A CRISE DO SENTIDO – O que significa o vazio existencial em que vivemos?


Por: Jackeline Leal

A Busca pelo sentido pelo homem é a principal motivação de sua vida e não uma “racionalização secundária” de impulsos instintivos. Esse sentido é único e específico, uma vez que tem de ser, ou só pode ser, tornado real por ele; só então o sentido adquire importância que satisfará sua vontade de sentido.

Viktor Frankl, Em busca de sentido.

“Segunda-feira pela manhã, ele ou ela (a gosto do freguês), acorda apressado depois do terceiro toque da soneca do celular. O banho é rápido, o companheiro corre com os filhos para que não percam o horário da aula e você sai correndo de casa com uma fruta na mão para uma reunião da qual não pode se atrasar. Durante o dia uma grande correria, um almoço dentro da sala do escritório e uma olhada rápida para responder às mensagens no Facebook e Whatsapp. Na hora da saída acaba se atrasando e chegando em casa por volta das 21h (isso tem se tornado frequente, pois o mercado não está para brincadeira, quem dá mole tem perdido o emprego e ele não pode se dar a esse luxo). Seus filhos dormem. O jantar está em um prato guardado no micro-ondas. Em casa à noite não se tem muito diálogo; compreensível… mais um dia cansativo no trabalho. No final de semana compensamos.”

Hum Hum… Alguma coisa parece não estar bem… Esperaria que poucas pessoas se identificassem com alguma parte deste texto, mas sinto que não.

Este contexto acima é citado como rotina considerada “normal” para muitas pessoas. E quando é perguntado para elas o sentimento que vem à cabeça ou ao coração no final do dia, muitas relatam “não entender ao certo, apenas sentem um grande vazio, como se tivessem feito muito, mas ao mesmo tempo não feito nada”.

A nossa rotina não mudou muito da rotina das gerações passadas. Nossos pais e avós também precisavam trabalhar muito para adquirir uma boa situação de vida, dar Educação e Saúde para a família. Não era assim? Se tudo era igual, o que nos diferencia do passado?

Nos tempos modernos, perdemos uma coisa que considero muito séria, nós perdemos as nossas “certezas da vida”, e quando isso acontece, segundo Donah Zohar e Ian Marshall no livro Inteligência Espiritual, sobram-nos problemas existenciais ou espirituais e a necessidade de cultivar algum tipo de inteligência para que possamos lidar com eles.

Isso significa que apenas ter um alto QI ou Inteligência Racional, não é mais suficiente para compreendermos a vida, pois as razões que procuramos não são racionais e tão pouco emocionais.

Não é mais suficiente viver felicidades efêmeras que vão e vêm. O homem inicia uma nova jornada pessoal onde se torna necessário questionar o próprio contexto e a maneira como se vive em busca de algo “a mais”.

Para este algo “a mais” damos o nome de SENTIDO. Muitos vivem esta busca desde a infância, seja nas religiões, seja nos grupos sociais, de amigos, seja no trabalho.

A era moderna é caracterizada por um vazio representado claramente na desagregação familiar, na comunidade e na religião, pela ausência ou perda de heróis, e povoada por gente em busca de algum sentido em tudo isso.

Vivemos uma época, segundo Donah Zohar e Ian Marshall, onde não existem indicadores claros, regras claras, valores claros, nenhuma forma clara de crescer, nenhuma visão clara de responsabilidade.

A tecnologia, aos poucos, tomou espaço da cultura tradicional com seus valores sólidos e deu espaço à chamada modernidade líquida, onde vivenciamos apenas o imediato, o tátil e o pragmático. Os dias vêm e vão, e nós roboticamente continuamos vivendo, sem muitos porquês.

Acontece que nos tornamos cegos dentro da nossa própria maneira de ver.

Pense nisso!

Imagem capa: Stocksnap.io

Jackeline Leal
CRP 16/1585

Psicóloga Clínica, Pós Graduanda em Psicodrama pelo IDH/RS, 
Formada pela FAESA/ES, atende em Vitória/ES.
Jackeline também é Coach de Carreira e Negócios e conta com 
mais de 10 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas.
Contatos:
E-mail: contato@jackelineleal.com.br 

Facebook.com/jacklealpsicoach
www.jackelineleal.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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