Coluna Ane Caroline Janiro Psicologia e Maternidade/Paternidade

Empatia aos diferentes tipos de maternar

Tem algo em especial nas mães que costuma gerar nos outros um certo sentimento de "ah, preciso falar o que eu penso". É claro, não gosto de generalizar as coisas, mas já perceberam o quanto a maternidade às vezes parece ser uma grande pesquisa de opinião?

Por: Ane Caroline Janiro 

É verdade que a maioria das pessoas gosta bastante de opinar e já deveríamos estar mais acostumados a isso… mas é verdade também que se existe um alvo mais fácil para os dedinhos apontados, esse alvo são as mães. Tem algo em especial nas mães que costuma gerar nos outros um certo sentimento de “ah, preciso falar o que eu penso”. É claro, não gosto de generalizar as coisas, mas já perceberam o quanto a maternidade às vezes parece ser uma grande pesquisa de opinião?

Como estamos em uma época de fácil acesso a todo tipo de informação (o que é ótimo), talvez os palpites do tempo das avós e das tias tenham se especializado um pouco mais e atingido grandes proporções. Hoje todo mundo sabe um pouco sobre amamentação, tipos de parto, sono do bebê, choro do bebê, chupeta, desfralde, mamadeira… E quero frisar que não acho ruim. Na verdade tem tanta descoberta acontecendo nesse universo materno, que falarmos sobre tudo isso com as mamães e trocarmos informações é muito positivo quando a intenção é contribuir.

O lado negativo da coisa é justamente o dedo apontado. Ou a dúvida que vem acompanhada de um ar de crítica ou comparação. “Nossa, você não amamentou? Eu conheço uma pessoa que teve o mesmo problema que você e conseguiu amamentar normalmente”. “Você não acha que esse bebê vai ficar mal acostumado com tanto colo? Depois ele só vai querer dormir no seu colo!”. “Será que esse bebê não está mamando demais? Está muito gordinho”. “Será que ele não está chorando de fome? Talvez o leite não seja o suficiente.” Afirmações assim vem sempre com um “quê” de “eu acho que você não sabe o que está fazendo, do meu jeito é melhor” e não com a intenção de “será que essa mãe vai se sentir amparada com a minha fala?”

E se passássemos a pensar, antes de tudo, que aquela mãe com certeza está tentando fazer o melhor pelo seu bebê? Que ela pode ter experenciado milhares de sentimentos e situações que não sabemos, só estamos vendo “de fora”? E se tentássemos enxergar aquele maternar, daquela mãe em particular, de uma forma diferente do padrão das teorias que já ouvimos? E ainda que a gente julgue que ela está no caminho errado, a forma como dizemos isso – se é que precisamos dizer ou se é que a mãe solicitou a opinião – faz toda diferença. Isso deveria valer para tudo, mas já que estamos falando de maternidade, que tal exercitar mais o respeito pelas vivências de cada mãe? Saber que se aquele caminho não é bom para você, pode ser bom para o outro. Entender que as experiências com um bebê não são baseadas no 2+2=4, porque além de cada mãe ser única, cada bebê também é. A teoria que você conhece pode sim ser ótima, mas pode não ter dado certo com aquela mãe. E ok!

E para as mamães, um dos aprendizados que devem vir no pacote dessa nova fase é o de aprender a filtrar tudo o que não é bom para você e seu bebê – porque sim, virão muitos e muitos achismos. Mas esse filtro também requer certo preparo emocional, especialmente para as mães de primeira viagem – nós, que vivemos aquele misto de novidade com insegurança. Então a dica é pegar tudo aquilo que for útil, tentar descartar o que não for e absorver o mínimo possível de estresse dessas situações – uma carga adicional que você definitivamente não precisa nesse momento.

Tornar isso tudo mais leve também vai exigir certo empenho nosso. Um empenho e um ouvido mais atento para a nossa rede de apoio, o lado de onde vem acolhimento e apoio; um ouvido menos atento aos julgamentos; uma segurança por estarmos em busca de fazermos o melhor que podemos e nos sentirmos mães por inteiro conseguindo amamentar ou não, tendo parto normal ou cesárea, colocando para dormir no berço ou fazendo cama compartilhada. Conscientes de nossas escolhas, sempre, claro.

Imagem capa: Pexels

12009753_1145254608837345_2914420128489159683_n


Sobre a autora:
Ane Caroline Janiro
Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
É casada, mamãe do Lucas, escreve sobre Psicologia, Maternidade, Família…
Instagram: @carolinejaniro

 


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


Gostou deste conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!
Cadastre-se também na opção “Seguir Psicologia Acessível”e receba os posts em seu e-mail!


Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

 

Dicas de livros sobre Maternidade (link para a loja nas imagens):

Capturar

Capturar2 Capturar3

Deixe um comentário (seu e-mail não será publicado)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s