A sensibilidade necessária diante do câncer


Por: Renata de Souza da Silva Rodrigues

Neste mês comemoramos o Outubro Rosa, destinado à ações com foco na prevenção e nos cuidados que se deve ter em relação ao câncer de mama. O objetivo destas ações é de promover a conscientização e a divulgação de informações reais e verdadeiras sobre este tipo de câncer. Alguns podem pensar que é uma ação pequena para o tanto de pessoas que precisam ser alcançadas por tais informações, mas proporcionar o acesso da população em geral, mesmo que seja uma pequena parte já é um grande avanço. É essencial que se discuta sobre o tema, porque mesmo com todos os dados que são publicados, muitas pessoas ainda acreditam, por exemplo, que somente as mulheres podem ter o câncer de mama e muitos ainda acreditam que se foram diagnosticados com câncer “morrerão vivendo”, portanto, um luto antecipatório que os leva a morrer ainda em vida.

Contudo, não quero discorrer sobre o câncer de mama, nem sobre a prevenção e nem sobre como alguém que recebeu este diagnóstico deve agir, quero aproveitar a abertura que o mês nos oferece para falar aos que cuidam e/ou convivem com alguém que foi diagnosticado com câncer. Em primeiro lugar, é muito importante que se tenha o apoio dos familiares e dos amigos, a luta contra a doença não deve ser solitária. Entretanto, gostaria de chamar a atenção para a importância da sensibilidade que é necessária ao lidar com um paciente com câncer. Sabemos que é difícil lidar com a dor e que, às vezes, não se tem noção do que falar no momento de sofrimento do outro, mas tenha a certeza de que nem sempre é necessário que se fale algo.

Estamos acostumados a falar e não saber o que falar nos incomoda. Somos ensinados a dizer o que pensamos e a expressar nossos sentimentos verbalmente, mesmo aqueles que não precisam ser ditos para ser demonstrados (tristeza, solidariedade, empatia, amor, por exemplo). Diante de alguém numa situação de câncer tentamos, então, verbalizar o não verbalizável. Usamos frases motivacionais como “tudo vai ficar bem”, “eu conheço alguém que teve câncer, ficou bem e viveu muitos anos”, são declarações que não ajudam muito e ainda podem ajudar a aumentar a ansiedade do paciente ou pior, dar a ideia de que a gravidade da doença, de sua dor e medo estão sendo menosprezadas.

Ações como segurar as mãos, ouvir deixando que o outro desabafe, oferecer ajuda e companhia, estar presente, mesmo sem falar sobre o câncer, são formas de demonstrar ao outro o seu apoio, mas cuidado para não passar por cima da paciente anulando sua capacidade de agir por si próprio nas atividades cotidianas. Se não souber o que dizer, se as palavras se perderem nas lágrimas ou ficarem presas em um nó na garganta, lembre-se, estar presente, não abandonar e demonstrar como a pessoa é especial para você é o suficiente. No caso de ter se tornado difícil ficar junto ao paciente por não saber lidar com a dor dele, busque ajuda, alguém que possa te ouvir, não é egoísmo cuidar de si mesmo, é necessário que se esteja bem para poder ajudar ao outro.

Imagem capa: stocksnap.io

Colunista:

Renata de Souza da Silva Rodrigues
CRP 05/48142

Psicóloga, graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro / UERJ.
Atende no Rio de Janeiro oferecendo atendimento clínico e
orientação profissional para adolescentes, jovens e adultos.
Uma das idealizadoras da Fanpage e Projeto Multiplica Psi.
Contatos:
E-mail: renata.rodrigues.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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