Autoestima e Motivação Coluna Jackeline Leal Reflexões

Quando foi que as coisas perderam o sentido?

O homem atual acredita que o planeta vive para ele e que pode controlá-lo como se não fizesse parte do todo.

Por: Jackeline Leal

Dias atrás postei no Blog Psicologia Acessível, um texto que iniciava um bate papo sobre o sentido da vida, através do texto: A Crise do Sentido – O que significa o vazio existencial em que vivemos?.

Nele exploramos o vazio existencial que frequentemente tem sido experimentado pelas pessoas nos tempos atuais, sendo que a Inteligência Espiritual o nomeia como sendo uma “Ausência de Sentido”.

Neste segundo de três textos, o objetivo é compreender como nos tornamos assim, ou seja, abandonados à mercê da própria sorte no que diz respeito a descobrir ou construir um sentido para as nossas vidas.

Até então, é sabido que na falta de algum motivador que direcione as nossas ações, acabamos compensando a carência sentida (a falta de algo) através da importância exagerada ao eu individual, ou seja, a questões que envolvem o nosso EGO.

Estabilizamo-nos na base da pirâmide de Maslow e vivemos eternamente na busca por satisfazer as nossas necessidades deficitárias consideradas básicas (fisiológicas, de segurança, sociais e de autoestima), algumas pessoas ultrapassam estas barreiras atingindo o nível de necessidades espirituais, mais conhecido como a zona de realização pessoal, outras, permanecem por toda vida lutando contra estas barreiras pessoais.

Viver neste nível de busca eterna por atingimento das necessidades deficitárias não nos permite sair da zona do Ego (zona dos desejos nomeada por Freud) onde a conquista material supre a busca pela autorrealização, mobilizando-nos a buscar sentido em causas sem sentido, abuso de drogas e materialismo exagerado.

Segundo Danah Zohar e Ian Marshall, “a cultura tradicional e todos os significados e valores que ela preservara começaram a desfiar-se como resultado da revolução científica do século XVII e da ascensão paralela do individualismo e do racionalismo. Estas mudanças não só culminaram na Revolução Industrial, como também na erosão mais profunda de crenças religiosas e paradigmas filosóficos que até então serviam de alicerces para a sociedade”.

Assim, estas mudanças são um mal considerado necessário para a evolução da sociedade, mas ao mesmo tempo foi aos poucos arrancando pelas raízes o sentido que dava a raça humana.

Vamos vendo cada vez mais pessoas preocupadas com o futuro da humanidade ou com o seu desenvolvimento pessoal e profissional, mas que não sabem como assumir a responsabilidade por si mesmas. O mundo foi dividido pela dualidade “sujeitos e objetos”. O homem atual acredita que o planeta vive para ele e que pode controlá-lo como se não fizesse parte do todo e das consequências das ações realizadas nele.

Um exemplo de forma encontrada pelos homens para diminuir este vazio é a busca incansável pela perfeição do corpo em preferência à mente. As pessoas se apegaram ao sentido de completude corporal como sendo o significado de felicidade, e a ausência de doença física como sendo um resultado ótimo de sucesso pessoal. Os médicos cada vez mais se prendem à medicalização da doença enquanto o sofrimento emocional ou espiritual sequer é considerado ou é transformado em fraqueza.

Esse contexto nos torna donos do nosso fatídico destino, mas nos afasta de sermos donos de nós mesmos. O medo nos afasta de quem queremos ser, e a maioria das pessoas prefere não pensar nisso por não ser capaz de suportar tal dor. Em contrapartida, se apegam aos resultados imediatistas de um Carpe Diem literal e não existencial por simples receio de não haver um amanhã.

Perdeu-se em nossa cultura a capacidade de expressão de sentido. Não é possível ver com facilidade a expressão da alma humana. Para sermos capazes de utilizá-la novamente, fica cada vez mais essencial a transformação da nossa consciência. Para mudarmos este cenário, apenas o aprofundamento no eu e nos abismos do sentir serão caminhos assertivos.

Certamente, após compreendermos como esse vazio surgiu não se torna mais fácil a solução do problema, mas nos possibilita conhecê-lo e pensar sobre ele.

A transformação da consciência é uma luta primeiramente pessoal, de abandono do medo que temos de viver motivados por quem somos, por nossos valores e de lutar pelo abandono da vida baseada no EGO em busca de uma vida orientada por sentido.

Acredito que assim construiremos um novo ser humano e certamente iniciaremos uma vida vivida por inspiração e intuição.

Imagem capa: Pexels 

Jackeline Leal
CRP 16/1585

Psicóloga Clínica, Pós Graduanda em Psicodrama pelo IDH/RS, 
Formada pela FAESA/ES, atende em Vitória/ES.
Jackeline também é Coach de Carreira e Negócios e conta com 
mais de 10 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas.
Contatos:
E-mail: contato@jackelineleal.com.br 

Facebook.com/jacklealpsicoach
www.jackelineleal.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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