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Que mochila você quer comprar para seu filho?

Você já teve a sensação de usar o financeiro para demonstrar afeto?

Por: Ana Rafaela Bispo da Costa

O que dizer da relação dinheiro x afeto, será que é realmente uma relação? Parece uma coisa tão contraditória não?

Você já teve a sensação de usar o financeiro para demonstrar afeto?

Às vezes a gente acha tão difícil dar um abraço, um beijo, um carinho, olhar olho no olho, conversar, ouvir o outro, ser presente.

E por outro lado, quando estamos passeando no shopping lembramos de “comprar” algo para alguém especial.

Está aí onde a relação dinheiro e afeto começa a aparecer… realmente dá pra demonstrar afeto de forma concreta, dá pra fazer um agrado, comprar um presente.
O problema é quando a gente começa a comprar, comprar, e comprar. E para comprar a gente precisa ganhar o dinheiro, e para ganhá-lo, trabalhar.
E a equação é simples, quanto mais eu compro, mais eu gasto, mais preciso ganhar e mais preciso trabalhar.

E quem perde nessa brincadeira?
A presença, o afeto.

Quando um pai ou uma mãe precisa trabalhar para pagar a escola do filho, os brinquedos, os passeios, as roupas, o vídeo game de última geração, estão abrindo mão de estar mais presentes, afinal é preciso ganhar.

E aí canso de ver crianças com brinquedos de última geração e sem companhia para brincar.

Outro dia uma criança queria comprar meu UNO (jogo de cartas), fiquei tão surpresa, ela tinha um novinho. Mas aquele novinho não era usado, não tinha alguém que brincasse, na verdade o que ele queria comprar era a minha presença.

Estamos num tempo em que o consumo e o trabalho ditam as regras, mas é preciso cuidado para não se afastar do que é importante.

Acredito que muito desse comportamento de proporcionar coisas materiais para os filhos vem de uma questão cultural e de uma emocional que estamos passando.
Em primeiro lugar, nos dias atuais, você tem brinquedos e produtos que até 50 anos atrás nem eram imaginados, é uma oferta exacerbada de “coisas”.

Em segundo lugar, vejo pais e mães que precisam trabalhar muito para bancar todo esse estilo de vida, e escuto sempre de vários deles, que “se eu trabalho tanto é para proporcionar o melhor para meu filho”.
E aí vai lá e compra, e gasta e tem que ganhar mais e trabalhar mais.

Mas o que será que é o melhor para seu filho? Você já se perguntou isso?

Eu entendo que exista uma grande carga de culpa nesse comportamento, não é fácil passar tanto tempo longe dos filhos porque precisa trabalhar e depois não reverter o fruto desse trabalho em “coisas” para eles.

Mas será que as crianças só precisam de “coisas”?

E que “coisas” são essas?

Será que de repente, deixar um dia na semana reservado para brincar, andar no parque, andar de bicicleta, conversar, jogar um jogo que você comprou há tanto tempo, fazer pipoca e assistir a um filme não seja uma “coisa” que seu filho também precise?

Pode ser que um dia ou outro você saia mais cedo do trabalho, ou evitar de fazer tantas horas extras… vai ganhar menos? Vai ganhar menos dinheiro, mas irá ganhar mais tempo, mais qualidade de vida, momentos com seu filho que não voltam mais.

Experimente pensar no porquê comprar e trabalhar tanto para dar o melhor, e me diga se no fim das contas o melhor não está bem aí.. pertinho das suas mãos.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Ana Rafaela Bispo da Costa
CRP: 06/95603

Psicóloga pela UMESP
Pós Graduada em Especialização em Informática em Saúde pela UNIFESP
trabalha no auxílio ao desenvolvimento de crianças e adolescentes e suas famílias, 
atuando na região do ABCD.
Contatos:
Whatsapp: (11) 982172197
ana_rafaela_24@hotmail.com

Facebook: Tempo de Aprender-se
Site: tempodeaprenderse.wixsite.com/tempodeaprenderse

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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