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Transição capilar e seu impacto emocional


Por: Mariana Santos

Já parou para pensar sobre qual o impacto do seu cabelo em sua vida? O nosso cabelo consegue comunicar às pessoas aspectos da nossa personalidade e até mesmo nosso estado de espírito.

Desde a antiguidade o cabelo é utilizado por diversas culturas como forma de expressão e simbolizando aspectos como força, sedução, status, estado civil, sexo, entre outras coisas. Assim como também foi utilizado como forma de luta política e resistência na década de 60 com o movimento Black Power, trazendo à tona debates sobre o racismo e a imposição da cultura europeia sobre os negros.

Nos últimos anos está aumentando o número de meninas e mulheres assumindo seus cabelos crespos e/ ou cacheados. E aos poucos estão surgindo mulheres na mídia, principalmente nas mídias sociais, falando sobre o cabelo crespo e sobre o processo de transição capilar. A transição capilar é o processo onde a pessoa deixa de utilizar produtos químicos que modificam a estrutura do seu cabelo (ex. progressivas, alisamentos ou relaxamentos) e passa a assumir seu cabelo natural.

Vivemos em uma sociedade que embora queira esconder, ainda possui muitos preconceitos com relação a nossa ancestralidade africana. Podemos observar estes preconceitos em pequenas frases do dia a dia, frases estas que desvalorizam a identidade negra. Então, como assumir o cabelo crespo, onde mostrar aspectos da minha negritude é considerado negativo?

A menina de cabelo crespo e/ou cacheado desde pequena é submetida a “rituais de beleza” que buscam esconder o volume e/ ou a estrutura do seu cabelo, deixando-as mais próximas do padrão social. E nesta imposição, muitas vezes são expostas a produtos químicos. Dessa forma, como gostar do seu cabelo, se ele é difícil de pentear, dá tanto trabalho e causa tanto sofrimento cuidar dele? Além disso, ao olhar a sua volta observa que todas as mulheres alisam seus cabelos, então cresce achando que é deste modo que também precisa ser.

Desta forma, a menina cresce com ideias negativas a respeito do seu cabelo (“cabelo ruim”, “cabelo duro”, “palha de aço”, etc.) e acredita que cabelo bom é o cabelo liso, pois não tem sofrimento para pentear. E na maioria das vezes, passa a reproduzir com suas filhas a mesma ideia sobre o cabelo.

Assim, este processo da transição capilar não é apenas um processo de mudança externa, antes e durante a transição capilar a mulher passa a lidar com questões internas e passa a reviver com os preconceitos que viveu na infância.

Hoje com o aumento das mulheres assumindo seu cabelo de forma natural e o aumento gradativo de mulheres negras em canais no youtube, em blogs, na televisão, etc., estão ocorrendo vários debates sobre este tema. Estas discussões ajudam no empoderamento destas mulheres, para que assim possam assumir seu cabelo natural. Porém, mesmo com o aumento da representatividade na mídia, este processo acaba tornando-se doloroso pois, além de fazê-la reviver as experiências negativas que teve com seu cabelo, a transição mexe com a autoestima da mulher, uma vez que seu cabelo durante um período fica sem definição e é necessário que tenha paciência para que chegue ao resultado esperado.

Na transição capilar, muitas mulheres acabam desistindo por não estarem fortalecidas para lidar com as questões emocionais geradas por este processo. Deste modo, realizar uma psicoterapia neste momento pode ajudar esta mulher a lidar com as dificuldades da transição, atuando no fortalecimento interno e no seu empoderamento. Assim, este processo de transformação interna e externa passa a ter uma sustentação maior, pois o ego estará mais fortalecido.

Imagem capa: Pinterest

Mariana Santos
CRP 06/126116

Psicóloga Clínica, graduada em Psicologia pela UNIP.
Conhecimento avançado em LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais (Derdic/PUC-SP).
Atende na Chácara Santo Antônio – São Paulo/SP 
Contatos: 
Fone: (11) 95490-5944
Email: marianasantos.psico@gmail.com

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