Autoestima e Motivação Bullying Coluna Amanda Santos de Oliveira

As influências dos rótulos na construção de uma autoimagem

A maneira como o indivíduo se vê em relação ao mundo serve como uma bússola para todos os seus comportamentos durante a vida.

Por: Amanda Santos de Oliveira

A partir do momento em que nascemos, somos inundados de rótulos. Desde uma concepção de gênero até previsões de nossa personalidade que não está nem formada ainda. Começamos a ouvir com quem nos parecemos ou como nos portamos e o que seremos quando crescer, sem nem termos tempo de pensar por conta própria em quem somos.

A construção de nossa identidade não acontece assim que nascemos, mas em um processo complexo que perdura por alguns anos em nossa infância e adolescência. No entanto, o contexto social muitas vezes faz com que essa construção seja guiada e menos natural do que deveria. Além dessa interferência na construção de nossa identidade, as consequências podem ser sentidas em nossa autoimagem e autoestima, como veremos abaixo.

Construção da Autoestima

Segundo Schultheisz e Aprile (2013)[1], a construção de uma autoestima está relacionada à identificação que cada indivíduo estabelece com o mundo exterior. Apenas em um segundo momento de nossa existência é que o mundo exterior se torna distinguível e podemos expandir nosso mundo interior para algo exterior. Ainda, para os autores, a importância do papel familiar na visão e/ou aceitação que o indivíduo tem de si e dos sentimentos autonutridos. A relação que a família tem com uma criança construirá a maneira como esse indivíduo se sente em relação a si próprio, sua autoconfiança e a maneira como cada um gosta de si mesmo.

Assim que estabelecida, a autoestima se evidencia nas respostas dadas pelos indivíduos frente a diferentes situações e eventos na vida. Isso porque, conforme Schultheisz e Aprile (2013), a autoestima se relaciona ao quanto há satisfação do sujeito em relação às situações vividas. Se seu olhar frente a tais situações é positivo, geralmente haverá mais confiança e valor pessoal envolvido.

Autoestima versus Autoimagem

Apesar da proximidade destes conceitos, tais definições apresentam diferenças significativas. No caso da autoimagem, segundo os autores, a maneira como o indivíduo se vê em relação ao mundo serve como uma bússola para todos os seus comportamentos durante a vida.

No entanto, esta pode ser mais uma fonte de ansiedade. Isso porque, assim como discutem Schultheisz e Aprile (2013), pode existir uma divergência entre a imagem que o indivíduo tem de si e aquela expressa em sua realidade. Nestes casos, pode acontecer uma negação da realidade externa para que seja possível a manutenção da autoimagem ou ainda, uma aceitação de evidências externas, reformulando-se sua percepção sobre si.

Por fim, a autoimagem passa a ser uma forma como o indivíduo se vê, apreendendo as informações fornecidas pelo seu meio, às imposições ao seu comportamento, sua aparência física e sua produção cognitiva. Para Schultheisz e Aprile (2013), a autoimagem tem função adaptativa e reguladora, incorporando memórias episódicas e semânticas, traços e valores concorrentes para a manutenção/estabilidade do self. Dessa forma, se torna possível fazer projeções para suas vidas e se autoavaliarem, planejando e avaliando o desempenho de seus papéis durante as diversas situações vividas.

Estigmas Sociais e a Construção da Identidade

Conforme apresenta Felicíssimo et. al (2013)[2], o processo de estigmatização se refere a desvalorização, perda de status e consequente discriminação de um indivíduo desencadeada pela atribuição de estereótipos negativos que podem ter base em características físicas e pessoais, consideradas socialmente inaceitáveis.

Segundo os autores, entre as diversas consequências negativas para os indivíduos estigmatizados, apresentam-se a internalização do estigma e, consequentemente, aplicação de estereótipos negativos a si próprio. A partir daí, criam-se consequências negativas irreparáveis ao indivíduo, sendo elas a perda da identidade, restrição das oportunidades de vida, impacto negativo em aspectos psicossociais (funcionamento social, esperança, autoeficácia, autoestima), dentre outros. Ainda, em estudos realizados por Felicíssimo et. al (2013), entre as diversas características psicossociais encontradas em indivíduos com estigmas internalizados, encontra-se a depressão como mais presente, uma vez que os sintomas depressivos tornam os indivíduos mais vulneráveis à baixa autoestima e à própria internalização do estigma.

Quais rótulos temos multiplicado?

A partir dos dados apresentados acima, torna-se perceptível a nossa responsabilidade frente aos rótulos que temos multiplicado em nossas relações interpessoais. Nossas palavras, principalmente aquelas que atribuem valor negativo e de julgamento, influenciam de forma significativa a forma como as pessoas percebem o mundo e a si mesmas.

Se você vasculhar a sua memória, poderá facilmente identificar comentários, apelidos ou frases que marcaram sua percepção sobre você mesmo, de forma negativa ou positiva. Mas, apesar das cicatrizes de um relacionamento descuidado que todos nós possuímos, nem sempre temos atenção àquilo que falamos ou na forma como agimos com aqueles que estão ao nosso redor. Dessa forma, acabamos por repetir um comportamento violento que aprendemos ainda pequenos: julgar uns aos outros a partir de uma única visão de mundo.

Cabe a nós dar o primeiro passo. Mudando a forma de ver os outros, trazendo mais empatia em nossas falas e na nossa forma de educar nossas crianças. Que tal olhar para outro e ampliar sua visão para além de suas falhas? Acredito que todos nós gostaríamos de ser tratados com esse mesmo respeito.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira 
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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