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Por que não tratar a homossexualidade?


Por: Ariana Ribeiro Gomes

A pergunta que vem como título deste texto, “por que não tratar a homossexualidade?”, relaciona-se com a polêmica gerada a partir da decisão do juiz Waldemar Claudio de Carvalho que entendeu que o Conselho Federal de Psicologia não pode proibir estudos ou atendimento de (re)orientação sexual – abrindo a possibilidade para o que conhecemos como a “cura gay”. Salientamos que o CFP tem a Resolução nº. 01/1999 que impede que a homossexualidade seja considerada uma doença (nenhuma orientação sexual é uma patologia), e também impedia qualquer abordagem psicológica que propusesse uma reorientação sexual.

A decisão do referido juiz é uma resposta a uma ação de um grupo de psicólogos contra a Resolução 01/99 do CFP. O posicionamento daqueles que colocam a possibilidade de um tratamento para a homossexualidade está relacionado, entre outras questões, à existência de pessoas homossexuais que procuram psicólogos com o pedido por uma reorientação sexual, por uma reversão sexual. Nesse sentido, alguns perguntam se essas pessoas não tem o direito de terem seu pedido atendido.

A questão que podemos colocar é que todas as pessoas que se encontram em uma situação de conflito, seja relacionada ou não à sexualidade, sempre tiveram o direito ao atendimento psicológico. Conflitos de todas as origens fazem parte da subjetividade humana e podem ser trabalhados por psicólogos, aqueles que se referem à sexualidade não são diferentes. Mas esse trabalho não pretende promover uma reversão. Não podemos atuar para rebaixarmos as pessoas ao que é normativo, e isso não apenas quanto à sexualidade.

Outra questão importante de ser colocada é que o pedido por um tratamento da homossexualidade vem por sua não aceitação social. Sabemos que todos nós, Seres Humanos, não podemos viver isolados socialmente, todos nós precisamos de apoio e sustentação social. Dessa forma, não é compreensível que as pessoas queiram fazer qualquer coisa para que sejam aceitas? Não é compreensível que as pessoas queiram fazer de tudo para que não sejam vítimas de violência? Você sabia que, a cada hora, um homossexual sofre algum tipo de violência no Brasil?

Então, faz-se fundamental que exerçamos o comprometimento social que devemos ter enquanto psicólogos. Não precisamos procurar caminhos repressivos para que qualquer orientação sexual seja revertida, precisamos atuar para que a diversidade humana seja respeitada. Em uma sociedade em que a diversidade é respeitada não há espaço para que as pessoas queiram fazer qualquer coisa para serem aceitas, pois elas já são aceitas por aquilo que são.

Não podemos esquecer que a busca pela reversão da homossexualidade não é de agora, vários métodos foram usados com tal finalidade ao longo da história. Podemos citar: prisão, hipnose, castração, sessões de eletrochoques, induzir a aversão, lobotomia. Todos esses métodos além de, obviamente, não respeitarem a dignidade humana, não foram capazes de modificar a orientação sexual dos sujeitos que a eles foram submetidos – justamente porque a sexualidade humana pode variar, não se justifica um tratamento, uma cura.

Entendemos que os pontos levantados aqui respondem à questão “por que não tratar a homossexualidade?”, e deixamos nossa discordância quanto a qualquer posição que enfraqueça a Resolução nº. 01/1999 do CFP. Por fim, lembremos das palavras de Freud, em 1935, quando escreve para uma mãe que pede uma cura para seu filho homossexual: “(…) a homossexualidade não representa uma vantagem, no entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não supõe vício nem degradação alguma”. A degradação, certamente, está ao lado do preconceito.

www.site.cfp.org.br

https://super.abril.com.br/saude/homossexualidade-e-doenca/?utm_source=email

http://esquerdadiario.com.br/Em-1935-Freud-ja-dizia-que-a-homossexualidade-nao-era-doenca-e-nao-devia-ser-curada

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,a-cada-hora-1-gay-sofre-violencia-no-brasil-denuncias-crescem-460,1595752

Imagem capa: Pinterest

Ariana Ribeiro Gomes
CRP: 05/45263

Psicóloga, Formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ. 
Atende em Rio de Janeiro/RJ.
Observações: Projeto Multiplica Psi, Acompanhante Terapêutica na inclusão escolar de autistas, psicóloga clínica, mestranda em Psicanálise e Políticas Públicas.
Contatos: 
arianaribeiro.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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