Coluna Alex Valério Reflexões

Aquele sobre o que queremos e o final de ano

Permita-se saber aquilo que você realmente deseja.

Por: Alex Valério

Esse final de semana peguei um Uber e o motorista era um senhorzinho muito simpático. Não demorou para que ele começasse a puxar papo comigo e, conversa vai, conversa vem, ele perguntou o que eu esperava para esse ano. Sem hesitar, eu respondi algo honesto, mas pouco pessoal: “Espero que as coisas melhorem, de maneira geral, aqui para o nosso País! 2017 foi um ano difícil, não é?” Depois, seguimos falando um pouco sobre a crise, a corrupção e coisas desse tipo.

Curiosamente, fiquei pensando um pouco na impessoalidade da minha resposta e no quanto é comum agirmos assim. Acostumamos a preservar aquilo que queremos, por que dificilmente as outras pessoas compreenderão a importância daquilo que é nosso. É natural, claro, que façamos isso com desconhecidos, mas não é só com eles que fazemos, também acontece com os nossos conhecidos.

Você, por exemplo, já deixou de dizer para alguém alguma coisa que queria muito, com receio do que a outra pessoa vai pensar ou por achar bobo demais aquilo que você tem a dizer? Aposto que todos já fizemos isso e, infelizmente, aposto que há quem aja assim numa frequência maior do que gostaria. O perigoso disso é que deixamos nossa pessoalidade de lado, visando garantir a manutenção de uma boa impressão social, mas o que não sabemos é que dar voz ao que queremos, em várias situações, é tudo o que nos falta para seguir em frente. Nessa de tornar tudo impessoal, pode ser que nem mesmo a gente saiba o que realmente quer. Numa dessas, corremos o risco de viver por viver, não chegando a canto algum.

Você já pensou sobre o que realmente espera para este ano? Além das coisas que são óbvias, genéricas e almejadas por todos, você quer o que? Pensou também nas possibilidades de conquistar o que quer? Está disposto a sair da sua zona de conforto e enfrentar a possibilidade da frustração para tentar conseguir isso aí?

Os tempos não têm sido dos mais animadores. Estamos cada vez mais distantes uns dos outros, interagimos mais com o touch screen, do que com a pele, os olhos e a voz das pessoas que conhecemos. Insistimos em seguir a vida garantindo que nada mude, para evitar que as coisas saiam do lugar e mudanças tenham que acontecer. Nossa geração não tem sido preparada para mudar e se adaptar. Não temos nem sido preparados para nos frustrar, prova disso é que basta algo dar errado e pronto, parece que as coisas só não dão certo para nós e, aparentemente, ficamos pensando que nunca darão.

Há uma outra coisa que me incomoda, mas que inevitavelmente me vejo praticando constantemente: estamos o tempo todo querendo nos proteger e, para garantir isso, optamos por agredir aos outros (já ouviu a expressão “atacar para se defender”? é mais ou menos o que fazemos.). E, para piorar, várias das brigas que travamos não se referem a algo pessoal, mas é só aquela necessidade de “não ficar por baixo”, já que, socialmente falando, pega mal quando demonstramos o que sentimos, pois isso tem sido sinônimo de fraqueza.

Por fim, então, meu desejo para este próximo ano, é que a gente possa amar. A começar pelo amor próprio, que seja permitido gostar de si mesmo (porque isso não é egoísmo e, menos ainda, se fazer de coitado), que possamos dar amor (é aquele ditado clichê “é dando que se recebe”) e que as frustrações e os sofrimentos não signifiquem que o mundo acabou, mas só que algo não deu certo. Olhe para o que você quer, se aproprie daquilo, tornando-o seu; permita-se saber aquilo que você realmente deseja. Experimente!

Bom ano a nós!

Imagem capa: Pexels

Também publicado em: Minuto Terapia

Colunista:

Alex Valério
CRP: 06/134435

Especializando em Terapia Comportamental pela 
Universidade de São Paulo. 
Psicólogo pela Universidade Nove de Julho.
Tem experiência com projetos que envolveram 
pesquisa básica em análise do comportamento 
(desamparo aprendido e comportamento supersticioso), 
ações sociais com o público LGBT e pesquisa quantitativa 
com familiares de mulheres que estavam encarceradas.
Realiza atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos. 
Escreve para o próprio blog e, também, para o Educa2.
Atende em São Paulo (Região Central) e no Grande ABC.
Contato: 
alex@minutoterapia.com
Facebook.com/ominutoterapia

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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