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Reflexões acerca do ato de compartilhar


Por: Renata de Souza da Silva Rodrigues

Na infância somos ensinados que é importante aprender a dividir o que temos, compartilhar um brinquedo, dar um pedaço do que estamos comendo, enfim, deixar que os outros participem daquilo que é bom para nós. Entretanto, à medida que vamos crescendo começamos a aprender com aqueles que estão a nossa volta que compartilhar é algo secundário, que o essencial é garantir o que é nosso mantendo os outros distantes.

Aprendemos que não temos que dividir com ninguém o que ganhamos, o que temos ou mesmo o que ainda buscamos, porque podem “botar olho grande”. Aprendemos também a não ficarmos felizes com o que o outro conquista e isso tem sido tão verdadeiro no cotidiano das pessoas que ultimamente tem circulado nas redes sociais a seguinte frase “as pessoas querem te ver bem, mas nunca melhor do que elas”.

As questões citadas, tem me levado a reflexões acerca do compartilhar. O compartilhar de forma geral. Não me refiro aqui somente a questões materiais, como roupas, dinheiro, comida, dentre outras coisas, pois vemos hoje em dia pessoas necessitadas de coisas que o dinheiro não compra, como ensinamentos acerca de determinadas áreas: amizade, afeto, carinho, amor e respeito. Coisas que são possíveis apenas através do relacionamento de partilha. Você já pensou que muitos não possuem o conhecimento que você tem e que você pode ajudá-los? Muitos não sabem de questões que são básicas para você na sua vivência. Todos sabemos de algo que podemos ensinar. Já pensou em quantos se sentem abandonados e precisam de uma palavra de conforto e carinho? Somente outro ser humano pode realizar essa troca com outro ser humano através da conversa e da partilha.

Aprendemos rápido demais que se dividirmos o que temos ficaremos em desvantagem. O outro pode se tornar maior, se tornar melhor, quando esquecemos que, na verdade, precisamos uns dos outros. O que hoje eu sei, alguém me ensinou. O que você sabe, alguém te ensinou. Alguém teve a coragem de dar um pouco do que tinha para nós. O que não sabemos, alguém, em algum momento, irá nos ensinar. Quando partilhamos o que está em nossas mãos, colocamos em prática aquilo que aprendemos na infância e que deveria permanecer em nossas atitudes, mas que, às vezes, se perde no caminho a cada passo que damos para virar adultos. Quando dividimos o que temos de conhecimentos e de sentimentos, criamos uma rede de pessoas em desenvolvimento, compartilhamos e recebemos ao mesmo tempo. Encerro o texto com uma frase de Beda, o Venerável, escrita no século VIII, que traz uma reflexão e constatação importante: “Há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe; não praticar o que se ensina; não perguntar o que se ignora”.

Imagem capa: Pexels

Colunista:

Renata de Souza da Silva Rodrigues
CRP 05/48142

Psicóloga, graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro / UERJ.
Atende no Rio de Janeiro oferecendo atendimento clínico e
orientação profissional para adolescentes, jovens e adultos.
Uma das idealizadoras da Fanpage e Projeto Multiplica Psi.
Contatos:
E-mail: renata.rodrigues.psi@gmail.com
Facebook.com/multiplicapsi

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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