Como andam seus relacionamentos?


Por: Renata de Souza da Silva Rodrigues

O desejo do ser humano de se relacionar com seus semelhantes é inerente à sua natureza, desde a infância necessitamos desse contato como modo de sermos cuidados e de sobrevivermos. Na adolescência essa vontade se intensifica e precisamos formar grupos ou tribos com as quais nos identificamos, definindo nossa identidade e iniciando os primeiros contatos com o par romântico. Entretanto, na fase adulta com as cobranças e responsabilidades do trabalho e da correria para dar conta de tudo que recai sobre nós, muitas vezes nos esquecemos da importância de manter o relacionamento com os familiares, os amigos e o par romântico.

Cada vez mais constatamos que o mundo está acelerado e a lógica dos nossos dias tem sido a de que tudo é substituível e de que nem mesmo as relações são definitivas. Entretanto, o próprio significado de “relacionamento” contradiz essa lógica, nos trazendo três definições, nas quais podemos notar palavras como “ligação” e “convívio”, que em si nos dão a ideia de união e de contato diário: “1. Ação ou efeito de relacionar (-se), de estabelecer ligações de amizade, profissionais, etc.; 2. Maneira de convívio com seus semelhantes; 3. Ligação amorosa.”

Um dos maiores problemas vividos nas relações é o individualismo, que afeta a visão de relacionamento, inserindo a postura egoísta e fixa de que o “eu” vale mais que o “nós”. Só fazer o que me dá prazer, não fazer nada para ajudar o outro, ter opiniões definidas e definitivas sem possibilidade de conversa para que haja mudança, saber que o outro está ferido com minha postura e mesmo assim a manter, são comportamentos individualistas. Contudo, não podemos confundi-lo com a individualidade, que deve continuar existindo numa relação, pois cada um tem sua forma de ver a vida, suas características próprias e os momentos em que precisa interagir com outras pessoas além de seu par amoroso. Deve ser respeitada e cultivada, mas sem ferir o outro, a partir do momento que fere o outro se torna individualismo e, para que não se mantenha, deve haver a conversa e o acordo do que poderá ser feito para mediar a situação.

O individualismo é um reflexo dos dias corridos que vivemos para dar conta de todas as nossas obrigações, como se tivéssemos tempo apenas para elas. Precisamos parar e refletir sobre o que estamos fazendo de nós mesmos. Como temos vivido nossos dias? Que tipo de relacionamentos temos vivido com quem está próximo a nós? Bauman (2004) em sua obra “Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos” fala sobre o relacionamento solúvel, volátil, com duração incerta e conforme a satisfação de cada um, assim, não existe o acordo para continuar a relação, não existe o abrir mão de algo para que o outro possa também se satisfazer. Esses relacionamentos são vivenciados como uma troca de objetos, os laços destas relações são frágeis e a qualquer momento podem quebrar. O desejo de pertencimento permanece sendo almejado, mas nos dias atuais, o que vivenciamos é o desejo de pertencer e ao mesmo tempo voar para outros lugares, para outras relações. O que o outro tem parece sempre ser melhor do que o que possuímos.

Precisamos repensar a lógica das relações que vivemos e avaliar o que temos feito daqueles que se relacionam conosco. Temos, de fato, vivido um relacionamento ou temos tratado nossos relacionamentos como objetos, os quais deixamos de lado no momento em que não precisamos mais e pegamos outro? Como andam seus relacionamentos? Tem sido relacionamentos verdadeiros ou líquidos, escorrendo pelas suas mãos? Refiro-me aqui a qualquer tipo de relacionamento (familiar, amizade ou amoroso). Pense e reveja o que é necessário mudar, converse com as pessoas com quem você se relaciona e ouça o que pode ser feito para melhorar suas relações.

Referências Bibliográficas:

BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

BECHARA, E. Relacionamento. Minidicionário da língua portuguesa Evanildo Bechara. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2009, p.768.

Imagem capa: stocksnap.io

Colunista:

Renata de Souza da Silva Rodrigues
CRP 05/48142

Psicóloga, graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro / UERJ.
Atende no Rio de Janeiro oferecendo atendimento clínico e
orientação profissional para adolescentes, jovens e adultos.
Uma das idealizadoras da Fanpage e Projeto Multiplica Psi.
Contatos:
E-mail: renata.rodrigues.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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