Arquivo da categoria: separação

Meu casamento acabou!


Por: Amanda Santos de Oliveira 

A nossa cultura tenta o tempo todo nos preparar para um relacionamento feliz e eterno. Apesar de, felizmente, o divórcio hoje não ser um tabu, ainda é extremamente difícil encarar tal realidade. Independente do contexto em que você vive, o processo é extremamente penoso, seja por questões burocráticas ou emocionais. Se você está passando por essa situação, entenda que você precisa de apoio e orientações para passar por ela da melhor maneira possível. Por isso, segue abaixo algumas questões acerca deste tema.

Aceitando uma nova realidade

Provavelmente, se você é casada hoje, este ideal um dia fez parte do seu projeto de vida. Mesmo que você não sonhasse com a vida conjugal desde pequena, no momento em que decidiu se casar, as decisões começaram a ser tomadas a partir dessa decisão. Então, na iminência de um divórcio, você terá que lidar com essa “frustração”. Digo frustração, no sentido de ter um plano frustrado, o que não quer dizer que o divórcio é algo ruim.

Portanto, é preciso encarar essa ideia e a perda de uma realidade para construção de uma nova vida. Essa perda e essa separação podem surgir mediante grande sofrimento psicológico. Isso se dá, porque neste momento você passa por um processo semelhante ao do luto. Segundo Kubler-Ross (1969)[1], o processo de luto se apresenta em cinco fases, sendo elas a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. As primeiras fases se configuram como mecanismos de defesa, ou seja, produzimos comportamentos e pensamentos que nos impedem de acessar as emoções trazidas pela nossa realidade. Na barganha, por exemplo, o indivíduo começa a tentar “negociar” a fim de que a realidade não se concretize, mesmo que ela já esteja instaurada. Na depressão, a realidade começa a ser entendida e o indivíduo passa a acessar o sofrimento decorrente do contexto. Por fim, na aceitação a realidade passa a ser elaborada e o ambiente transformado para a vida sem aquele que foi perdido. Apesar dessas fases elencadas, o enlutado pode passar por todas elas ou não, seguir esta ordem ou não e pode ainda, regredir ou avançar etapas.

Logo, o processo é extremamente desgastante e, neste momento, esteja cercada do máximo de apoio que conseguir. Neste caso é muito interessante o acompanhamento psicológico para que o processo seja vivido com o máximo de qualidade possível a fim de que ele possa ser superado com mais facilidade. Fale sobre o assunto, não esconda seu sofrimento e lide com ele. Isso porque o processo de luto pode durar muito tempo, o que pode atrapalhar a assertividade de um divórcio. Por isso, lidar com a situação é o melhor caminho.

Tenho filhos e agora?

Não pense que ter filhos impede um divórcio. Entenda que se o pai e a mãe da criança estão felizes, passarão positividade e apoio saudável para seus filhos. Caso os pais estejam presos em um relacionamento que não os faz bem, isso acabará sendo refletido nos filhos. Se você pensa que seus filhos não entendem o que estão acontecendo, quero te dizer que eles entendem sim. Mesmo que eles ainda sejam crianças e suas estruturas de pensamento ainda não sejam tão maduras quanto as nossas, eles sabem quando algo não está indo bem.

A melhor maneira de começar a passar por um processo de divórcio não é camuflando ele de seus filhos. A comunicação tem um papel muito importante neste momento. Mas, cuidado com as palavras. Neste momento não vale colocar seu parceiro contra seu filho ou tentar mostrar que apenas você está certa. Comunique o divórcio da maneira mais assertiva possível. Para isso, tenha a certeza de que você está usando uma linguagem acessível ao desenvolvimento do seu filho. Além disso, deixe claro que a situação não representa abandono de nenhuma das partes.

Neste momento é necessária atenção especial aos filhos. O contexto pode significar uma ausência maior de um dos pares, mudança de endereço, de escola, rotina, etc. Portanto, seus filhos também devem ter apoio psicológico para isso. E, se possível, tente manter a estrutura o mais similar possível ao padrão anterior.

Sou dependente financeiramente

Essa é a situação que mais assusta não é mesmo? A primeira questão a se pensar é que você tem direitos legais a serem resguardados. Portanto, procure fazer o divórcio legalmente para que os direitos de ambas as partes sejam assegurados. Feito isso, comece a pensar em novas alternativas. Talvez essa oportunidade te ajude a encontrar dons que vão te ajudar financeiramente.

Veja a situação como uma oportunidade e esteja aberta a ela. Provavelmente você sofrerá uma mudança financeira, mas pense o lugar que o dinheiro ocupa na sua vida. Será que vale a pena se manter em um relacionamento para ter determinado padrão social e econômico? Se você tiver que voltar alguns passos, faça isso. Tenho certeza que com um bom plano, apoio e coragem, você vai conseguir mudar essa realidade.

Solteira, de novo!

Um outro medo muito grande é o de voltar a ser solteira e o que isso implica. Provavelmente é o que muitos de seus amigos e familiares vão comentar no início. Não se preocupe tanto com esse rótulo e não se sinta pressionada a iniciar um novo relacionamento.

A vida de solteira não precisa implicar na busca de um parceiro novo. Viva para você um pouco. Não estou dizendo que você nunca mais terá alguém, mas antes de procurar, se certifique de que você está pronta para isso.

Certamente, este será um processo de descobertas sobre o mundo e sobre si. Então aproveite essa chance e construa algo novo. Dê um passo de cada vez e respeite seu tempo, mesmo que ele seja um pouco lento. Se eu posso te dar uma dica é: tenha coragem! Existe um mundo novo esperando por você.

[1] KUBLER-ROSS, Elizabeth. Sobre a morte e o morrer. São Paulo: Wmf Martins Fontes, 1969.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


Gostou deste conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!
Cadastre-se também na opção “Seguir Psicologia Acessível”e receba os posts em seu e-mail!


PNG - ONLINE IMAGE EDITOR - Copia.png

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).