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Que amor é este?

Como estamos amando?

Por: Joscelaine Lima

A sociedade atual tem evoluído rapidamente em alguns aspectos, porém outros continuam um tanto retrógrados. Enquanto muitas pessoas já não querem se envolver em um relacionamento amoroso de forma comprometida e com este pensamento acabam se envolvendo em relações rápidas que não lhe fazem bem, outros estão em uma relação tóxica, entretanto se mantém nela por acreditar não conseguir viver de outra forma.

Há alguns anos havia a tradição de se casar e manter esta união a qualquer custo, mesmo não fazendo bem para ninguém – mulher, homem, filhos, etc., mas as aparências deviam ser mantidas e, uma vez casados, a união era indissolúvel, mesmo em meio à violência, ao sofrimento e ao desamor.

Hoje este paradigma vem sendo quebrado e as pessoas não costumam ficar em uma relação onde há agressões, desrespeito, desvalorização. Entretanto, tornou-se algo muito frívolo, onde o que causa dissolução das relações não é (em grande parte das vezes) alguma forma de violência, mas o comprometimento é temido e deixado de lado por coisas vãs, por pequenas diferenças, por imaturidade e incapacidade de ter um diálogo adequado.

Existem pessoas que permanecem em uma relação por medo, por dependência financeira e emocional. Vão “levando” a vida assim, às vezes com esperança de que um dia aconteça alguma coisa e tudo mude, outras vezes se acomodando e acostumando com a forma como estão vivendo, abandonando-se e conformando-se em viver de maneira frustrante, sem vislumbrar possibilidades de viver de forma intensa e feliz.

Já outros indivíduos, talvez após visualizar “amores” frustrantes em pessoas próximas ou por eles mesmos terem vivido em algum momento, fogem de toda possibilidade de viver um romance bonito e verdadeiro. Quando se envolvem com alguém, qualquer atitude/característica que desaprova na outra pessoa já é motivo de se afastar: gosto por hobbies diferentes; forma de se comunicar; introversão ou extroversão; costumes, etc.

Muitas vezes estas diferenças não são evidentes no começo de uma relação, ou até são consideradas admiráveis, porém, após um tempo de convivência, que varia de pessoa para pessoa, as diferenças começam a causar tensão, incomodar e então, parece ser mais fácil e prático terminar a relação, ao invés de dialogar, de buscar falar como se sente, de compreender o sentimento do outro, de exercitar a gentileza e a sabedoria, então, a maioria dos casais prefere separar-se.

Por isto existem tantos casamentos seguidos de divórcios e tantos recasamentos, seja formalizados ou não formalizados. As pessoas não suportam viver com as diferenças dentro de casa, não estão dispostas a aprender, não querem evoluir, pois, fugir dos problemas parece ser mais fácil.

Em ambos os casos: relações onde há agressão e só se dissolvem quando acontece algo muito grave (ou vão até o fim da vida dessa forma), e relações que terminam por intolerância às diferenças, fica uma reflexão, uma pergunta a ser feita: como estamos amando?

Que amor é este que aprisiona, que limita, que não permite o crescimento, que machuca, mata e destrói? Que amor é este que desiste de si mesma, abdica do respeito próprio e de ser feliz? E que amor é este que não tolera, não aceita, que não compreende, e não perdoa?

Penso que nada disto é amor, pois onde existe amor pelo outro, existe também o amor próprio (sem este é impossível amar o outro), existe o respeito, existe consideração, existe humildade, diálogo, reconhecimento de erro, mudança para melhor, abandono de hábitos prejudiciais a si e ao próximo.

Se você está vivendo uma das situações acima, se suas relações não são saudáveis, você não consegue amar, não consegue respeitar o outro, não consegue se doar, agride ou é agredido(a), repense suas escolhas, reflita sobre o que quer para si, coloque-se no lugar do outro. Decida mudar, não aceite ser desvalorizada(o), busque dialogar com bom senso e sensatez.

Se não conseguir sozinho busque ajuda, procure psicoterapia, individual ou de casal, procure ajuda nos setores públicos que trabalham com família e com garantia de direitos, mas não continue na sua zona de conforto, pois só tem lhe feito mal!

Precisamos admitir que não estamos amando direito e tomar atitudes para transformar isto, aceitando a nós mesmos e o outro como ele é! O primeiro passo para a mudança é admitir que precisa mudar e querer mudar, então, se quisermos o suficiente, vamos conseguir!

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Joscelaine Lima
CRP: 12/14672

Psicóloga clínica, formada pela Universidade 
do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015.
Atende em São Miguel do Oeste-SC.
Contatos:
Facebook.com/JoscelainePsicologia
Whatsapp: (49) 992028970

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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2 comentários

  1. Já tive essa experiência de estar em um relacionamento abusivo e, em um belo dia eu cai em mim e decidi rever muitas coisas, e a psicoterapia foi uma base muito boa que me ajudou muito a me libertar.

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