Psicologia e Crianças Psicologia Escolar e Educacional

O papel da escola no desenvolvimento psicossocial da criança

A importância de ajudar as crianças a compreenderem suas emoções.

Por: Thais Faustino

Sabemos que a Educação Infantil está em constante construção, ela é constituída por movimentos sociais que norteiam as mudanças no desenvolvimento da criança, seu convívio na família, na comunidade, etc. Por isso os modelos de educação vêm sofrendo alterações que abrangem processos psicopedagógicos, o que demanda uma constante atualização de profissionais da área escolar. E com essas mudanças, destaco aqui a importância da afetividade, das emoções e demais práticas psicossociais.

Entende-se que na idade pré-escolar as crianças têm dificuldades (afinal elas ainda não conhecem os sentimentos), em dominar suas emoções. Comumente são mais espontâneas, sinceras, impetuosas comparadas aos adultos. Mas se desenvolvidas essas emoções e sentimentos, a criança passará a ter uma maior compreensão de si, trazendo bem-estar emocional. Sendo assim, cabe aos cuidadores a mediação destas emoções, dando suporte para que as crianças operem melhor consigo e com as demais pessoas nas relações.

Henri Wallon foi um dos primeiros teóricos a abordar as emoções e afetividade em sala de aula. O autor considera tanto a inteligência quanto a emoção para o desenvolvimento da criança, sendo a emoção a mola propulsora das relações sociais, e o processo do desenvolvimento infantil acontece em meio às interações com o ambiente e com os sujeitos (GASPAR e COSTA, 2011).

Algumas das estratégias que utilizo para trabalhar as emoções na infância:

As atividades lúdicas têm sido a minha melhor maneira de comunicação com as crianças. Através de jogos sobre dimensões cognitivas, emocionais e perceptomotoras e por meio de desenhos, pinturas livres e brincadeiras de imaginação, tenho convidado as crianças a falarem de si, de como se sentem e vivenciam determinadas situações cotidianas.
Utilizar do brincar e das atividades lúdicas como prática pedagógica é um grande fator que favorece, além da afetividade, a estimulação psicomotora, a memória, a imaginação, o desenvolvimento da autonomia, as interações entre iguais, as vivências de regras e papéis sociais, bem como a expressão de sentimentos.

‘Por trás de uma fantasia eu posso ouvir respostas de uma realidade’ (Caio Crepaldi).
Outro aspecto de grande relevância é a maneira com que nos colocamos para com os pequenos. Estabelecer uma relação afetuosa, acolhedora e de confiança proporciona um melhor contato com suas emoções (e convenhamos, não é apenas com as crianças que devemos manter essa relação! rs). Ser afetivo é um exercício, haverá momentos que não estaremos tão dispostos e até mesmo com preocupações pessoais, e é nessa hora que devemos distinguir e não permitir que descarreguemos nos outros, principalmente naqueles que estão mais vulneráveis.

Um dos exercícios sobre emoções é ao término de cada aula questionar as crianças sobre o que as deixaram felizes durante o dia (não necessariamente escolar, podendo aparecer aspectos familiares e sociais), o que as chatearam, assim como o que elas fizeram a respeito (por exemplo, quando há um desentendimento/conflito com outra criança). Essas anotações são realizadas e semanalmente se faz um levantamento, o educador poderá acompanhar como a criança lidou com seus sentimentos e as estratégias que desenvolveu para resolvê-los (ou não), estimulando assim o autoconhecimento de cada um. O termômetro das emoções também é outra ferramenta bastante útil nesse processo de identificar, medir e regular as emoções e os sentimentos.

A empatia, outro fator de bastante relevância no desenvolvimento afetivo da criança. Ao presenciar um conflito entre pares, ouvir e se atentar para não desqualificar o que cada criança diz e sente e propor o exercício de troca de papéis, de se colocar no lugar do outro e buscar uma maneira de resolver o conflito. Isso ajudará a criança a tomar contato com as suas experiências emocionais atribuindo sentido a elas, e de como é refletida no mundo (no outro), assim como ter autonomia em resolvê-los, isso
trará responsabilidades para a criança e ajudará no seu desenvolvimento interpessoal, além de contribuir para hierarquizar seus sentimentos (assunto para outro momento).

Portanto a experiência me mostra a importância da relação afetuosa no desenvolvimento das crianças. Se queremos um mundo melhor e com mais saúde mental, precisamos ser modelos, falar sobre emoções e sentimentos e permitir que as crianças também o façam. O modo de vida das crianças deve ser compreendido, ou pelo menos, considerado nos processos pedagógicos e na atuação diária de todos (pais, educadores, comunidade, etc), pois somente olhando para a criança em sua totalidade, sua complexidade subjetiva é que se pode efetivamente ajudá-la de maneira mais saudável.

Referências:
GASPAR, Fernanda Drummond Ruas; COSTA, Thaís Almeida. Afetividade e atuação do psicólogo escolar. Psicologia Escolar Educacional. Maringá, 2011, p. 121-129.

Imagem capa: Pexels

Thais Faustino
CRP 06/141452

Psicóloga em Campinas.
Contatos
E-mail: psicologathaisfaustino@gmail.com
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Site: www.permitaser.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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