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Não é só futebol.


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Não é só futebol. Nunca foi.

Pode ser difícil para muitos entenderem o turbilhão de emoções que o futebol provoca, porque de fato, parece ser apenas um jogo. Parece ser mera distração do mundo real, futilidade. Mas não é.

Futebol é sobre diversão, mas também é sobre sonhos. É sobre campo, bola, jogadores, mas é também sobre pessoas e seus planos, suas esperanças. É sobre clubes, negociações, contratações, mas também é sobre famílias, vidas. É sobre times, disputas, mas é também sobre unir povos.

Torcer para o time do coração tem a ver com a história de vida de cada pessoa, que quando assiste a um jogo de sua equipe, leva consigo toda essa bagagem emocional, que pode ser de maior ou menor intensidade. A paixão pelo time é um reflexo de tudo isso que trazemos na memória e ao torcer, é possível reviver muitas coisas: momentos com a família, cenas da infância, histórias com amigos.

Os sentimentos envolvidos vão muito além do amor à camisa, são capazes de trazer à tona muitas outras emoções.

Especialmente depois de um evento trágico, como a morte da maior parte do time da Chapecoense pela queda de do avião em que viajavam, incluindo repórteres e tripulantes, fica um pouco mais fácil compreender o poder de mobilização do futebol. Não estamos falando de Copa do Mundo ou de qualquer outra competição importante, estamos falando da gigantesca empatia que tomou conta de vários países diante da perda de vidas tão jovens, sonhadoras e cheias metas a conquistar. Pessoas de todas as partes do mundo e um país inteiro com um enorme nó na garganta. Clubes internacionais que sequer conheciam o time catarinense se solidarizando. Equipes brasileiras deixando a rivalidade de lado e se unindo, chorando a dor das famílias e amigos da Chape, como é conhecida, disponibilizando seus próprios atletas para ajudar na reconstrução do time, fazendo apelos e campanhas à Confederação Brasileira de Futebol para auxiliar neste momento. O time rival, Clube Atletico Nacional de Medellin, que enfrentaria a Chapecoense em final de campeonato, abrindo mão do título.

Momentos como esse deixam claro que, apesar de algumas experiências negativas com o futebol, podemos aprender com ele mais do que rivalidade. Podemos aprender sobre respeito, tolerância, diferenças, empatia. Podemos aprender sobre gostar e praticar um esporte. Podemos aprender sobre lidar com derrotas, frustrações, perdas. Podemos aprender a ganhar e aprender também que as vitórias precisam ser conquistadas. Podemos aprender a sentir a dor do outro sem precisar conhecê-lo.

Podemos aprender que não é só futebol. Nunca foi.

Foto de capa: Nelson Almeida/AFP

#ForçaChape

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Foto: Diário 24 horas

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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