Autoestima e Motivação Coluna Alex Valério Reflexões

A vida pode até ser leve, mas você precisará se livrar daquilo que é pesado demais para carregar

Uma parte do sofrimento que você vive é fruto da sua própria maneira de viver.

Por: Alex Valério

Uma parte do sofrimento que você vive é fruto da sua própria maneira de viver. Ao longo da vida você deve ter se decepcionado algumas vezes, se magoado, experimentado alguns momentos de felicidade, de paz e de amizade. Possivelmente, em alguma fase da infância/adolescência você deve ter sofrido gozações dos colegas e, talvez, parte destas coisas que te disseram, lhe acompanhe até os dias atuais.

Vamos imaginar que nós carregamos nas costas uma espécie de caçamba imaginária (tipo aquelas de caminhão). Cada acontecimento da sua vida até hoje, foi sendo jogado ali atrás e só você pode decidir o que fazer com estas coisas. Por exemplo, você pode curti-las por um tempo e depois se desfazer delas; pode armazena-las cuidadosamente, garantindo que esteja ali toda vez que desejar; pode esconder algumas das coisas nos cantos ou embaixo de outras coisas, para que ninguém possa ver (nem mesmo você). E por aí vai… As possibilidades do que fazer com aquilo que você carrega são infinitas. Mas, agora, faça uma breve reflexão: como anda sua caçamba? Coisas de mais? Coisas de menos?

Normalmente nós carregamos muitas coisas. Cada um de nós lida com a própria bagunça de um jeito diferente. Há aquela galera mais desapegada, que consegue se desprender com facilidade de muitas coisas, mas também, há aqueles que são apegados demais, que não retiram nada do lugar e que, às vezes, optam por esconder algumas coisas no cantinho, para que ninguém mais veja. Clarice Lispector já dizia que até cortar os nossos próprios defeitos pode ser perigoso, pois nós não sabemos qual deles sustenta aquilo que somos. Isso só nos mostra que, de algum jeito, nós sabemos que é arriscado retirar as coisas do seu devido lugar e, diante disso, tentamos preservar aquilo que temos. É natural que haja dificuldades, nós passamos uma vida organizando o “nosso mundinho”; qualquer mudança nos coloca a mercê de pôr tudo a perder (a vulnerabilidade é algo assustador).

Mesmo quando as coisas não estão boas, nós insistimos em manter tudo como está. De alguma maneira, é uma espécie de passar por algo “ruim”, mas que é conhecido e, portanto, suportável. Às vezes nós optamos por aceitar que não temos sorte e que as coisas apenas são como são. Tudo isso carrega um grau de comodidade e que, apesar de desconfortável, é seguro. Às vezes criamos tantos problemas e inventamos tantas desculpas para justificar algo para nós mesmos, que acabamos tornando as coisas cada vez mais megalomaníacas e complicadas. Viver não é fácil, mas você também não precisa agir como se estivesse desvendando um cubo mágico. Arrisque. Tire algumas coisas do lugar, livre-se de outras. Aliás, essa última parte é tão importante, que vou até repetir: LIVRE-SE DE TUDO AQUILO QUE NÃO TE SERVE MAIS.

Dentre as muitas coisas que carregamos conosco, parte delas, talvez, não se aplique mais aos dias de hoje. Não quero dizer com isso que você deva esquecer, – até porque essa nem sempre é uma possibilidade possível – mas que você deve fazer uma leitura atual da sua vida, olhando para a realidade. Você pode ser o que deseja, seja lá que coisa for essa.
Precisamos nos movimentar, para que as coisas possam acontecer e seguir na direção daquilo que queremos. Nenhum sonho irá se concretizar sem que você se arrisque, sem que você saia da sua zona de conforto. Se algo não der certo, acredite que isso faz parte do processo natural da vida. Lembre-se: você não aprendeu a andar na primeira vez que ficou de pé. Faça uma avaliação das coisas que você carrega consigo. Encha-se de coragem e livre-se daquilo que não precisa fazer parte de você. Libere espaço para que seja possível andar “mais leve” e, também, para permitir que outras tantas coisas possam ser adicionadas.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Alex Valério
CRP: 06/134435

Alex Valério é Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo (USP). Psicólogo pela Universidade Nove de Julho. É redator no Portal Comporte-se, colunista no Psicologia Acessível e, também, escreve para o próprio blog. Realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e casais. Está localizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Possui interesse em poesia, literatura, crônica, cinema, música e tecnologia. 
Contato: 
facebook.com/ominutoterapia

 

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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