Arquivo da categoria: Prevenção em Saúde Mental

Prevenir é melhor que remediar (?)


Por: Joscelaine Lima

Percebemos que muito se fala sobre a prevenção e sua importância, entretanto, parece que tem ficado muito no apenas falar, e na realidade a maioria das pessoas não levam a sério na prática como é comentado. Pude visualizar isto de forma mais concreta ao trabalhar na Atenção Básica dos serviços públicos, na Saúde e na Assistência Social. Percebi que por mais que falemos sobre prevenção, na hora de colocar em prática ela não é valorizada, pois, quando a prevenção foi eficaz, a situação que poderia ter acontecido deixou de acontecer, sendo difícil visualizar sua eficácia.

Observo que, de maneira generalizada, podemos perceber um descaso com a prevenção, tanto dos gestores e governantes quanto das pessoas em geral, pois, a maioria das pessoas busca cuidar da saúde, seja física ou mental, quando já existe um problema instalado, quando já se está em grande sofrimento, quando a dor não passa com um simples analgésico, o estresse não desaparece com um passeio ou festa para “espairecer”. Ou nunca buscam ajuda, até que venha a depressão profunda, a tentativa de suicídio, o surto ou a crise aguda.

Muitos falam que o combate ao crime deveria ser mais eficaz, que o policiamento deveria ser aumentado, que a pena de morte deveria ser estabelecida, etc., ok, concordo que algumas destas atitudes deveriam acontecer, mas seria mais barato e bem mais eficiente investir em prevenção.

Quantas crianças e adolescentes ingressam no mundo do crime ou prostituição por não conhecer outra realidade? Geralmente isto acaba acontecendo por não saber que existem outras possibilidades e outras formas de viver, por ter suas expectativas de futuro limitadas, pois seus familiares vieram destas realidades e não houve trabalho do setor público eficaz com estas crianças, jovens e famílias, levando-os a perspectivas diferentes.

Muitas pessoas passaram a ter crises de pânico, entraram em surto psicótico, cometeram crimes ou suicídio por estarem em sofrimento emocional por tanto tempo, entretanto, elas e os que estavam próximos não perceberam a tempo a necessidade de buscar ajuda, de fazer psicoterapia, de falar dos sentimentos, ou perceberam mas não deram o devido valor, não levaram a sério, até que “o pior” aconteceu, destruindo vidas e tudo de maravilhoso que poderia ter acontecido.

Quantos relacionamentos poderiam ser saudáveis, construtivos e agradáveis se logo ao começar se deteriorar as pessoas tivessem tido a atitude de dialogar, de buscar ajuda se necessário? Entretanto, foram deixando acontecer, ignorando os sinais, até que tudo estava destruído e os bons sentimentos direcionados ao outro haviam se transformado em sentimentos negativos ou mesmo inexistentes.

Doenças físicas se instalam e progridem por descuido com a alimentação, por sedentarismo, por trabalho em excesso, falta de momentos de descanso e lazer, enfim, por um estilo de vida desfavorável e, após o diagnóstico, as pessoas até mudam o estilo de vida, todavia, não conseguem recuperar o tempo perdido e pode ser tarde demais.

Enfim, são muitos exemplos que podemos ver de situações que se agravam e chegam a não ter solução por falta de prevenção. Porém, quando a prevenção acontece, nos programas e serviços públicos e de organizações não governamentais, com trabalho individual, familiar ou grupal, conscientizando as pessoas sobre a importância do diálogo, levando-as a reflexão sobre sentimentos, pensamentos e comportamentos, muitos destes problemas são evitados.

Todavia, é muito difícil mensurar os resultados da prevenção, já que não tem como saber o que teria acontecido, por isto ela é tão desvalorizada, sendo mencionada em muitas ocasiões, porém nem sempre colocada em prática.

Entretanto, devemos nos atentar ao valor da prevenção e prevenir tudo que estiver ao nosso alcance, pois, com certeza nunca será um erro, nunca trará prejuízo, com grandes chances de ser altamente positiva qualquer mudança de hábito e formas de pensar/agir no sentido de ter mais saúde, seja física, emocional, mental, relacional e social, fazendo bem a tudo e todos ao nosso redor, principalmente a nós mesmos.

Devemos quebrar paradigmas e hábitos que não nos fazem bem, mesmo que outros não valorizem, pois mudanças de hábito para melhor farão bem e as pessoas ao nosso redor perceberão, então poderemos influenciar os demais de forma positiva e promissora, gerando bons resultados duradouros.

Imagem capa: Stocksnap.io

Colunista:

Joscelaine Lima
CRP: 12/14672

Psicóloga clínica, formada pela Universidade 
do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015.
Atende em São Miguel do Oeste-SC.
Contatos:
Facebook.com/JoscelainePsicologia
Whatsapp: (49) 992028970

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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