O “pré-conceito” e o bullying na sociedade e adolescência


Por: Joscelaine Lima

Estive refletindo acerca deste assunto nos últimos dias. Parece que estamos nos tornando cada vez mais vazios, egoístas, centrados em nós mesmos, na nossa zona de conforto e não somos capazes de ver a dor do nosso próximo. Têm se criado muitos paradigmas e preconceitos advindos da mídia social.

A consideração e o respeito pelo próximo tem se perdido, a empatia já não existe, o colocar-se no lugar do outro, perceber a dor do outro, ajudar, valorizar o outro pelo simples fato de ser humano tem se perdido cada vez mais.

No passado haviam os grupos sociais e etnias que eram menosprezados, excluídos e, em muitas ocasiões houve a tentativa de banir os considerados diferentes, escórias da sociedade. Hoje, com a implantação das leis dos Direitos Humanos isto não acontece – de forma assumida como antes – mas, seríamos hipócritas se afirmássemos que o problema foi resolvido e que a exclusão em massa não existe, pois ela existe, só que de maneira disfarçada, dissimulada, camuflada.

Não somos melhores que nossos ancestrais que escravizavam o povo africano, os considerando como sub-humanos, ou do que os que lutavam ao lado de Hitler pela exterminação do povo Judeu. Hoje seguimos o que a mídia nos impõe e excluímos os “inadequados”, pois temos medo de nos tornar como eles.

Atualmente os diferentes têm sido excluídos quando uma pessoa com sobrepeso não encontra uma roupa que se adeque a ela, quando valorizamos mais alguns pelo poder aquisitivo, posição e status social, quando julgamos o outro por sua aparência, quando nos sentimos superiores a alguém seja pela capacidade intelectual, pelo trabalho desempenhado, pela aparência física, etc.

O bullying sempre existiu, mas hoje, com as tecnologias, ele está pior e mais cruel, ultrapassando os limites da escola e do trabalho, inserindo-se cada vez mais no cotidiano das pessoas com a ajuda da tecnologia e das redes sociais. Daí surgiu o cyberbullying, que é o bullying pela internet.

Quem mais sofre e pratica bullying são os adolescentes, que estão em fase de descobertas, formando seus grupos sociais e são muito ligados às tecnologias. Então, as diferenças podem começar a ficar em evidência, quando alguns crescem demais outros menos, quando alguém tem um comportamento diferente, quando não segue a maioria.

Os que obedecem os pais e/ou gostam de estudar são chamados de “careta”, “nerd”, como se isto fosse estranho. As adolescentes então ficam perdidas, sem saber como agir, pois, se não beijam alguns meninos e não tem relação sexual até uma certa idade (conforme a maioria das colegas), são discriminadas e, se ultrapassam um pouco do que as colegas fazem, já são tachadas de vadias, promíscuas e consideradas como má companhia, indiferente de ter uma mudança de atitude após o ocorrido.

As pessoas caçoam das outras sem pensar nas consequências, sem refletir sobre o que este ato pode causar na vida do outro, nas feridas que pode deixar, na vida que pode ser destruída por não sentir-se um ser de valor, por ter sido tão desvalorizado e incompreendido pelos pares.

A adolescência é uma fase de construção de identidade, muito importante no desenvolvimento, é onde a pessoa passa a se afirmar, formar seu eu, também é uma fase onde as emoções estão mais afloradas, tudo é muito intenso. Então, as críticas causam maior prejuízo, atingem profundamente, deixando marcas. Além disto, na adolescência as referências deixam de ser tanto os pais e passam a serem os pares, portanto, quando estes excluem, desvalorizam, isso afeta muito, perturba, inquieta, e pode levar a graves consequências.

E esta questão não envolve apenas “agressores” de um lado e “vítimas” no oposto. Não. As vítimas podem estar dos dois lados e os agressores também. O agressor na escola/trabalho pode ser aquele que é vítima em casa, pode ter crescido ouvindo críticas, tendo a necessidade de ser bom/perfeito em tudo, e acaba projetando isto em seus colegas. A vítima na escola/trabalho pode ser agressor também, tanto neste mesmo ambiente, sendo cruel com alguém que considera mais “fraco”, ou em casa e demais ambientes, numa tentativa, muitas vezes inconsciente, de se “vingar” de seus agressores.

Este fato nos mostra que realmente a violência só produz violência, e que a forma como a sociedade se organiza precisa mudar. O preconceito precisa parar. Não devemos ter respeito pelas pessoas apenas pelo que elas são ou fazem, mas, devemos ter respeito pelo simples fato de serem humanos! Todos temos qualidades e defeitos, e se aceitarmos apenas o perfeito, não aceitaremos ninguém e nos decepcionaremos muito!

Não se quebra o preconceito dizendo às crianças que devem respeitar a pessoa com deficiência, a pessoa negra, a pessoa diferente. O preconceito para quando dizemos às crianças que devem respeitar o humano! Pois as diferenças existem, são necessárias e sempre existirão. Diferença de gênero, de etnia, de gostos, de opiniões, de pensamentos, de prioridades, etc., e são maravilhosas, pois nos tornam únicos, singulares e incomparáveis. Então, vamos respeitar a Humanidade!

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Joscelaine Lima
CRP: 12/14672

Psicóloga clínica, formada pela Universidade 
do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015.
Atende em São Miguel do Oeste-SC.
Contatos:
Facebook.com/JoscelainePsicologia
Whatsapp: (49) 992028970

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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