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Ser feliz está acima de qualquer padrão


Por: Cris da Rocha

Estava outro dia pensando no quanto é colocado em nossa cabeça que a magreza é uma forma de existir e que sem ela não seremos aceitos. Isto é tão pregado pelas redes sociais, pela televisão, pelos jornais e revistas de beleza, que ficamos condicionados a acreditar que não ser magro é também receber menos amor, não ser aceito e que este padrão é o que se tem para encontrar a felicidade plena.

Começa então uma grande corrida pela vontade de emagrecer. Dietas mirabolantes, caminhadas, esteiras, zumba, jump, body combat, “não come isso, não posso aquilo”. E se gasta muita energia pra conseguir a fórmula mágica para deixar de ser gordo, para ser magro.

Então se passa a acreditar que a felicidade chegará quando a magreza fizer parte do corpo. Seremos aceitos. Amados. Olharão-nos como alguém que está atendendo ao padrão imposto pela sociedade. Alguém de fato bonito. Mas a coisa não para por aí, pois quem tem a tendência em engordar e enfim perde peso, precisa viver pra isso. Dietas, disciplinas, atividades físicas, tudo isso para o resto da vida. É guerra contra a balança.

O que me chama atenção é que se a pessoa engordou porque quando fica ansiosa come muito, ou por problemas endócrinos, ou come pela gama de problemas que carrega no seu dia a dia e vê na comida um escape por tudo isso, ela poderá apresentar um pouco mais de ansiedade pelo fato de precisar de tempo e disposição para viver uma vida bastante regrada e disciplinada. Com isso a ansiedade aumenta e cria-se um ciclo de “como pois estou ansiosa e engordo porque comi descompensadamente.”

Quem descobre que comer é uma forma de obter prazer, recorre a este recurso nas horas de aflição ou quando quer se sentir bem e aproveita porque gosta dessa relação com a comida.
Fico pensando em primeiro lugar que ninguém precisa se torturar pelo fato de não atender aos padrões impostos. E digo impostos porque eles são. Segundo, porque o ser humano precisa de certa disciplina para se organizar e isso não é só em relação à comida. É importante ser organizado para se sentir seguro. Agora, ficar obcecado para alcançar determinada meta não é e nunca será saudável. É importante coerência para viver bem e usufruir de alegrias na vida.
Seria importante partir do princípio que controlar doenças existentes é muito importante. E sentir-se bem é outro fator desencadeador de satisfação consigo próprio.
Ser gordo não é uma vergonha. Então, encontre-se! Seja feliz do jeito que você é.
Não atenda a padrão imposto, rebele-se! Só faça aquilo que você entenda ser bom pra sua vida. Ame-se!
Seu peso não define quem você é.

Tenho observado os consultórios de médicos que fazem cirurgia bariátrica lotados e tenho tido contato com pessoas que estão engordando para poder ter o IMC (Índice de Massa Corporal) aceito para fazer a cirurgia. Como tenho visto gordos sem morbidades e apenas com IMC elevado, sendo operados. Cirurgia bariátrica é uma das cirurgias mais realizadas no Brasil nos últimos tempos. Não sou contra a realização, mas vejo pessoas ficando magras demais, obsessivas com seus corpos magros, e vários que passam algum tempo magras e depois engordam novamente. Tenho visto pessoas trocando sua ansiedade de comer, por drogas lícitas e arrumando outro tipo de problema: o álcool em demasia.
A questão é: ou você caminha para o lugar do equilíbrio e vai ser feliz cuidando da saúde mental, da ansiedade, das questões que permeiam a sua vida ou vira escravo de hábitos rígidos que podem atribuir a você um status adoecido.

Cuide da sua saúde e seja um gordo feliz e saudável. Ou vai ficar num entra e sai, num engorda e emagrece, desequilibrando seu metabolismo e trazendo outras doenças para o corpo?
É preciso ser quem você é sem prejudicar você mesmo. Não ficar escravo de uma sociedade que tenta a todo custo fazer o ser humano refém dos seus objetivos que são: comprar, gastar e viver para usufruir de coisas materiais o tempo todo e atendendo sempre aquilo que lhe é cobrado: um corpo perfeito e ter coisas. Não é isso que faz o homem feliz.
Então, você é gordo realmente ou se sente gordo ou acima do peso, por exemplo? Vamos lá! O que você pode fazer por você si mesmo se está incomodado por se sentir como citei acima?

O que te faz sorrir?
O que te faz triste? Comece pensando na sua felicidade e não no seu peso. É difícil pensar nisso tudo sozinho?
Procure um psicólogo, ele poderá lhe ajudar nas demandas da sua vida. Mas o trabalho maior será seu. Ele ajudará você a repensar suas crenças, em coisas que não lhe deixam sossegado. Poderá te ouvir sem te julgar e você terá um espaço somente para você pensar, conversar e encontrar caminhos para uma vida com menos cobranças e mais liberdade.
Se você entende que consegue refletir sozinho, então mãos à obra. Comece agora. E pense que tudo que você pensa pode ser modificado apenas pela forma como você age diante das cobranças que lhe fazem. Seja positivo. Assertivo. Veja que você é muito mais importante que seu peso. Seu peso é um detalhe, sua felicidade é o que “pesa” na hora de você fazer qualquer coisa boa por você.

Ser magro pode até ser bom, mas não é tudo que a vida tem pra lhe mostrar de maravilhoso.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Ana Cristina Vieira de Souza
(Cris da Rocha)

São Gonçalo – RJ
Professora d0 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental;
Formada desde 2007 em Pedagogia;
Especialização em Educação: Orientação Educacional, Supervisão e Administração Escolar, 2008;
Já atuou como Orientadora Educacional na rede pública de Ensino do Município de Itaboraí do 1º ao 9º ano;
Trabalha com crianças e adolescentes no Projeto Sala de Leitura, onde atua como professora de Literatura, estimulando crianças e adolescentes ao desejo e hábito de ler.
Atualmente é estudante do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas – FAMATH, em Niterói.
Contato: prof-anacris@hotmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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