Arquivo da categoria: Prevenção em Saúde Mental

O Adoecer e a Sociedade


Por: Ellen C. Fabri

Quando falamos em doença e o adoecer costumamos pensar sobre cada termo de forma isolada, como se o indivíduo fosse o único responsável pela sua condição física e seu adoecer, ora pela sua falta de cuidados com sua própria saúde ora por suas condições genéticas.

Acontece que o adoecer não é só isso!

A integralidade, ou seja, a reunião de todas as partes que formam um todo é essencial para compreensão do ser humano, as condições de moradia, saneamento, emprego, redes de apoio, contexto familiar e o todo que envolve o viver em sociedade também serão responsáveis pelo adoecer, caso essas condições não permitam uma boa qualidade de vida. Por isso, nas práticas de saúde não há como cuidar ou compreender um indivíduo adoecido sem ouvir e entender o contexto social em que vive.

Com essa noção de integralidade podemos pensar a sociedade e a cultura em que vivemos como potencializadoras do sofrer humano, principalmente no que tange a saúde mental. E é sobre saúde mental e sociedade que vamos discorrer nos próximos parágrafos.

Os sintomas psíquicos estão fortemente ligados a uma pressão cultural exercida pela sociedade que influenciam o indivíduo a associar o valor individual ao poder financeiro. Além disso a crescente urbanização e o avanço tecnológico também influenciam as definições do que é “bom ou ruim” e “ normal e anormal”, assim sendo o que melhor se enquadra nos padrões imposto socialmente é visto de maneira mais aceitável.

Percebemos que convivência entre grupos diferenciados são marcados por preconceito e discriminação, e isso acontece pela falta de espaços abertos à liberdade de expressão e a valorização do “ ter” ao invés do “ser”.

A desigualdade, a exclusão social e o preconceito fazem parte da manifestação do fenômeno do adoecimento mental. Com isso podemos dizer que o meio social influencia os indivíduos ao fornecer modelos de estruturação e formação da personalidade, assim a subjetividade dos indivíduos é estruturada de acordo com os modelos que já existem. Os que não conseguem se enquadrar as demandas dos ideais vigentes pela cultura são marginalizados favorecendo o aparecimento de diversas doenças mentais.

Ao ser vítima do jogo ‘cada um por si’ e ‘ que vença o melhor’ o indivíduo perde o apoio e o afeto dos que estão próximos e acaba por ficar à mercê da própria sorte. As pessoas encontram-se em crise por não saber mais quem são. Nessa crise surgem os mal-estares como tristeza, exclusão, melancolia… sintomas que são rotulados como depressão.

O ideal de homem requerido pela sociedade está longe da realidade dos indivíduos ou mesmo inalcançável. Este fator aumenta a incidência dos sintomas psíquicos, pois o desejo não é satisfeito plenamente por ser inesgotável, sempre há novos produtos no mercado, revistas padronizando a beleza e rede sociais padronizando “felicidade”.

Podemos concluir que os sintomas psíquicos são cada vez mais associados à “ pressão padronizável” exercida pela sociedade. Portanto, é necessário que nós enquanto sociedade passemos a valorizar questões mais fundamentais como relações humanas no sentido de poder formar uma população que compreenda a individualidade dando sentido a singularidade de cada ser.

Referências:

DE CARVALHO, Mariana Albernaz Pinheiro et al. SAÚDE MENTAL E A VISÃO ANTROPOLÓGICA: uma abordagem dos transtornos psíquicos sob o enfoque cultural. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 11, n. 1, p. 289-297, 2013.

Imagem capa: Pinterest

Ellen C. Fabri
Crp 06/133505

Psicóloga Clínica com enfoque Fenomenológico-Existencial.
Especializando em Saúde Mental e Atenção Psicossocial pela USC.
Formada pelas Faculdades Integradas de Jaú – FIJ JAÚ.
Atende na cidade de Jaú/SP
Observações: idealizadora do Projeto Florescer, que visa levar
a psicologia a indivíduos em situação de vulnerabilidade social
Contato:
Facebook.com/florirsejau
Instagram: @florirsejau

E-mail: ellen.fabri@gmail.com
Fone: 14 – 981482780

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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