Coluna Andréia de Sousa Leite Psicologia e Maternidade/Paternidade

Onde e quando começa o amor dos pais pelos filhos?

O chamado "enxoval psíquico", ou seja, o ato ou ideia de “sonhar” o filho antes mesmo de sua chegada, permite uma recepção afetiva dos pais ao bebê.

Por: Andréia de Sousa Leite

Inicio este pequeno texto com uma indagação: quando e onde começa o amor dos pais pelos filhos? Seria já a partir da descoberta da gravidez, por exemplo? Seria automaticamente como em um passe de mágicas que o amor brotaria em seus corações, e por falar em coração, seria nesse lugar ou na cabeça que se daria o nascimento do afeto entre pais e filhos?

Bom, é sobre essas possíveis respostas e outras demais questões da relação entre pais e filhos que discutiremos nesse texto.

É importante pontuar, que do ponto de vista do desenvolvimento mental, antes mesmo da concepção e nascimento de uma criança, é importante que o filho já comece a existir no imaginário dos pais, ou seja, “em sua cabeça”!
Assim, o planejamento seria mais que uma fase preparatória para a chegada da criança, bem como um momento importante da consumação do “desejo dos pais” pelo filho, uma espécie de pré-disposição subjetiva que faz brotar no interior dos futuros pais o sentimento aceitação do filho, elemento simbólico essencial para a aceitação e adaptação do filho. Vale acrescentar que, o filhote humano, diferente de todos os demais do reino animal, nasce com uma completa dependência de cuidados necessários à sua sobrevivência, caso contrário, o mesmo sucumbiria logo nos primeiros dias, pois enquanto no filhote animal o instinto é de certa forma o suficiente para garantir sua sobrevivência, o bebê precisa de alguém que o insira no mundo social, processo que inclusive o faz perder seus instintos, ou porque não dizer, o faz trocá-lo pela socialização.

São os pais os responsáveis por apresentar e preparar um lugar no mundo para o seu filho. E para que isso ocorra, é necessário uma espécie de “aceitação incondicional”, algo como um grande nível de entrega que vai atravessar e possibilitar a esses, mudar direto e completamente as suas vidas, já que com a chegada da criança aqueles deixam de ser apenas marido e esposa para se tornarem agora “pais” de um filho, do seu filho. Nesse sentido, faz-se importante que mesmo antes de nascer, o filho já comece a existir na imaginação dos pais que “idealizam o filho” através de especulações saudáveis, como por exemplo: qual será o sexo do bebê; será menino ou menina, se parecerá mais com o papai ou com a mamãe, qual será a cor dos olhos e a do cabelo?

Todas essas questões vão povoando a cabeça dos futuros papais e mamães, e tomando a forma de discursos que vão ganhando curso pelos diálogos do casal, e então todo este movimento “que começa na cabeça” vai passando a produzir um sentimento de amor e carinho que vão se manifestar “lá no coração” dos futuros pais.

Pode-se então perceber que todo esse movimento, que podemos chamar de “enxoval psíquico”, ou seja, o ato ou ideia de “sonhar” o filho antes mesmo de sua chegada, são os elementos do ponto de vista psicológico que permitem “uma recepção afetiva dos pais”, que na verdade são os grandes anfitriões desse novo ser a esse novo mundo, e sua importância também reside no fato de que, esse movimento dará condições psíquicas para que os pais possam sustentar e equilibrar a vida de seu filho à vida que eles já têm, com todos os seus demais papéis e compromissos de uma forma equilibrada.

Então, feito todo este planejamento que ao que vimos é real, mas também simbólico, a criança pode então chegar! Afinal de contas, o processo que se iniciou lá na cabeça dos futuros papais evoluiu de tal forma, que gerou sentimentos de aceitação do filho lá em seus corações com a certeza de que seu bebê já pode chegar, pois para ele foi preparado um espaço “com muito amor”.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Andréia de Sousa Leite 
CRP-22/0699; CRP-21/ISSO 008

Psicóloga clínica, com Formação básica em psicanálise e Clínica da intervenção precoce; Formada pela Faculdade Santo Agostinho-FSA (Teresina-PI), especialista em Terapia cognitivo-comportamental; Atende nas cidades de Teresina-PI e Timon-Ma; Atualmente trabalha no Cmam-Centro de atendimento multidisciplinar infantil e no Nasf-Núcleo de apoio a saúde da família; Ampla experiência nas áreas de Saúde pública, saúde mental e atendimento materno-infantil e familiar. Colunista do site Sucesso pede mais – (http://sucessopedemais.com/) com publicação de textos relacionados ao tema: Desenvolvimento infantil e relacionamento parental; Coach palestrante nas áreas de comportamento infantil e relacionamento familiar. Psicóloga voluntária nas Ongs- Centro Débora Mesquita e Grace Contato Esperança. Supervisora clínica.
Contatos: 
e-mail: andreia-milk@hotmail.com
Telefone (whatsapp) -(86) 98874-1168/99988-9099

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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