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O valor do amor antigo


Por: Ana Luiza F. C. Garcia

Minha dica especial para valorizar o amor antigo tem relação com visitar o passado… Nos relacionamentos mais recentes a intensidade nas manifestações de afeto é muito espontânea, frouxa, simples. Nos relacionamentos mais longos a coisa muda de figura. Mergulhados na rotina, nos afazeres automáticos e na certeza de que nosso amor já está conquistado nos acomodamos e deixamos de ser intensos nas demonstrações de carinho, desejo, reconhecimento, admiração.

Nos enganamos achando que depois da conquista está tudo pronto quando na verdade é onde tudo começa! É quando a gente tem que se esforçar pra manter aquilo que funciona, a relação legal que a gente tem. Então minha dica vai especialmente para os casais que já se “acostumaram” um com o outro. Resgate com intensidade!!! Revisite fotos, cartas, emails, recordações em geral que te lembrem o quanto você quis estar com seu amor, o quanto já rolou o frio na barriga, a água na boca, o desejo forte, o quanto era inebriante o gosto, o cheiro, o toque, o enlace. A risada frouxa, o abraço de urso, o beijo de língua! Há quanto tempo vocês não escapam daquele selinho fraterno e se engatam num beijo de língua molhado? Lembra o que você achou do beijo do seu amor logo ali no começo, lembra que aquele beijo te esquentava o corpo todo?

E aí então você pode relembrar e constatar que está tudo ali ainda! Numa nova roupagem, em um novo e sólido estilo de se relacionar.

Promova um encontro, um momento especial de resgate dessas sensações, tendo gratidão e se embevecendo pelo fato de ter tido essa oportunidade desde que decidiram caminhar juntos e faça consigo um compromisso de revitalizar e valorizar o seu amor. Pequenas atitudes realizadas com atenção e afeto promovem grandes resultados.

Essa coisa de achar que a única fase prazerosa na relação é aquela do frio da barriga faz com que a gente perca a delícia que podem ser novas sensações e novos prazeres adquiridos com a intimidade, o vínculo, a segurança. Existem tantas outras formas de ter aquelas borboletas batendo as asas no nosso estômago! Já tentou uma nova atividade, dança, teatro, luta, curso de seja lá o que for? Já tentou encher a sua porção individual com desafios estimulantes em vez de achar que precisa de uma nova relação amorosa pra se sentir vivo? Em tempos de amores líquidos a gente precisa ir no contra fluxo, valorizar aquela casa consistente que construímos tijolinho por tijolinho, do reboco à decoração.

Claro, se for uma relação ruim, que muito mais subtrai do que soma, faz sentido querer encerrar. Mas se for só por falta de “novidade” exercite mais sua criatividade no que diz respeito à inovação e aprenda a resgatar a sua relação antiga assim como novos prazeres individuais.

Desejo que a gente sempre saiba olhar pra dentro e perceber o quanto já temos, como já é bom e tenhamos a consciência de que não tem nada pronto, a construção é diária, sutil, trabalhosa, mas muito recompensadora.

Fundamental saber amar o constante, o estável, o comum, o simples, o conhecido… Reverenciando os pequenos e delicados milagres diários. Viva o amor, o amor companheiro, antigo, cheio de histórias e repleto de nós.

Imagem capa: Stocksnap.io

Colunista:

Ana Luiza F. C. Garcia
CRP 08100/87

Psicóloga formada pela PUC/PR.
Pós-graduada em Concepção sistêmica pela UP- Universidade Positivo.
Especialista em sexualidade humana pela USP.
Clínica em Curitiba/ PR, atendimento presencial e online.
Parceira do Portal sexo sem dúvida realizando
atendimentos no âmbito da sexualidade.
Pós-graduação em curso em Psicologia corporal no Instituto Reichiano.
Contatos:
Instagram – Psicóloga Ana Luiza Garcia (analuizafcg)
Facebook e Youtube – Psicóloga Ana Luiza Garcia

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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