Inclusão Social: Pessoas com deficiência e suas relações interpessoais


Por: Felipe Salviano Ramos

A pessoa com deficiência por muitos anos foi considerada como incapaz de realizar atividades, considerada como diferente e dessa forma excluída da sociedade. Nos dias atuais essa exclusão ainda acontece, portanto o profissional da Psicologia pode contribuir para reduzir os impactos dessa segregação, levando informações à sociedade e preparando a pessoa com deficiência para ingressar nesse meio.

A relação da sociedade com as pessoas com deficiência tem mudado com o passar dos tempos, tanto no sentido filosófico, como na prática e atitudes vem se modificando e construindo outro olhar e prática para com as pessoas com deficiência (ARANHA, 2001).
Segundo Aranha (2001), desde a antiguidade percebe-se que a sociedade possuía uma relação desumana com as pessoas com deficiência. Na Esparta, eram chamados de fracos, defeituosos, imaturos, descartados da sociedade ainda bebês, jogados em esgotos, como se não tivessem utilidade alguma para a população. Na idade antiga, a pessoa com deficiência, não tinha importância, já que sua exterminação não afetava a ética e a moral. Por muito tempo, as pessoas com deficiência eram vistas como “defeituosas”, e até na reforma protestante como “demoníacas”, principalmente as pessoas com deficiência intelectual eram vistas assim, consideradas como rejeitadas por Deus.
Surgiram, então, os hospitais psiquiátricos para “tratamento” das pessoas com deficiência, que na realidade eram mais no formato de prisões, em que essas pessoas eram totalmente separadas da sociedade e tratadas de maneira desumana. (ARANHA, 2001).

Com o passar do tempo, as pessoas com deficiência continuaram sendo discriminadas. Principalmente por falta de conhecimento da sociedade, que considerava as deficiências como algo “crônico”, onde as pessoas com cegas e surdas eram estereotipadas como “deficientes mentais”. Além disso, as pessoas com deficiência física foram e são consideradas incapazes, sem direitos, indefesos e são deixados em segundo plano (MACIEL, 2000).
É possível perceber na fala do autor, Maciel (2000), que as pessoas com deficiência tinham menos direitos que nos dias atuais, como por exemplo, na saúde, em que os locais eram pequenos, sem infra-estrutura, as terapias e psicoterapias ofereciam poucas vagas para a grande demanda, sem falar das filas enormes para que eles tivessem seus direitos atendidos.
O autor ainda acrescenta que na área social os programas voltados para as pessoas com alguma deficiência são, em geral, os que possuem menos verbas, não existindo trabalho efetivo junto à comunidade mais carente, além dos grupos de atendimento e orientação se encontrarem superlotados. No mercado de trabalho, pessoas com deficiência, eram as últimas a serem contratados, ou o primeiro a ser demitido, e além de poucos serem absorvidos pelo mercado de trabalho, o salário era menor do que de seus colegas, realidade essa que ainda permanece nos dias atuais. Na área da educação não podia ser diferente, com professores não preparados para tal, falta de recurso técnico-pedagógicos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, em que a questão da inclusão social nas escolas mostra-se eficiente apenas no papel (MACIEL, 2000).

Até o presente momento há uma falta de informação, algumas famílias superprotegem seus filhos, muitas vezes por medo da inclusão deles na sociedade, medo de sofrer seja na escola, no trabalho, nas relações interpessoais e vale ressaltar que mesmo diante de certas limitações, as pessoas com deficiência têm todos os direitos como cidadãs.

Referências:

ARANHA, Maria Salete Fábio, Paradigmas da relação da sociedade com as pessoas com deficiência, Revista do Ministério Público do Trabalho, 2001. (Devotuporanga)

MACIEL, Maria Regina Cazzaniga. Portadores de deficiência: a questão da inclusão social. São Paulo em perspectiva, v. 14, n. 2, p. 51-56, 2000. (scielo)

Imagem capa: Stocksnap.io

Felipe Salviano Ramos
CRP 11/11087

Formado pela Faculdade Santa Maria – FSM (Cajazeiras/PB).
Especialista em Saúde Mental pela
Faculdade São Francisco da Paraíba – FASP (Cajazeiras/PB).
Especializando em Educação em Direitos Humanos
pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (Juazeiro/BA).
Atua como Psicólogo em Centro de Referência da
Assistência Social – CRAS (Juazeiro do Norte/CE). 
Contato:
felipepsico16@gmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


Gostou deste conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!
Cadastre-se também na opção “Seguir Psicologia Acessível”e receba os posts em seu e-mail!


PNG - ONLINE IMAGE EDITOR - Copia.png

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

 

2 comentários em “Inclusão Social: Pessoas com deficiência e suas relações interpessoais”

Deixe um comentário (seu e-mail não será publicado)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s