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Não existe fórmula para a felicidade


Por: Amanda Santos de Oliveira 

Infelizmente o que tenho para te dizer hoje é que não existe fórmula e/ou manual de instruções pronto para a vida. Provavelmente você está aqui para encontrar alguns passos simples que você pode buscar para se dar bem na sua vida pessoal, na vida amorosa e na carreira. Mas, infelizmente, apesar de existirem orientações assertivas, não é possível garantir o sucesso por meio deles. No entanto, posso dizer que existem alguns motivos para que essas dificuldades sejam tão palpáveis. São esses motivos que quero te apresentar hoje para que talvez, você consiga construir sua própria fórmula para a felicidade.

Autoconhecimento

Neste caso você pode pensar: “ninguém me conhece como eu mesmo”. Mas, será realmente que você se conhece o suficiente? Claro que você sabe quem você é, o que você faz e conhece sua opinião sobre todos os assuntos. Mas, será que você consegue identificar como sua mente se estrutura e quais são as pegadinhas que ela prega em você mesmo?

Não é nada fácil conhecer-se. Isso porque, nós sabemos muito bem camuflar características sobre nós que não gostaríamos de ter ou esconder conteúdos que não estamos prontos para lidar. Mas, essa camuflagem, não necessariamente é consciente.  Às vezes, mantemos essas questões tão escondidas que nem sequer temos ciência de que elas estão lá.

Parece estranho não é? Mas, é para isso que possuímos os chamados mecanismos de defesa. Segundo Freud, apresentado por Gomes (2003)[1], tais mecanismos servem para afastar os “perigos”. Ademais, os mecanismos de defesa se tornam modalidades regulares de reação do seu caráter que são repetidas ao longo da vida, sempre que ocorrer uma situação considerada perigosa. Mas, a formação dos mecanismos de defesa se dá na infância, aonde alguns perigos são realmente existentes. No entanto, o ego adulto, continua a se defender contra perigos que não mais existem. Ou seja, os mecanismos de defesa podem ser utilizados em situações que servem como substitutas a um medo anterior, justificando a existência de tal proteção.

Para exemplificar basta pensar da seguinte forma: você usa de algumas estratégias para se proteger de contextos ou questões que você julga serem perigosas. Mas, nem sempre você conhece as estruturas que usa para isso e nem sempre você sabe como lidar com elas. Portanto, o trabalho de autoconhecimento exige um acompanhamento psicológico a fim de te apoiar nessa descoberta. Além de uma grande motivação para que você faça um esforço diferente do que fez durante toda a sua vida.

Egocentrismo

Segundo Gallego (2010)[2], existem algumas questões relevantes no que diz respeito ao desenvolvimento da moral, da justiça e do papel do outro. Segundo Piaget, apresentado pela autora, a criança nasce egocêntrica, o que significa que, nascemos sem diferenciar nosso eu do mundo que nos cerca. Portanto, sem essa diferenciação, não existe uma cooperação. Assim, o conceito de egocentrismo é algo que se opõe à noção de cooperação, mas não é algo exclusivo à criança. Segundo os autores, o egocentrismo ressurge sempre que houver necessidade de novas estruturações e domínios de conhecimento.

Apesar de aqui estarmos falando de questões referentes ao desenvolvimento cognitivo, a visão egocêntrica aparece em vários momentos de nossas relações. As frases “não sei o que passou pela cabeça dele(a)”, “como ele pode pensar isso?”, são exemplos claros da falta de compreensão e cooperação à participação de outros em situações ou relações. Nestes casos, seria como se apenas nossa forma de pensar e agir fossem possíveis. Por isso, não conseguimos aceitar outras posições.

Mas, esse mecanismo não é só nosso, mas também do outro. Esse processo de abrir-se para o outro e tentar aceitar novas posturas é uma tarefa extremamente difícil. Provavelmente, só notamos que estamos sendo intolerantes quando alguém nos sinaliza. Portanto, este é outro motivo para nos conhecermos cada vez mais.

Insegurança

O medo de não ser bom o suficiente, o medo de falhar, o medo de ter feito a escolha errada e tantos outros medos que nos assombram em tantas situações diferentes. Ninguém gosta de falhar ou de perceber que apesar de sermos quem somos, estamos errados. Passar por algo assim fere, e muito, nosso narcisismo, que por mais que negamos ter, ele está lá.

O medo é comum, mas deixar que este medo te paralise é o que você deve evitar. Sabe aquele velho ditado que fala que vencemos os medos se os enfrentarmos? Pois neste caso, pratique este dito popular. Isso porque, o medo pode ter sido construído em um momento em que existia algum fator perigoso real, mas hoje o mesmo sentimento está sendo usado em situações diferentes em que não há perigo. Mas, para desmistificar tais situações é preciso passar por elas. Tente, faça! Em caso de derrota, também é necessário viver com ela.

E então…

Viu só o quanto é difícil e o quanto sua mente pode agir sem você perceber? Por isso, procure um profissional e se conheça. Conheça o que você tem feito para distanciar sua própria felicidade e entenda como lidar com diversas situações pelas quais você está passando. Admitir um erro, não será nada fácil. Mas, percebe-lo e aprender com ele, será o caminho para a mudança que você tanto procura.

[1] GOMES, Fernando Grilo. A relação entre os mecanismos de defesa e a qualidade da aliança terapêutica em psicoterapia de orientação analítica de adultos: um estudo explanatório. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 2003. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/10605/000598063.pdf?sequence=1&gt;. Acesso em 26 de jan de 2017.

[2] GALLEGO, Andrea Bonetti. Desenvolvimento moral no adulto e educação à distância. In: Novas Tecnologias na Educação. V. 8 Nº 3, dezembro, 2010. Disponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/index.php/renote/article/view/18038/10626&gt;. Acesso em 26 de jan de 2017.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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