Coluna Andréia de Sousa Leite Psicologia e Crianças

Toda criança precisa de casa

Mais que um conjunto de paredes que separam compartimentos, a casa é um lugar simbólico que junta e aproxima pessoas.

Por: Andréia de Sousa Leite

A vida em sociedade é uma característica exclusiva dos seres humanos!
Seres humanos são seres de relação e socialização, pois vivem e convivem coletivamente com outras pessoas, e tem na troca de experiências o principal elemento de aprendizado para uma vida em sociedade. E é a casa o espaço primordial onde tal aprendizado acontece.
A casa é o ponto de partida para o aprendizado social! Espaço geográfico e subjetivo onde as pessoas vivenciam suas primeiras experiências de contato e relação com seus pares, bem como as vivências positivas de aceitação, aprovação, aprendizagem e afirmação, elementos necessários para sua formação pessoal. Há grande importância neste movimento “doméstico”, digamos assim, pois neste espaço inicia-se todo processo de compreensão acerca de quem somos e como devemos fazer para nos relacionar com os outros.

É para casa que a criança segue logo após o seu nascimento, ao menos na maioria das vezes, é assim que acontece! É em casa que a criança dá seus primeiros passos, tanto motores quanto simbólicos, principalmente pelo contato com seus pais, pois a convivência entre pais e filhos, especialmente nos anos iniciais da vida dessa criança, serve como importante conteúdo de referência para constituição dos aspectos subjetivos e comportamentais da mesma; são os pais quem primeiramente ensinam, instruem e orientam as crianças acerca de como funcionam as coisas dentro e fora da casa “sociedade”.

É também na sua casa que a criança aprende a dizer: bom dia, boa tarde, desculpe, por favor, com licença. E esse conjunto de boas orientações vai formando os pequenos “bons modos” e em efeito mágico essa composição vai sendo internalizada pela criança e formando o seu caráter. Segundo esse movimento de aprendizagem parental a criança entra em contato com os valores familiares, especialmente de seus pais e assim também forma os seus. Vale destacar que a família é considerada a instituição responsável por promover o cuidado e educação dos filhos e assim influenciar o comportamento dos mesmos no meio social, como também favorece a transmissão das tradições e costumes daquela família.

O ditado popular diz “costume de casa se leva à praça”, faço um grifo pessoal alertando especialmente aos pais que os relacionamentos de casa também são levados às praças e nesse caso é ainda mais interessante, porque na verdade a qualidade dos relacionamentos vividos entre pais e filhos dirá muito sobre a personalidade da atual criança e futuro adulto. Há um outro ditado popular bem interessante que diz que a escola é a segunda casa da criança, porém gostaria de alertar que, para que essa funcione como segunda casa, a “casa” precisa ser a primeira. Assim, não é precipitado dizer que o que a criança faz na escola de certa forma já aprendeu em casa.

De tamanha importância são também as rotinas da casa!
Os momentos de convivência e partilha, como as refeições, os diálogos, as tarefas e/ou divisão delas, o estabelecimento dos horários para praticar tais coisas juntos ou separados, o estabelecimento das normas e regras específicas daquela casa, ou seja, daquela família, o espaço em que poderá viver sua intimidade e privacidade.

De tamanho valor e importância é a criança compreender quais são os princípios e valores específicos daquela casa “família”, ou seja, quais são os alicerces daquela casa. Sim, pois toda casa precisa de sustentação para que possa ter suas “paredes firmadas”. E assim, seus membros possam contar com edificações firmes para que “os ventos fortes e contrários” que sopram em alguns momentos contra a casa não venham derrubá-la.

Mais que um conjunto de paredes que separam compartimentos, a casa é um lugar simbólico que junta e aproxima pessoas. Lugar de referência para a formação de uma criança e desenvolvimento de seus demais membros, os quais não formam apenas um grupo de pessoas, mas uma família, ou seja, pessoas ligadas intimamente por laços de sangue ou não, e que juntos servem de elo e base para crescimento umas das outras, afinal de contas, na verdade, não apenas as crianças, mas todo ser humano precisa de uma casa.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Andréia de Sousa Leite 
CRP-22/0699; CRP-21/ISSO 008

Psicóloga clínica, com Formação básica em psicanálise e Clínica da intervenção precoce; Formada pela Faculdade Santo Agostinho-FSA (Teresina-PI), especialista em Terapia cognitivo-comportamental; Atende nas cidades de Teresina-PI e Timon-Ma; Atualmente trabalha no Cmam-Centro de atendimento multidisciplinar infantil e no Nasf-Núcleo de apoio a saúde da família; Ampla experiência nas áreas de Saúde pública, saúde mental e atendimento materno-infantil e familiar. Colunista do site Sucesso pede mais – (http://sucessopedemais.com/) com publicação de textos relacionados ao tema: Desenvolvimento infantil e relacionamento parental; Coach palestrante nas áreas de comportamento infantil e relacionamento familiar. Psicóloga voluntária nas Ongs- Centro Débora Mesquita e Grace Contato Esperança. Supervisora clínica.
Contatos: 
e-mail: andreia-milk@hotmail.com
Telefone (whatsapp) -(86) 98874-1168/99988-9099

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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