Vamos combater a violência!


Por: Joscelaine Lima

“No dia que for possível à mulher amar em sua força e não em sua fraqueza, não para fugir de si mesma, mas para se encontrar, não para se renunciar, mas para se afirmar, nesse dia o amor tornar-se-á para ela, como para o homem, fonte de vida e não perigo mortal”. Simone de Beauvoir

A data 25 de novembro foi declarada como Dia internacional de combate à violência contra as mulheres, neste dia são realizados diversos eventos que visam lutar contra esta violência, fortalecer as mulheres para prevenir a violência doméstica, orientar e conscientizar a sociedade quanto ao mal que a agressividade pode causar a todos os envolvidos.

Quando paramos para refletir sobre esta data, pode surgir o questionamento do por que ela existe, visto que existem tantas datas bonitas a serem comemoradas, como Natal, Dia das Mães, Dia dos Namorados, dos Pais etc. Mas existem estas datas de lutas/combates e grande parte da população não conhece, ou não entende o significado e o motivo da sua existência.

Bom, se existe o Dia do Combate à Violência Contra a Mulher e outras datas como esta, é por que existe razão para sua existência, é por que foi necessário criar um dia para levar a conhecimento da população a necessidade de se refletir sobre a violência e buscar formas de combatê-la.

Neste viés, devemos refletir também sobre a criação de algumas leis, como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a inclusão de artigos/parágrafos em outras leis, tendo como exemplo a atualização da Lei 8080/90 que versa sobre o SUS – Sistema Único de Saúde, que incluiu em seu Capítulo II Artigo 7º o inciso XIV que traz como princípio o atendimento específico e especializado para vítimas de violência doméstica em geral, garantindo acompanhamento psicológico, cirurgias plásticas reparadoras, entre outros.

Ao nos depararmos com a criação destas leis podemos ver um avanço, e realmente existe um grande passo à frente nas legislações, entretanto, elas nos mostram a triste realidade de que são necessárias! De que existem mulheres e outras pessoas precisando de amparo e ajuda neste sentido, pois foram agredidas, machucadas, destruídas tanto física quanto emocionalmente e se tornou preciso criar leis e dias de lutas/combates para que a sociedade se dê conta do quanto está errada, do quanto tem criado dor e sofrimento.

A violência contra mulher é histórica, os estupros, os abusos de todas as formas, a subserviência, a religiosidade machista e opressiva, tudo isto, durante muito tempo em nossa cultura e ainda hoje em algumas culturas distantes, assim como em algumas mentes defasadas em nosso país (infelizmente) conserva-se a crença de que a mulher é um ser inferior, alguém que deve servir aos homens de todas as formas possíveis, um objeto de prazer e servidão.

Houve tempos em que as leis desfavoreciam muito as mulheres, favorecendo a desvalorização e a violência. A mulher não tinha direito a votar e ser votada, a mulher não podia opinar nos negócios, não era bem vista se não se dedicava apenas aos cuidados da casa, marido e filhos. Não podia decidir se queria ter filhos ou não, não podia reclamar da forma como o marido a tratava, etc.

Até pouco tempo atrás a mulher poderia ser morta pelo esposo caso cometesse adultério, sendo que sua morte não era considerada um crime grave, já que foi cometido “em legítima defesa da honra”. Também poderia ser “castigada” ou morta por motivos fúteis e dificilmente o agressor era considerado culpado e condenado a pagar pelo que fez.

Após tantos anos sendo desvalorizadas, consideradas seres inferiores e humilhadas, muitas lutas começaram a acontecer, aos poucos a mulher foi conquistando espaços, mostrando sua competência e alcançando posições antes dominadas pelos homens. Então, algumas leis foram modificadas e a violência contra a mulher foi paulatinamente sendo considerada de fato crime.

Entretanto, continua infiltrado em algumas culturas e indivíduos a crença de que a mulher é inferior ao homem e não deve sair deste lugar de servidão e anuência, o que tem mantido alguns costumes do passado. Logo, foram estabelecidas Leis e datas como as citadas acima, na busca de conscientizar toda sociedade quanto à gravidade da violência contra a mulher, seja ela física, moral, psicológica, patrimonial e, principalmente levar ao conhecimento das mulheres o que se caracteriza violência, a qual não devem se submeter pois, esta pode ser agravada, tirando-lhe a dignidade, a alegria, a vida…

Portanto, devemos nos conscientizar e entrar neste combate, nós mulheres, nos dar o respeito, não permitir que outros nos desrespeitem, indiferente da relação que for, não aceitar rótulos, não concordar com o machismo, não julgar outras mulheres, mas buscar auxiliar, orientando sobre seu valor e direitos.

Por fim, como cidadãos temos o dever de proteger a humanidade. Existe o ditado “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, porém, ele está mais do que ultrapassado! Vamos exercitar a empatia, nos colocar no lugar do outro e analisar como gostaríamos de ser tratados, tanto os homens (ou pessoa de qualquer gênero) que cometem violência, mesmo que julguem estar correta, quanto a pessoa que percebe violência na casa dos vizinhos, que sabe de alguém que lhe relatou, que se suspeita por apresentar marcas no corpo, enfim, todos temos o dever de denunciar. Violência contra mulher é crime e você pode salvar uma vida deixando sua “discrição” de lado e cultivando a Humanidade!

Referências:

BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Europeia do Livro, 1967.

BRASIL.Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm&gt;. Acesso em: 20 nov. 2017.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Joscelaine Lima
CRP: 12/14672

Psicóloga clínica, formada pela Universidade 
do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015.
Atende em São Miguel do Oeste-SC.
Contatos:
Facebook.com/JoscelainePsicologia
Whatsapp: (49) 992028970

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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