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Textos de Juliana Lima Faustino no Psicologia Acessível.

Aprendendo com o diferente


Por: Juliana Lima Faustino 

Conviver com o diferente é um grande desafio. Estar disponível para acolher, entender, apoiar e aprender com o outro ainda exige de nós um grande esforço. Nesse sentido, a competição que permeia a nossa vida é um grande obstáculo no caminho da aceitação do diferente. Em uma sociedade onde se educa para a competição, olhar as escolhas dos outros com “bons olhos” exige que desconstruamos em nós todo um modo de ver e entender o diferente.

É preciso ressaltar que é totalmente normal e saudável que tenhamos as nossas preferências, que defendamos nossos valores, religião, time de futebol ou profissão, porque afinal tudo isso faz parte da nossa vida. Precisamos fazer escolhas e seguir determinados caminhos, isso é o que nos dá sentido na vida e não há nada pior do que uma pessoa não saber o que quer ou do que gosta, pois assim ela se perde do mundo e dela mesma.

O que é muito difícil para algumas pessoas entenderem é que mesmo que elas tenham suas escolhas, isso não significa que as escolhas do outro sejam ruins ou erradas. É possível sim sairmos um pouco do nosso mundo para adentrar o mundo do outro e ver o que ele tem a nos acrescentar. Mas a questão é como nós olhamos para esse outro que é diferente de nós. Se eu olho para outro e entendo que ele é tão digno de fazer as próprias escolhas quanto eu sou das minhas, então será muito provável que eu o aceite e o respeite.

O problema é que queremos estar sempre certos e impor nossas verdades, tememos ser, de alguma forma, “contaminados” pela verdade do outro, como se não pudéssemos aprender e crescer com o que o outro tem para ensinar. Ao me abrir para o outro, não significa que terei que abrir mão de minhas convicções, eu posso sim ter minhas opções e ainda assim aprender alguma coisa com o outro.

Estar aberto ao novo nos coloca diante de diferentes caminhos possíveis para uma vida melhor, mais completa. Sempre que me deparo com pessoas inflexíveis e radicais em sua forma de interpretar o mundo, percebo o quanto elas são mal humoradas e insatisfeitas, sabem falar muito sobre diversos assuntos, mas conhecem pouco sobre respeito, empatia, solidariedade e amor. Fechadas em suas próprias verdades elas se fecharam para os outros e as necessidades que eles carregam, limitadas em suas crenças impediram sua própria evolução interior.

Os muros que nos prendem são os da nossa própria visão, ao invés de usarmos nossas crenças, valores e saberes para melhorar a nós mesmos e aos outros, os usamos para dividir o mundo e as pessoas. Ao invés de competirmos conosco mesmos, competimos uns com os outros e assim criamos os menores conflitos e até as maiores guerras. As questões que realmente deveriam nos inquietar são aquelas que nos levam diretamente para dentro de nós. Dessa forma, se você realmente quer ser alguém que fará a diferença no mundo pergunte-se de vez em quando: Como posso melhorar a mim mesmo? Como posso mudar meu caráter? Como mudar minhas motivações e sentimentos profundos? Como ser um ser humano melhor hoje do que foi ontem? Quando nos preocuparmos mais em mudarmos a nós mesmos do que ao outro, sem dúvida veremos um mundo mais tolerante.

Imagem capa: Stocksnap.io

Colunista:

Juliana Lima Faustino
CRP 05/43780

Psicóloga (PUC-Rio) / Terapeuta Cognitivo-comportamental (Cepaf-RJ) 
Blog: www.psijulianafaustino.wordpress.com
Facebook: facebook.com/julianafaustinopsicologa
Instagram: @cuidando_das_emocoes

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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