Nem todo o fim precisa ser um ponto final


Por: Maria Emília Bottini

O Dia Nacional de Doação de Órgãos e tecidos é celebrado em 27 de setembro. Essa data tem o objetivo conscientizar a população em geral sobre a importância de ser um doador de órgãos, pois esse gesto pode ajudar milhares de pessoas que lutam por uma oportunidade de prolongarem as suas vidas diariamente no Brasil.

Participei, em setembro, de um evento de lançamento de um curta-metragem sobre o tema da doação de órgãos chamado: É tempo de recomeçar do cineasta e diretor Erechinense Osnei de Lima. Um trabalho sensível sobre um tema ainda a ser discutido mais de perto pela sociedade brasileira, mas que lentamente ganha espaços e conscientização.

O curta-metragem traz uma reflexão sobre um tema que não queremos tocar nem falar que é a morte de um ente querido ou mesmo a nossa finitude; é neste lugar que a doação de órgãos se instala: o da partida!

Acho que todos já sabem, mas se não sabem, gostaria de comunicar: nós estamos condenados à morte desde que nascemos, somos seres mortais. O bom é que não sabemos quando se dará o evento de nosso fim e, por não sabermos, por vezes só nos damos conta de que existe a morte quando um ente querido falece.

A decisão de doar os órgãos deve ser comunicada à família e espera-se que ela respeite tal decisão. Há algum tempo era emitido um selo na Carteira de Identidade autorizando a doação dos órgãos, hoje não mais, somente a família pode autorizar. Portanto, fale com sua família. Fale agora, fale já, talvez amanhã não dê mais tempo.

Quem desejar assistir ao curta metragem, ele está disponível no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=Ei706HQHucE. Após assistir, também compartilhe, pois esse é um tema que diz respeito a todos nós. Hoje estamos bem, saudáveis, mas amanhã quem sabe, seremos nós ou alguém de nossa relação a esperar nas listas por um coração, um rim….

Nessa noite também conheci o livro infantil A tartaruguinha que perdeu o casco, pois não percebeu que tinha uma pedra em seu caminho e tropeçou nela, perdendo sua proteção. Os amigos bichos tentaram ajudar oferecendo o que tinham por perto, mas nada funcionou para substituir o casco perdido. Uma família de tartaruga doou o casco da filhota que havia morrido. A tartaruguinha depois de um tempo se recuperou e voltou a brincar com os amigos.

Esse belo trabalho foi realizado pela empresa Cria Ideias, em parceria com o grupo Viavida pró doação de órgãos e transplantes que ajuda pessoas de todo o Brasil, sem condições financeiras para receber tratamento pré e pós-operatório.

Esse livrinho é muito colorido e trata com linguagem simples sobre a doação de órgãos para o público infantil. Precisamos conversar com as crianças sobre esse tema e o livro A tartaruguinha que perdeu o casco pode ajudar nessa tarefa.

Doar órgãos é sair do seu universo pessoal, muitas vezes egoísta. É perceber o outro que vive porque uma máquina, três vezes por semana, filtra seu sangue fazendo o trabalho que um órgão não dá mais conta de realizar, isso tudo para seguir existindo. Doar órgãos é doar vidas. Muitos pacientes esperam anos em lista de espera, alguns morrem enquanto aguardam, pois a vida se esvaiu esperando.

Acredito que podemos mudar a realidade das doações se conversarmos mais sobre o nosso sentido de existir com crianças, adolescentes e adultos.

Você sabia que ao doar órgãos você pode salvar até oito vidas? Isso seria a alegria de quem trabalha com doação, mas pelo menos uma vida cada um de nós pode salvar, cada um de nós pode fazer mais do que faz para e pelo outro.

Tanto o curta-metragem quanto o livrinho nos conduzem a uma conversa sobre doar o que somos e temos. A morte torna tudo o que somos e temos obsoleto, para um corpo que já não precisa dos órgãos para existir, porque já não existimos, já não somos.

Doe órgãos, pois uma parte de você continuará a viver e nem todo fim precisa ser um ponto final, pode ser o recomeço para uma vida que pedia socorro para seguir em frente.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Maria Emília Bottini
CRP nº: 07/08544

Formada pela Universidade de Passo Fundo (RS);
Mestre em Educação pela Universidade de Passo Fundo (UPF);
Doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB);
Autora do livro “No cinema e na vida: a difícil arte de aprender a morrer”;
Assina a coluna “Trocando Ideias” do blog da Clínica Ser Saúde Mental de Brasília.
Contatos:
emilia.bottini@gmail.com.
Página do livro:
Facebook.com/Nocinemaenavidaadificilartedeaprenderamorrer
Clínica Ser Saúde Mental – Coluna Trocando Ideias:
http://sersaudemental.com.br/blog/

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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