Coluna Cris da Rocha Reflexões

O cadeado

Nem sempre conseguimos a coragem suficiente para desapegar daquilo que não traz mais alegria de viver e que faz da vida um espetáculo que não nos encanta.

Por: Cris da Rocha

Um dia o cadeado resolveu não abrir, como não era de boa qualidade, enferrujou. Tentaram abrir, apertaram, viraram de um lado para o outro até que a chave emperrou. A chave não saía de dentro do cadeado, velho e enferrujado.
Não se contendo, ao invés de retirar a chave de dentro do cadeado, apertaram mais e mais até a chave quebrar e, na pressa de abrir o cadeado para entrar, ficaram do lado de fora até que se pudesse encontrar alguém para cortar o cadeado e dinheiro para comprar um novo – que funcionasse perfeitamente atendendo às expectativas que eram entrar e sair de casa.

Às vezes somos que nem a história simples do cadeado, queremos ser mais felizes, alegres, satisfeitos e gentis com a vida, mas passamos esse tempo repetindo os mesmos erros, entrando e saindo sempre pela mesma porta, empurrando os mesmos problemas ao invés de tentarmos soluções. Talvez seja mais “fácil” conviver com a chave emperrada no cadeado, de vez em quando tentar colocar um óleo para ver se quem sabe ela sai dali e volte a funcionar, mesmo que com defeitos e problemas, afinal, o objetivo do óleo é fazer apenas o objeto se mover e não tirar a chave do buraco que ela se meteu.

Nem sempre conseguimos a coragem suficiente para desapegar daquilo que não traz mais alegria de viver e que faz da vida um espetáculo que não nos encanta.
Acredito que até com o que não funciona bem o ser humano se adapta, mesmo que seja de uma forma sofrida. Temos receio de que as pessoas ao redor ou até de longe sofram, mas não pensamos em nós.
Ficar forçando a barra parece ser mais fácil, contemplar dia e noite a chave dentro do cadeado sem função alguma, deve ser um alento para o desalento de contar com nada, talvez até com o portão aberto. E digo ainda pior, quando o portão é automático, desse, espero distância.

No início da história foram tentado de tudo para que o cadeado e a chave funcionassem, a barra foi tão forçada que tudo parou ali.
Há um momento, depois de todo esforço, que o cadeado seja descartado com a chave e tudo, jogue fora até a corrente que ajuda a trancar o portão e mesmo que demore, compre tudo novo e aproveite das oportunidades que a vida vai te dar.
Construa tudo com novas emoções e cuide para que seus sentimentos não enferrujem.
Cuide para que as engrenagens que a vida vai construindo, venham ao seu favor te levando e nos levando até águas mais tranquilas.

Os sentimentos entrelaçados ao amor, o próprio, o seu amor, o amor que liberta das mágoas, da opressão e da ferrugem que corrói as coisas mais belas da vida como a fé e a liberdade de existir.
A fé que te deixa mais leve e a liberdade que mesmo angustiando às vezes, faz com que você seja alguém que pode fazer escolhas entre um portão aberto, para qualquer um entrar, um cadeado com uma chave emperrada que para nada serve, quem sabe um portão automático que não te exige esforços ou um conjunto de correntes e cadeados novos a fim de seguir seus caminhos sem se preocupar com o que encontrará no retorno, depois de deixar o portão fechado.

Imagem capa: Pexels

Colunista

Ana Cristina Vieira de Souza
(Cris da Rocha)

São Gonçalo – RJ
Professora d0 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental;
Formada desde 2007 em Pedagogia;
Especialização em Educação: Orientação Educacional, Supervisão e Administração Escolar, 2008;
Já atuou como Orientadora Educacional na rede pública de Ensino do Município de Itaboraí do 1º ao 9º ano;
Trabalha com crianças e adolescentes no Projeto Sala de Leitura, onde atua como professora de Literatura, estimulando crianças e adolescentes ao desejo e hábito de ler.
Atualmente é estudante do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas – FAMATH, em Niterói.
Contato: prof-anacris@hotmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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