fato e de verdade as coisas estão acontecendo. Se nossos olhos estiverem sempre no futuro, no que ainda não aconteceu e nem sabemos se acontecerá, deixaremos de viver e nos habituaremos as suposições que nos paralisarão. É necessário tentar para saber o que nos espera e para conhecer de verdade do que somos capazes.

E se não der certo? Tenta de novo! Algo que não deu certo não é o fim. Talvez seja um sinal de que precisamos ir para a biblioteca da casa da felicidade, ficar no silêncio, pensar no que deu errado, refletir novas formas, novos planos ou simplesmente estudar um pouco mais, para então tentar novamente. Não fique na sala de espera da casa da felicidade eternamente, aguardando passivamente sua chegada. Acredite, ela não virá até você sozinha, é essencial que você se levante e vá até ela. Tenha certeza de que é possível ser feliz! A distância entre o desejo e a realização da sua felicidade só depende de você. Se para você desejar é mais fácil do que realizar e não sabe por onde começar, busque auxílio, um psicólogo pode ajudar a definir o caminho a seguir. Afinal traçar o caminho para se chegar a qualquer lugar é imprescindível para alcançar o ponto de chegada.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Renata de Souza da Silva Rodrigues
CRP 05/48142

Psicóloga, graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro / UERJ.
Atende no Rio de Janeiro oferecendo atendimento clínico e
orientação profissional para adolescentes, jovens e adultos.
Uma das idealizadoras da Fanpage e Projeto Multiplica Psi.
Contatos:
E-mail: renata.rodrigues.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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