Autoconhecimento Coluna Jackeline Leal Psicologia Escolar e Educacional

Quão inteligente você acredita que é?

Os tempos mudaram e até hoje nós ainda estamos acreditando que a inteligência se mede assim, por níveis e por testes de QI.

Por: Jackeline Leal

Eu te desafio a parar, agora, por alguns segundos e responder à minha pergunta: Em uma escala de 01 a 10, qual nota você daria para o seu nível de inteligência?
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Sabe o que mais me surpreende nesta pergunta? Boa parte de nós a respondemos sem ao menos nos questionar, e isso acontece porque a maioria das pessoas acredita ser a inteligência algo estático e que não exige discussões, ou seja, ou você é inteligente ou não é, e pronto.

Quando o assunto é inteligência, a escola é considerada o melhor local para se avaliar as pessoas e o seu nível de conhecimento. E para fazer isso de uma maneira eficiente, geralmente utilizam-se das provas e em muitos casos, dos temidos testes de QI (Inteligência).

Sim, isso seria incrivelmente assertivo se nós, seres humanos, não fôssemos tão complexos e não apresentássemos uma extraordinária gama de aptidões que vão muito além daquelas que a escola e as limitadas avaliações são capazes de mensurar.

Esse pensamento arcaico e reducionista sobre o nível de inteligência das pessoas, começou por volta do século XVII com a chegada de um período que demos o nome de Iluminismo. “Um dos pilares deste movimento era a valorização do raciocínio e da lógica. Os filósofos argumentavam que não deveríamos aceitar como conhecimento qualquer coisa que não pudesse ser provada por meio de raciocínio lógico…” como disse Ken Robinson em “O Elemento-Chave”.

Para aquela época em específico, utilizar de ferramentas para medir as competências e habilidades das pessoas era algo incrível e extremamente útil, afinal de contas era primordial que as pessoas fossem “dispostas” nas oportunidades existentes de trabalho corretas, de acordo com as suas habilidades (principalmente nos EUA e Europa nos períodos pós-guerras).

Acontece que os tempos mudaram até hoje nós ainda estamos acreditando que a inteligência se mede assim, por níveis e por testes de QI.

Poucas pessoas têm parado para pensar que sequer Binet, o inventor do Teste de QI, tinha o objetivo de transformá-lo em uma ferramenta limitadora. Seu real objetivo era identificar em determinado momento no tempo, o nível de inteligência individual e o foco dela (musical, numérica, biológica, humanas, artísticas, entre muitas outras).

Assim, o meu objetivo neste texto é levar você a refletir sobre a não necessidade de se encaixar nos padrões escolares, como sendo algo mais do que possível, algo comum.

Isso quer dizer que muita gente passa boa parte da vida se menosprezando pelo simples fato de não ser um talento com números e pouca gente valoriza a amplitude das possíveis inteligências que existem no mundo. Por isso, faz-se necessário repensar, rediscutir urgentemente a Escola e ter seus modelos de Educação renovados.

Você consegue imaginar o que seria do nosso mundo se todas as pessoas fossem gênios matemáticos? Nada contra os gênios dos números, mas não acredito que a vida seria muito divertida sem que existissem pessoas com habilidades, por exemplo, para contar piadas e nos fazer sorrir.

Você já parou para pensar que não necessariamente todas as habilidades do mundo necessitariam ser encaixadas nas áreas determinadas pelos testes de orientação vocacional? (Humanas, Exatas e Biológicas).

Vamos testar isso? Qual seria a área que deveríamos encaixar Ayrton Senna, Nadia Comaneci, Gustavo Kuerten, Ivete Sangalo, Silvio Santos e tantos outros, talvez até você ou seus filhos?

O mundo está mudando muito rápido e isso significa que talvez daqui a 10 ou 15 anos, existe uma possibilidade de o teu curso de formação ter sido extinto ou que ele necessite ser reinventado para atender às novas demandas de Mercado.

E então, você vai descobrir tardiamente que passou boa parte da sua vida tentando se encaixar em um padrão arcaico de educação e mercado de trabalho que foi criado há décadas atrás, com o intuito de responder a uma demanda pós Segunda Guerra Mundial de escassez de produção de conhecimento e conteúdo…

Sim, pensando desta forma, perde um pouco de sentido pedir que o teu filho tire nota dez em todas as disciplinas escolares, até naquelas que ele não tem afinidade ou não suporta. A situação vista de um outro ponto de vista, nos mostra que esta cobrança não garante que o seu filho seja feliz profissionalmente e nem ao menos pessoalmente.

Por tanto, se você realmente quer fazer algo por amor, pensando no bem-estar e no futuro das nossas crianças, melhor primeiro começar a aceita-las como elas são e tentar ao máximo permitir que elas floresçam de acordo com as suas paixões e habilidades. Observar em qual área ela se destaca, em qual área ela se sente feliz e consegue ser espontânea e criativa e aí ajudar para que elas possam explorar este novo mundo.

Desta forma, pode ser que você não tenha um gênio da matemática em casa, mas tenho certeza de que terá filhos felizes.

Imagem capa: Pexels 

Jackeline Leal
CRP 16/1585

Psicóloga Clínica, Pós Graduanda em Psicodrama pelo IDH/RS, 
Formada pela FAESA/ES, atende em Vitória/ES.
Jackeline também é Coach de Carreira e Negócios e conta com 
mais de 10 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas.
Contatos:
E-mail: contato@jackelineleal.com.br 

Facebook.com/jacklealpsicoach
www.jackelineleal.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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