Coluna Maicy Rodrigues Araújo Transtorno do Pânico

E o teu medo de ter medo

O pânico afeta todas as áreas da vida. Sem tratamento, o medo se torna incontrolável.

Por: Maicy Rodrigues Araújo

Medo. Todos nós sentimos em algum momento da vida, o que é totalmente normal. O medo é o gatilho que dispara as sensações para o nosso cérebro de que o nosso corpo está em alerta. O cérebro, por sua vez, passa a liberar compostos químicos que aumentam a frequência cardíaca, deixam a respiração acelerada e energiza os músculos, deixando-nos angustiados e inquietos. As pupilas se dilatam, o sangue é enviado em sua maioria para os músculos maiores, o que nos deixa com pouco sangue na pele, causando calafrios. Esse tsunami de reações é o nosso corpo se preparando pra enfrentar uma batalha.

O medo está no nosso código genético e faz parte do instituto humano. Serve para nos alertar de situações possivelmente perigosas ou arriscadas. Desde pequenos, somos expostos a situações que nos causam insegurança… A separação da mãe, quando ela tem que voltar a trabalhar. O medo do escuro, quando já sabemos que existe o claro. Medo do abandono, medo de nossos pais descobrirem alguma arte que aprontamos. E o medo vai evoluindo na medida que vamos crescendo e nos desenvolvendo, se tornando mais complexo.

A forma como somos criados, as pessoas que nos cercam e como lidamos com as situações do cotidiano vão ajudando a moldar nosso “eu”. E você, como aprendeu a lidar com o medo?

Para muitas pessoas, sentir medo é algo natural. E deveria ser mesmo. Até por volta de 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria publicou oficialmente o nome de uma “nova” doença: Síndrome do Pânico.

O medo passa a ter uma conotação diferente. Todas as sensações descritas acimas podem aparecer a qualquer momento, estando você ou não em situação de perigo. Em 99% das vezes, você está seguro. Isso mesmo. Segurinho da Silva.
Mas morre de medo. Medo de quê mesmo? Dificilmente você saberá responder. Só sabe que sente medo, e muito. E como o corpo começa a apresentar os sintomas de que algo ruim está prestes a acontecer, é exatamente aí que se inicia a crise de pânico. E ai de quem diga que você não tem nada. “Como assim moço? Eu estou morrendo!”

A sensação de morte é incrivelmente real. Sentir que se está tendo um ataque cardíaco, não conseguir mais respirar, as pernas travarem… são situações comuns ao tentar se descrever o que se sente.

E aí corre pro hospital, faz uma bateria de exames. E você não tem “nada”. E como se explica isso?

Se você já passou por um médico e fez todos os exames possíveis para descartar qualquer doença física, eu tenho que te dizer: provavelmente você teve crise de pânico e precisa de ajuda. E isso não precisa ser um bicho de sete cabeças! É um transtorno, podemos dizer que é uma “doença” como outra qualquer.

Os sentimentos encontram-se confusos e o cérebro não funciona como antes. Quando a gente sente dor de cabeça, precisa tomar remédio pra passar, certo? E quando a gente tem síndrome do pânico? Precisa de tratamento médico e terapêutico. E da nossa força de vontade!

As crises de pânico não tem hora nem local pra acontecer. Isso faz com que o indivíduo que teve uma crise passe o tempo todo temendo uma nova. É o medo de ter medo. E a gente não percebe que dessa forma, estamos nós mesmos preparando todo o ambiente para o pânico se instalar.

E aí a vida começa a ficar muito complicada. O pânico afeta todas as áreas da vida. Sem tratamento, o medo se torna incontrolável. Aí vem o medo de sair de casa, o medo de ir trabalhar, medo de viver. E a pessoa paralisa sua vida. Não consegue mais sair de casa, não tem mais perspectiva de nada. O que muitas vezes a leva a evoluir para uma depressão.

A palavra “desamparo” é muito dita por quem tem pânico. No dicionário, desamparo é o estado de quem se encontra abandonado, privado de ajuda material e/ou moral.

E gente, faz todo sentido. Os meus pacientes sempre dizem que não podem ir a tal lugar sem alguém, porque como farão caso se sentirem mal? Quem os vai amparar? Quem vai cuidar deles, caso sintam qualquer coisa? E aí entra a “bengala”. A maioria das pessoas com pânico precisa de alguém pra acompanhá-la, isso a faz sentir mais segurança, pois mesmo com medo de uma possível crise, sabe que terá apoio.

Eu mesma já senti isso várias vezes.
E me preocupa tanto perceber que o pensamento negativo tem uma força absurda nesse momento. Ele fica te dizendo que você não vai conseguir, que não tem coragem, que vai te vencer. Mas ei, O MEDO NÃO VAI TE VENCER!! Diz isso pra ti mesmo hoje, agora, em voz alta. Por mais maluco que possa parecer. Nós somos mais fortes que os nossos medos.

Os medos são criação da nossa cabeça. E quem manda na nossa cabeça? Isso mesmo, nós mesmos. Não, eu não estou dizendo que é fácil. É difícil pra caramba. Eu estou dizendo que é possível!

Então medo, me faça um favor? Pegue seu banquinho e saia de mansinho, que hoje eu vou levar minha coragem pra passear. Vamos todos?

*Sempre busque a ajuda de um profissional quando sentir que não consegue lidar com o problema sozinho(a). 

Imagem capa: Pexels

Coluna:

Maicy Rodrigues Araújo
CRP 10/03113

Maicy Rodrigues Araújo é Psicóloga, formada pela UNAMA (Universidade da Amazônia). É especialista em Desenvolvimento Infantil pela UEPA (Universidade do Estado do Pará), possui MBA em Gestão de Pessoas pela FACI (Faculdade Ideal) e cursou o Programa de Educação Continuada em Psicopedagogia (ABED). É Aprimoranda em Psicologia Clínica com ênfase na abordagem Gestáltica pelo GEGT (Grupo de Estudos Gestálticos).
Atualmente, trabalha como Psicóloga Clínica e Orientadora Profissional em consultório particular e na modalidade online.
Escreve e administra o instagram @_tododiapsicologia_, com a idéia de levar Psicologia de fácil acesso ao dia a dia das pessoas. Idealizadora do programa OPT (Orientação Profissional para todos), dando palestras gratuitas em diversas escolas no estado do Pará sobre a escolha consciente da profissão.
É de Belém/Pará.

Contato:
(91) 98839-7900 
maicyrodrigues@gmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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