Como dosar o uso dos games, internet e celular dos pequenos


Por: Ana Rafaela Bispo da Costa  

Me lembro que há uns anos quando ia na casa da minha avó o telefone era aquele que você colocava o dedo para girar o número. E quem tinha telefone na verdade era rico.

Sou da época das fitas de som, que para voltar a música a gente girava com uma caneta, só depois veio o discman e por volta dos meus 15 anos o mp3, que permitia salvar algumas músicas. O acesso à internet era bem restrito e os computadores eram enormes.

Quando ia viajar alguém tinha que levar uma máquina fotográfica digital, que tinha a capacidade super baixa, para acertar o caminho usávamos os guias, depois vieram os aparelhos de GPS. Para não perder a hora usávamos despertador.

Hoje tudo isso está na palma de nossas mãos, todos esses aparelhos que citei e mais alguns como calculadora, agenda de contatos, e-mail, conta no banco, chats de conversa simultânea, filmes, futebol, TV e muito mais estão acessíveis o tempo todo gerando uma facilidade enorme num custo bem menor.

Só que com toda essa facilidade que foi se inserindo muito rapidamente – afinal citei acontecimentos de 20 anos para cá – estamos ficando dependentes e viciados nessa comodidade.

Outro dia acabou a energia e eu fiquei perdida. O sentimento é de vazio mesmo. O que fazer quando os aparelhos desligam? Não estou falando daqueles que mantém a vida quando estamos na UTI, embora muitos já estejam dependendo mais dos celulares do que deles.

É preciso balancear esse uso e estar sempre atentos ao que fazemos “quando as luzes se apagam”. Estamos mantendo nossa vida social? Nossa atividade física? Jogando conversa fora olho no olho? Estamos separando tempo para estar de verdade com as pessoas?

Não é a toa que recentemente, a OMS incluiu em sua lista de transtornos o vício por games. E isso trouxe um pouco de preocupação e voltou os olhares a como a tecnologia tem sido utilizada pelos pequenos.

Na atuação com crianças e adolescentes, tenho percebido muita dificuldade dos pais em estabelecer limites para o uso da tecnologia.

Nós que não nascemos com essa ferramenta já nas mãos, temos um pouco mais de controle, mesmo assim há casos de exagero e de doença.

Imagine como deve ser difícil para uma criança ou adolescente que nasce em meio a fotos e postagens nas redes sociais, imaginar o mundo sem isso? Por isso muitos desses limites precisam ser colocados pelos pais.

Esse tipo de presença no mundo virtual dá mais segurança para quem utiliza, faz com que as pessoas realizem desejos e fantasias através de um mundo que é real, mas não palpável. Dessa forma, o cérebro entende o prazer gerado pelo mundo virtual como algo real, e assim a pessoa pode ir se viciando nessa sensação boa que é se realizar através das redes.

A tecnologia é maravilhosa, e tem proporcionado avanços incontáveis. Tanto na área da medicina, segurança, engenharia, como no dia a dia.

A intenção é discutir o equilíbrio no uso da tecnologia, já que ter saúde é ter equilíbrio.

Então, neste Janeiro Branco o que podemos fazer para proporcionar mais saúde às nossas crianças e adolescentes? Para que possam alternar entre mundo virtual e mundo real? Para que possam aproveitar as maravilhas de um clicar na tela como também as maravilhas de visitar e brincar com um primo ou amigo olhando olho no olho?

Se paramos para pensar quais eram as brincadeiras há 30 anos atrás, quando não havia essa tecnologia? Qual era a principal preocupação dos pais?

Provavelmente sua resposta a essas perguntas seja “eu brincava na rua, de pega-pega, taco, esconde-esconde, futebol, bolinha de gude, queimada, jogos de tabuleiro entre outras, e a preocupação dos meus pais era o horário que eu teria que entrar.”

E como você usa esse conhecimento para mostrar para seu filho que existe vida além dos games? Em primeiro lugar, se você usar a sua infância como exemplo poderá apresentar diversas brincadeiras a eles, possibilitando que conheçam mais opções.

Outra questão é: porque seu pai limitava seu horário? Com certeza depois de certo horário havia um risco em ficar exposto na rua. No mundo virtual não é diferente, você como pai precisa limitar os horários, sites e jogos que seu filho utiliza, pois em alguns deles pode haver riscos.

Pode parecer que estão seguros por estarem em casa, mas estão expostos a um mundo virtual onde há pessoas e perigos reais.

O limite é o que nos dá a medida do equilíbrio, e o equilíbrio é o que nos dá a medida da saúde, então nesse Janeiro Branco vamos pensar em como oferecer as tecnologias de forma saudável aos nossos filhos e também oferecer formas de interação real que eles desconhecem.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Ana Rafaela Bispo da Costa
CRP: 06/95603

Psicóloga pela UMESP
Pós Graduada em Especialização em Informática em Saúde pela UNIFESP
trabalha no auxílio ao desenvolvimento de crianças e adolescentes e suas famílias, 
atuando na região do ABCD.
Contatos:
Whatsapp: (11) 982172197
ana_rafaela_24@hotmail.com

Facebook: Tempo de Aprender-se
Site: tempodeaprenderse.wixsite.com/tempodeaprenderse

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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