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Sofrimento e mudança: dois lados da mesma moeda


Por: Juliana Lima Faustino 

Como psicóloga eu observo o quanto os problemas e as dificuldades levam as pessoas a tomarem a decisão de mudar o rumo das suas vidas. Dificilmente alguém chega em meu consultório sem que relate algum tipo de sofrimento, geralmente, quando chegam até mim, elas já não estão vendo nenhuma saída.

Nesse momento eu percebo o quanto essas pessoas desejam uma mudança, elas chegam cheias de interrogações, questionando a vida, a si mesmas e aos outros. Sim, são os momentos difíceis que nos levam a questionar a vida, as nossas atitudes e as nossas escolhas e, eu vejo muito valor nos questionamentos e nas perguntas, pois elas são fundamentais para a nossa mudança. Enquanto perguntamos, nos movemos em busca de respostas e somos impulsionados a sair do lugar e fazer alguma coisa para mudar.

É neste momento, quando paramos de olhar para fora e passamos a olhar para as perguntas dentro de nós que encontramos dois caminhos: o caminho do conformismo e o caminho da mudança. E não é preciso ser psicólogo para saber qual o melhor caminho a seguir nesses momentos, nosso apurado instinto de sobrevivência nos diz exatamente qual a hora certa de tomar outro rumo. Contudo, se sabemos o momento da mudança, por que muitos optam pelo caminho do conformismo?

Mais uma vez nosso instinto de sobrevivência entra em ação e nos diz que, embora precisemos mudar, o melhor mesmo é permanecermos seguros e confortáveis onde estamos. O caminho da mudança é um caminho desconhecido, ele aponta, quase sempre, para dentro de nós, um território que nem sempre estamos preparados para descobrir. Como enfrentar medos e fantasmas que mantemos escondidos em algum lugar dentro de nós? Como encarar aquela pessoa que escondemos ser? Como reconhecer que, na maioria das vezes, somos os repensáveis por nossas próprias misérias?

Escolher o caminho da mudança é, de fato, uma escolha dolorosa, muitos não completam o percurso, desanimam ao perceber que precisam desenvolver habilidades e virtudes que não possuem, descobrem que precisam abandonar velhas atitudes e aprender novos comportamentos. O caminho exige esforço, renúncias, perseverança, paciência, humildade, virtudes essas que só serão desenvolvidas à medida que se caminha… Se nos permitirmos percorrer este caminho plantaremos novas atitudes e colheremos novos resultados. O outro caminho, o do conformismo, é menos trabalhoso e, nele sabemos exatamente como agir e nos defender, mas o problema é que seguindo esse caminho você descobre que ele dá em lugar nenhum. Nesse caso, o resultado é que, cansados de ter sempre mais do mesmo, chutamos o balde e desistimos, de nós, dos nossos sonhos, da vida.

Decidir mudar, é decidir ousar, é decidir voltar o caminho que se fez e refletir nos passos que foram dados, é ter disposição para dia a após dia treinar os novos passos, plantar o novo e exercer a paciência de esperar a nova colheita. É doloroso sim, é verdade, mas é libertador e não há nada que traga mais felicidade do que ser livre, livre para não ser mais vítima das circunstâncias, livre para escrever a própria história.

Colunista:

Juliana Lima Faustino
CRP 05/43780

Psicóloga clínica (PUC-Rio 2008), terapeuta cognitivo-comportamental (Cepaf-RJ 2011), Psicóloga na ONG Pra Melhor. Experiência clínica no tratamento de transtornos de ansiedade, estresse, depressão, relacionamentos e transtornos alimentares.
Contatos:
Cel: (21) 98108-1978
E-mail: julianafaustinopsi@gmail.com
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Blog: Cuidando das Emoções: www.psijulianafaustino.wordpress.com
Instagram: www.instagram.com/psico_juliana

 

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