Ansiedade Coluna Cris da Rocha Depressão

Eu já tive ansiedade e depressão

Foi o amor de amigos e principalmente o amor da minha família e os cuidados médicos e terapêuticos que foram me ajudando a ter um norte para minha vida.

Eu tive ansiedade e depressão
Sim, eu tive! Não tenho vergonha de dizer que 2017 foi o ano com mais surpresas difíceis que os anos anteriores. Comecei a sentir umas dores na coluna e joelho. A dor irradiava por todo meu corpo. Andava preocupada, pois tinha várias responsabilidades. Entre elas, a faculdade, os serviços domésticos, família, leituras acadêmicas e o trabalho. Trabalho com crianças e pré adolescentes, e minhas energias diminuíam a cada dia. Mas fiz de conta que era mais forte que todos os poderes da MULHER-MARAVILHA e continuei.

Cada dia acordava mais cansada. Dormia pouco, comecei a ter insônia e acordava como se tivesse passado a noite levando uma “surra”. Corpo dolorido. Desânimo. Tentava não dar ideia pra nada disso. Tinha uma vida cheia de coisas pra fazer, “não tinha tempo para dores e desânimo.”

Com os dias passando as dores aumentavam ao ponto de eu não conseguir andar. Foi quando procurei um ortopedista, fiz vários exames e descobri doenças que estavam também muito relacionadas com a ansiedade que estava me assolando. As dores deram uma pequena trégua depois de alguns medicamentos e fisioterapia. Mas o coração continuava acelerado e a vontade de não fazer as coisas do dia a dia aumentavam. Fazia um esforço tremendo pra tentar fazer o básico do básico, ainda assim, não estava conseguindo.
Achei que podia estar cansada, com tantas obrigações. Procurei uma médica e ela disse que estava com TRANSTORNO DE ANSIEDADE. A ansiedade todos sentem, ela é até importante pra nossa vida. Porque ela vem com um pouquinho de medo e essa ansiedade comum, pode nos proteger, nos alertar pra várias situações perigosas ou pra nos fortalecer e nos ajudar a pensar o que temos que fazer… fugir ou enfrentar. Ansiedade que se sente quando vai fazer uma prova, passar por uma seleção profissional, numa prova pra se tornar motorista de automóvel, quando se vai viajar é perfeitamente normal.
A ansiedade que passei, ela paralisou a minha vida. Parei de fazer coisas comuns e que me davam prazer. Ela transtornou, modificou toda carga de energia que tinha para enfrentar os desafios da vida.
Sentia a vida ir parando em câmera lenta. Na verdade era eu que estava parando.
Voltei a médica com uma hipótese diagnóstica da minha terapeuta. Ela sugeria que um quadro de ansiedade generalizada poderia estar me parando. A médica leu e disse, precisamos cuidar desse TAG e desse início de depressão. Saí do consultório chorando porque o primeiro diagnóstico sim, mas o segundo? Não aceitava.

Quando vi, estava deitada numa cama sem força pra nada. Tranquei a matrícula na faculdade, fiquei de licença no trabalho e me sentia péssima. Fraca. Sem forças. Me perguntava porque havia me deixado chegar a este ponto. Ainda doente, me cobrava muito.
Passei meses deitada numa cama tendo crises de ansiedade. Parei a minha vida abruptamente. Deixei minha filha se virar sozinha. Quando meu marido estava em casa, ele, tristemente cuidava das coisas que geralmente eu fazia.
Tem gente que acha que alguém deprimido é um preguiçoso, um mimado. Na minha família, não passei por isso. Eles me ajudavam me dando amor e carinho e isso me fortalecia, pois me sentia amparada. E tanto suas palavras e seus silêncios na hora certa, me envolviam numa onda de amor e esperança. Mas tudo era muito lento. Os dias pareciam não passar. E eu chorava o tempo todo, quando não estava chorando, estava dormindo.

Havia momentos que eu sentia vontade de viver, outras eu tinha vontade de morrer. Aquilo parecia que não iria acabar ou pelo menos diminuir. Uma onda de medo e crises de ansiedade tomavam conta de mim que vivi dias tão ruins, que achava que só eu passava por aquilo. Era um sofrimento só. Era uma dor de dentro. Uma coisa estranha… Parecia a vida se esvaindo.
Aos poucos e lentamente os remédios começaram a fazer efeito. Mas ainda tinha crises de ansiedade. Ficava dias sem banho. Comia muitas comidas gordurosas como salgados, pizzas, lasanha porque não conseguia ir até a cozinha para preparar algo. Comi muito miojo. Nem acredito!

Os dias passavam e eu ali deitada. Mudei toda configuração do meu celular, assim, ninguém me via e não falavam comigo. Queria me esconder do mundo. Tinha vergonha de ter depressão.
Foi o amor de amigos e principalmente o amor da minha família e os cuidados médicos e terapêuticos que foram me ajudando a ter um norte para minha vida.
As crises de ansiedade foram espaçando. Mas sentia medo e ainda não conseguia andar sozinha na rua. Tinha medo de que algo pudesse acontecer comigo. Acredito que quem passa entende muito bem.

Hoje me sinto bem melhor! Mas ainda tenho alguns receios, medos. Mas já consigo dominar a maioria. Uso menos remédios e aprendi que eles estão ao nosso dispor. Que sejam usados apenas por um tempo. Com responsabilidade e seriedade. É o que estou fazendo. Remédio não solucionará a fase que estou passando, mas me ajuda a ajustar – organizar a bagunça que ficou a minha mente e meu corpo. Depois é seguir na terapia, procurando compreender o significado para este momento onde tudo foi descompensado. Estou curada? Não. Nunca mais a ansiedade vai me assolar? Não sei. Posso ter depressão novamente ou entrar no estado crítico? Não há resposta. Tudo e nada pode acontecer. Posso ficar bem e não sentir mais nada. Embora precise aprender a lidar com os fatos da vida.

Não é fácil viver num mundo tão violento e ser uma pessoa completamente sã. Até porque nem acredito nessa sanidade toda, humanamente falando. Mas quero uma vida mais sadia mentalmente. Quero estar mais focada e com tempo pra me divertir. Dar gargalhadas e olhar pra frente.

Tenho projetos. Tenho vida e muita vontade de viver. Então a probabilidade cresce diante deste sentimento pela vida.
Se um dia passares por uma situação parecida, peça ajuda. Socorro. Uma luz! Há momentos que o negócio é ficar deitado. Faz parte do processo. Achando que a vida chegou ao fim, mas não chegou e nem chegará. Ligue pra um amigo. Fale dos sentimentos. Dos pensamentos absurdos que passam na sua cabeça. Das vontades que dão a cada minuto.
Arrume alguém em quem possa confiar. Sei que a vontade é ficar em silêncio o tempo todo, tente romper este ciclo. Chore. Chore. A ajuda irá chegar. Ninguém é totalmente sozinho. E este acolhimento será importante para o próximo passo. Vá ao médico. Mas tenha cuidado. Não vá a qualquer um. Vá também ao Psicólogo, terapia precisa essencialmente fazer parte deste processo – podendo colocar em ordem seus pensamentos, sentimentos e ação. A fé em algo pode ajudar. E siga em frente. Parece o fim do mundo, mas não é. Parece que tudo se perdeu. Mas cada coisa está em seu lugar – aguardando o momento certo para seguir o fluxo. E poderá sentir-se bem melhor.

Não fique perto de pessoas que ficam “querendo ajudar”, mas ao contrário, culpam você de ter depressão. Frases como:”Levanta, isso não combina com você”. “Seja forte”. “Essa coisa de depressão é coisa da sua cabeça”. “Você precisa ter fé em Deus”. “Onde está aquela pessoa alegre?” “Eu comecei a ter depressão, mas não me deixei dominar por ela não”. “Levanta e vamos dar uma volta, você vai logo ficar boa”. Tenha cuidado com estas frases e outras que podem deixar você muito pior.

Hoje me sinto muito bem. Estou realizando minhas atividades e retornando pra faculdade. Dando atenção à minha família. Saindo pra me divertir. Ouvindo músicas, fazendo atividade física e focando na minha saúde mental.

Imagem capa: Pexels

Colunista

Ana Cristina Vieira de Souza
(Cris da Rocha)

São Gonçalo – RJ
Professora d0 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental;
Formada desde 2007 em Pedagogia;
Especialização em Educação: Orientação Educacional, Supervisão e Administração Escolar, 2008;
Já atuou como Orientadora Educacional na rede pública de Ensino do Município de Itaboraí do 1º ao 9º ano;
Trabalha com crianças e adolescentes no Projeto Sala de Leitura, onde atua como professora de Literatura, estimulando crianças e adolescentes ao desejo e hábito de ler.
Atualmente é estudante do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas – FAMATH, em Niterói.
Contato: prof-anacris@hotmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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2 comentários

  1. Excelente depoimento Ana Cristina! Também enfrentei em 2016/2017 situações com síndrome do panico e depressão. Sei a luta que é para o individuo que enfrenta tal coisa, e sei também que essas dores emocionais são muito particulares a cada um. Que bom que estamos domando essas situações emocionais com as medidas adequadas! Um abraço

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  2. Ana Cristina. Sua situação parece identificadamente com minha, porque quase me suicidei devido ao grau aumentativo de ansiedade e depressão que me pressionavam a sentir sozinho nos quatro cantos ao morar sozinho na casa de aluguel, porque os irmãos de minha família nunca me felicitaram quando era o dia meu aniversário e tinha a absoluta dúvida de que ela seria minha mãe. Pelo que entendo, a falta de amor maternal, paternal e fraternal e morar sozinho na casa de aluguel podem gerar indubitavelmente como consequência a ansiedade com qual sofri muito a cada dia e cada momento oportuno. Mas em outro momento oportunidade, conquistei uma mulher especial como fosse minha esperança. Assim, acompanhar com ela faz de modo tendencioso com que eu consiga ter o equilíbrio de vida e superar os obstáculos.
    Antes de subirmos ao altar de casamento, recebi a perdão pedida pela mãe que me reconheceu como fosse o amor dela.
    Hoje, a presença de minha esposa muito linda e com sabedoria sempre me dá um norte para sucesso de vida.

    Mas estou feliz com sua experiência, porque aprendi com sua reflexão a respeito dos conselhos que me oferecem uma oportunidade: superar muito a tudo. Está de parabéns!!!!

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