Coluna Maria Aline Constantino Psicologia e Família

Você sabe o que é Síndrome do Ninho Vazio?

A Síndrome do Ninho Vazio pode levar a problemas físicos e psicológicos quando não é bem elaborada.

Por: Maria Aline Moreira de Oliveira Constantino

“O mundo está muito ruim. Hoje em dia, se eu fosse jovem, não teria filho.”

Essa frase, em meio a muito choro e emoção, foi dita por uma cliente dentro do consultório. Acredito que ela esteja correta em seu discurso. Dado aos acontecimentos que o mundo vivencia, pensar em ter filhos é no mínimo assustador.
Essa cliente possui um filho que há alguns meses foi morar em outro país, sem previsão de voltar.
Sabendo desse histórico, será que a motivação para essa frase foi, realmente, a situação do mundo?

Vamos falar sobre a Síndrome do Ninho Vazio e suas implicações emocionais na vida, sobretudo, de mulheres que veem seus filhos tornarem-se adultos independentes.
Síndrome do ninho vazio é caracterizada pela sensação de tristeza, solidão e vazio que ocorre em homens e mulher (essa em maior índice) quando seus filhos crescem, tornam-se independentes e decidem sair de casa para viverem suas próprias vidas. Essa etapa do desenvolvimento gera profundo abatimento nos pais, podendo levar a problemas físicos e psicológicos.

A saída dos filhos de casa é uma transição difícil. E por que dizemos que esse é um período que afeta mais as mulheres? Porque, culturalmente, ainda vemos mulheres saindo de seus empregos e dedicando-se exclusivamente à função de mães. Mesmo quando as mulheres trabalham fora, são elas que exercem, prioritariamente, a função de cuidadora dos filhos. Assim, é comum ver mulheres apresentando desajustes psicológicos com a saída dos filhos de casa.
Algumas pessoas podem acreditar que essas mães não estão satisfeitas pelo momento que seus filhos estão vivendo. Isso não é verdade. A Síndrome do ninho vazio, não se caracteriza por uma insatisfação com a evolução dos filhos ou raiva por eles estarem saindo de casa. Para essas mães, esse momento é como se fosse uma perda de identidade, como se elas não fossem mais úteis.

Fatores culturais parecem estar associados a essa fase. Países em que as pessoas são preparadas para a saída dos filhos de casa, seja por casamento, estudo ou simplesmente para viverem sua independência, parecem sofrer menos com a síndrome do que países que privilegiam a dedicação exclusiva (principalmente das mulheres) à criação dos filhos.
O processo de mudança a essa nova fase é lento e gradual. Faz-se necessário a compreensão de que uma relação pode e deve ser cultivada independente da distância entre os familiares. Essa etapa é só mais uma fase do crescimento dos filhos e deve ser vista como um recomeço não só para eles, como também para os pais, levando a novas perspectivas e objetivos.

Ao final do atendimento, após iniciar uma reflexão acerca de sua frase e de seus sentimentos, a cliente falou:
“Será que eu não ia mesmo querer ter filhos por causa de como está o mundo ou é porque hoje eu sei que ter meu filho morando longe de mim dói muito?”

“E o médico perguntou: o que sentes? Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias.” – Denison Mendes, In Bonsais Atômicos, 2010

Referências:

Revisitando o conceito de síndrome do ninho vazio, SARTORI, A.C.R. e ZILBERMAN, M.L. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rpc/v36n3/v36n3a05.pdf

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Maria Aline Moreira de Oliveira Constantino
CRP 05/54266

Psicóloga Clínica Humanista Centrada na Pessoa
Psicopedagoga
Atuo na cidade do Rio de Janeiro – RJ
Contatos: 
Página: https://www.facebook.com/PsicologaMariaAline
Email: mariaaline.psi@gmail.com
Telefone: +55 21 991064777

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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