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A Tecnologia Assistiva como Recurso para a Inclusão Escolar


Por: Susana Joaquim Rodrigues

A Política da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe que o estudante com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) ou altas habilidades/superdotação seja matriculado preferencialmente na rede regular de ensino e orienta os sistemas de ensino a promoverem respostas às necessidades educacionais especiais (NEEs), garantindo, entre outras coisas, o Atendimento Educacional Especializado (AEE), a acessibilidade (urbanística, arquitetônica, nos mobiliários, nos equipamentos, nos transportes, na comunicação e na informação) e a formação dos professores para a inclusão (BRASIL, 2008, p. 8).

O AEE deve ser ofertado nas Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) e tem como objetivo complementar ou suplementar a formação dos estudantes. Dentre as atividades realizadas no AEE, a Política indica que devem ser disponibilizados recursos de Tecnologia Assistiva (TA) (BRASIL, 2008, p.10).

De acordo com o Comitê de Ajudas Técnicas – CAT, Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL, 2007).

A utilização da TA no AEE depende das características individuais do estudante, do conhecimento do professor sobre a TA e da disponibilidade das mesmas na SRM.

Desta forma, na perspectiva da Educação Inclusiva tem-se o destaque ao uso da Tecnologia Assitiva (TA) como possibilidade de inclusão no ensino regular de estudantes com Necessidades Educacionais Especiais (NEE), principalmente daqueles com alguma deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que apresentam limitações na comunicação e na interação social. A TA deve ser utilizada com os referidos estudantes na sala de aula do ensino comum e, principalmente no AEE.  Bersch afirma que “no contexto educacional inclusivo, a tecnologia assistiva caracteriza-se como um conjunto de recursos que promovem o acesso e a participação dos alunos com deficiência na aprendizagem […]” (BERSCH, 2009, p. 15).

As opções de TA que podem ser utilizadas com estudantes que apresentam algum tipo de NEE são bastante diversas. Incluem desde tecnologias simples que o próprio professor pode confeccionar como pranchas de comunicação e outros mais complexos como recursos de acessibilidade ao computador, softwares mais elaborados, leitores, vocalizadores, controladores eletrônicos de ambientes, etc. Os recursos de TA, desta forma, se diferenciam em recursos de alta e de baixa tecnologia. Os recursos de baixa tecnologia são geralmente definidos como passivos ou fáceis de usar, mais baratos e com poucas partes móveis, como por exemplo: instrumentos customizados para as mãos, adaptações para recursos de escrita, apoio para livros, recursos para facilitar o alcance, talheres adaptados e materiais como velcro, antiderrapantes, fitas adesivas, etc. (MARTINS, 2011, p. 38). Já os recursos de alta tecnologia são geralmente definidos como recursos mais complexos e que apresentam componentes eletrônicos, tais como computadores, vocalizadores, equipamentos para o controle de ambiente, cadeiras de rodas motorizadas, etc. (INGE e GALVIN apud MARTINS, 2011, p. 38).

A TA é essencial na garantia do direito à educação das pessoas com deficiência e/ou Transtorno do Espectro Autista, sendo um fator que contribui e, em muitos casos, possibilita a inclusão escolar. Por isso concordamos com Bersch “que se fazem necessários na escola o conhecimento e a aplicação prática da tecnologia assistiva” (BERSCH, 2009, p. 21).

O conhecimento sobre a TA na escola, vai circular a partir do professor, especialmente, do professor do AEE, o que traz implicações relacionadas à formação desse profissional. É necessário que o professor do AEE tenha sólido conhecimento no que se refere às Tecnologias Assistivas, pois são consideradas de sua atribuição o uso e a confecção das mesmas. Nesse sentido, é importante que as mantenedoras propiciem ao professor atuante nesse espaço a participação em formações específicas. Além disso, é compromisso do próprio professor buscar estar atualizado e capacitado para a execução do seu trabalho. Existem vários cursos, inclusive em plataformas públicas de Educação à Distância que fornecem formações sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação de uma forma geral e de Tecnologias Assistivas, mais especificamente.

Somente com o conhecimento do que há disponível e do que pode ser confeccionado o professor poderá realizar a avaliação adequada da necessidade de uso de tecnologia assistiva do estudante com deficiência ou TEA. Com isso, o professor do AEE também poderá auxiliar o professor da classe comum e a família do estudante, pois muitas TA são imprescindíveis nas atividades de vida diária, as chamadas AVD’s e podem ser utilizadas em casa, possibilitando uma maior autonomia e uma melhor qualidade de vida.

Referências:

BERSCH, R. Design de um Serviço de Tecnologia Assistiva em Escolas Públicas. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em Design, Porto Alegre, BR-RS, 2009.

Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/18299/000728187.pdf?sequence=1. Acesso em sete de fevereiro de 2017.

BRASIL. CORDE, Comitê de Ajudas Técnicas. ATA VII. 2007. Disponível em http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reunião_do_Comite_de_Ajudas_Técnicas.doc. Acesso em sete de fevereiro de 2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008. Disponível em http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.pdf. Acesso em sete de fevereiro de 2017.

MARTINS, D.S. Design de Recursos e Estratégias em Tecnologia Assistiva para Acessibilidade ao Computador e à Comunicação Alternativa. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Engenharia, Programa de Pós-Graduação em Design, Porto Alegre, BR-RS, 2011. Disponível em http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/38706/000823437.pdf?sequence=1. Acesso em sete de fevereiro de 2017.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Susana Joaquim Rodrigues
CRP 07/15823

Psicóloga com atuação clínica, especialista em Educação Especial e Inclusiva,
membro da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul.
Contatos:
Telefone: (51) 95396145
Email: susipsique@yahoo.com.br
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Instagram: @psicologasusanarodrigues

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